A Petrobras confirmou a identificação de hidrocarbonetos durante a perfuração de um poço na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira. Apesar da descoberta, a companhia ainda precisa concluir os trabalhos para determinar quanto petróleo ou gás existe na área e se a acumulação poderá ser explorada comercialmente.
Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a perfuração ainda deve levar entre 15 e 20 dias para ser concluída. Somente depois dessa etapa será possível avançar na avaliação do volume encontrado.
“Ainda precisamos delimitar a descoberta, saber quanto petróleo de fato existe nessa área”, afirmou Chambriard.
De acordo com a executiva, a descoberta representa apenas uma das primeiras etapas do trabalho exploratório. A continuidade da campanha é que deverá indicar o tamanho do potencial da região e as condições para uma eventual produção.
Novos poços estão previstos para a região
A Petrobras pretende ampliar a investigação na área. Chambriard informou que outros três poços estão previstos para a região, além de cinco em áreas próximas.
Segundo ela, esse conjunto de perfurações será fundamental para dimensionar o potencial existente na nova fronteira exploratória.
A empresa informou que os hidrocarbonetos foram identificados por meio de perfis elétricos e de amostras de rochas coletadas durante a perfuração. As operações continuam em andamento para aprofundar a avaliação do poço.
A Petrobras afirma que os trabalhos são realizados com procedimentos de segurança e respeito às exigências ambientais e às comunidades da região.
Perfuração custa cerca de US$ 1 milhão por dia
O trabalho exploratório em águas profundas envolve uma operação de alto custo. Segundo as informações apresentadas pela Petrobras, a perfuração do poço custa, em média, cerca de US$ 1 milhão por dia.
Os investimentos acumulados na operação já chegam a aproximadamente US$ 300 milhões.
A companhia é a única operadora do bloco FZA-M-59, adquirido durante a 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP, realizada em 2013.
A descoberta integra uma campanha maior da Petrobras na Margem Equatorial. O Plano de Negócios 2026-2030 da companhia prevê a perfuração de 15 poços na região e investimentos de aproximadamente US$ 2,5 bilhões.
Lula visita navio-sonda usado na operação
Antes da divulgação dos detalhes sobre a descoberta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o navio-sonda responsável pela perfuração em águas profundas.
Durante a visita, Lula destacou o possível impacto econômico para o Amapá caso o potencial da área seja confirmado e a exploração avance no futuro.
O presidente também comentou sobre a qualidade do óleo identificado durante a perfuração. Segundo Lula, ao perguntar a Chambriard se o petróleo encontrado poderia ser comparado ao Brent, referência internacional no mercado, teria ouvido da presidente da Petrobras que o produto seria “Brent com louvor”.
Apesar das declarações, a descoberta ainda está em fase exploratória e não representa, neste momento, uma reserva comercialmente comprovada.
Volume e viabilidade ainda serão avaliados
Os próximos trabalhos deverão responder principalmente a duas questões: qual é o volume de hidrocarbonetos presente no reservatório e se a quantidade encontrada poderá justificar economicamente uma operação de produção.
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, o IBP, avaliou que a descoberta é relevante por indicar a possibilidade de abertura de uma nova fronteira de exploração e produção no extremo norte do Brasil.
Para o instituto, os resultados também podem ter importância para a segurança energética do país no médio e no longo prazo.
A Petrobras continuará coletando informações durante a perfuração e analisando os dados técnicos antes de definir as próximas etapas da campanha exploratória na Foz do Amazonas.




