O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, convocou uma sessão plenária extraordinária para 15 de setembro, às 10h, para analisar o processo que reúne o relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e enviadas ao ministro Alexandre de Moraes.
O processo está sob relatoria do ministro André Mendonça e passou ao centro da crise institucional envolvendo decisões conflitantes dentro do próprio Supremo e o comando da Polícia Federal.
A convocação foi determinada na mesma decisão em que Fachin suspendeu tanto a ordem de André Mendonça que havia afastado Andrei Rodrigues da direção-geral da PF quanto a decisão de Flávio Dino que posteriormente determinou sua recondução ao cargo.
Fachin paralisa processos e concentra análise na Presidência do STF
Além de convocar o plenário, Fachin determinou a suspensão do andamento do processo em que André Mendonça havia ordenado o afastamento de Andrei Rodrigues.
O presidente do STF também mandou paralisar qualquer procedimento que envolva uma possível investigação contra integrantes da própria Corte.
Segundo a decisão, casos desse tipo deverão ser remetidos inicialmente à Presidência do Supremo para análise.
Fachin justificou a medida afirmando que havia necessidade de interromper imediatamente decisões conflitantes e sobrepostas capazes de provocar prejuízos à ordem pública e ao funcionamento institucional do tribunal.
Presidente do STF fala em risco de decisões contraditórias
Na avaliação de Fachin, diferentes processos em tramitação no Supremo passaram a tratar de fatos relacionados entre si, mas estavam sob relatorias distintas.
O ministro citou a Petição 16.662, relatada por André Mendonça, o inquérito das fake news e a Petição 16.669, que ficou sob responsabilidade de Flávio Dino.
Segundo Fachin, a manutenção dessas apurações de forma independente poderia gerar decisões contraditórias, sobreposição de determinações e tumulto processual.
Ele afirmou ainda que os procedimentos têm elementos fáticos e probatórios comuns ou parcialmente coincidentes, o que justificaria uma coordenação mais centralizada.
Fachin diz que plenário deve analisar atos envolvendo integrantes da Corte
Na decisão, o presidente do STF ressaltou que cabe à Presidência proteger as prerrogativas do tribunal, dirigir seus trabalhos e garantir o cumprimento do Regimento Interno.
Fachin também destacou que situações envolvendo possíveis atos de ministros da própria Corte exigem análise que preserve o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
Segundo ele, cabe ao plenário examinar questões relacionadas aos atos de integrantes do Supremo quando houver necessidade de apuração institucional.
O ministro afirmou que, quando surgem fatos capazes de levantar dúvidas sobre o funcionamento do STF, existe interesse de toda a Corte em esclarecer o ocorrido e, se necessário, estabelecer responsabilidades.
Informações estão sendo reunidas em processo sob relatoria de Fachin
Fachin também informou que passou a concentrar na Petição 16.704, que está sob sua própria relatoria, informações e manifestações relacionadas aos diferentes processos que envolvem os mesmos acontecimentos.
Entre eles estão elementos da ação relatada por André Mendonça e também decisões tomadas no âmbito do inquérito das fake news relacionadas a uma possível investigação envolvendo integrantes da Corte.
Para Fachin, essa concentração é necessária tanto por razões processuais quanto pelas atribuições específicas que o Regimento Interno do STF concede à Presidência.
Sessão extraordinária será realizada em 15 de setembro
Com a convocação, os ministros do Supremo deverão discutir o caso em sessão pública do plenário no dia 15 de setembro de 2026, às 10h.
Entre os documentos que estarão no centro da análise está o relatório da Polícia Federal que reúne mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e relacionadas a Alexandre de Moraes.
O plenário também deverá enfrentar os conflitos processuais que surgiram após decisões diferentes de ministros da própria Corte sobre a Polícia Federal e sobre eventuais investigações envolvendo integrantes do STF.
Até a nova deliberação, os procedimentos alcançados pela determinação de Fachin permanecem suspensos conforme estabelecido pela Presidência do Supremo.




