O atual surto de Ebola na República Democrática do Congo se tornou o mais letal já registrado na história do país. Dados divulgados pelas autoridades congolesas neste domingo (16) apontam 2.325 mortes e 4.945 casos confirmados da doença.
Com o novo balanço, o número de vítimas ultrapassou as 2.299 mortes registradas durante o surto de 2018 a 2020, que até então era considerado o mais grave enfrentado pelo país.
Segundo o instituto de saúde pública da República Democrática do Congo, 101 novos casos foram identificados apenas nas 24 horas anteriores ao levantamento mais recente.
O surto atual é o 17º registrado no país e já havia se tornado, no fim de julho, o maior da história congolesa em número de casos. Agora, também passou a ocupar o primeiro lugar em número de mortes.
Avanço rápido preocupa autoridades de saúde
A epidemia foi oficialmente declarada em 15 de maio e avançou rapidamente nos meses seguintes. O surto é provocado pelo vírus Bundibugyo, uma das espécies responsáveis pela doença Ebola.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a transmissão se espalhou por diferentes áreas do país em meio a dificuldades como insegurança, deslocamentos populacionais, limitações no acesso aos serviços de saúde e intensa movimentação de pessoas.
No fim de julho, a OMS já havia registrado casos em 49 zonas de saúde distribuídas pelas províncias de Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé e Tshopo. Ituri concentrava a maior parte das infecções confirmadas naquele momento.
O número de mortes entre os casos confirmados também aumentou ao longo da epidemia. Dados mais recentes das autoridades congolesas indicam uma taxa de letalidade próxima de 46%, o que significa que quase metade dos pacientes com diagnóstico confirmado morreu.
Especialistas ouvidos durante a resposta ao surto afirmam que esse aumento não significa necessariamente que o vírus tenha se tornado mais agressivo. A situação pode estar relacionada principalmente à identificação tardia dos casos, dificuldades de vigilância e demora no acesso ao atendimento.
Variante não tem vacina ou tratamento específico aprovado
A espécie Bundibugyo representa um desafio adicional para as equipes de saúde. Segundo a OMS, ainda não existe vacina nem tratamento específico aprovado contra essa variante do Ebola.
Vacinas experimentais e possíveis terapias estão sendo avaliadas, mas os estudos ainda não permitem tratá-las como métodos comprovados de prevenção ou tratamento para a população.
A transmissão do Ebola ocorre principalmente pelo contato direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas, vivas ou mortas, além do contato com materiais contaminados.
A doença pode provocar febre, vômitos, diarreia e outros sintomas graves. Em alguns pacientes também podem ocorrer sangramentos internos ou externos.
Surto já ultrapassa crise anterior no Congo
Apesar de ser o pior episódio já registrado na República Democrática do Congo, o atual surto ainda permanece abaixo da grande epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016.
Naquela ocasião, 28.616 casos e 11.310 mortes foram registrados principalmente em Guiné, Libéria e Serra Leoa, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.
Mesmo assim, a velocidade do avanço atual chama atenção. A República Democrática do Congo alcançou a marca de 2 mil mortes em menos de três meses após a declaração oficial da epidemia.
O vírus também chegou anteriormente à vizinha Uganda. As autoridades ugandenses registraram 20 casos confirmados e duas mortes antes de declarar encerrado o surto no país no fim de julho. A OMS mantém acompanhamento da região devido ao risco de novos casos importados enquanto a transmissão continuar ativa no Congo.





