Augusto Cury propõe fim do presidencialismo no Brasil e defende primeiro-ministro liberal para comandar a economia

Imagem: Reprodução/TV Globo

O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) defendeu nesta quarta-feira (9) o fim do atual modelo presidencialista brasileiro e a criação de um sistema em que o presidente dividiria funções com um primeiro-ministro responsável principalmente pela condução da economia.

A proposta foi apresentada após um encontro na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, na capital paulista. Segundo Cury, o primeiro-ministro deveria ter uma orientação liberal na área econômica, com defesa de um Estado mais enxuto, impostos menores e estímulo ao empreendedorismo.

Presidente ficaria focado em questões estratégicas e política externa

Pelo modelo defendido pelo candidato, as funções atualmente concentradas na Presidência da República seriam divididas.

O presidente teria atuação mais voltada às questões estratégicas do país e à política externa, enquanto o primeiro-ministro assumiria a responsabilidade direta pela área econômica.

Cury afirmou que gostaria de um chefe de governo com perfil liberal, voltado à meritocracia, redução do tamanho do Estado, diminuição de impostos e incentivo à atividade empresarial, mas mantendo políticas sociais.

Na avaliação do candidato, o presidencialismo brasileiro concentra decisões demais nas mãos de uma única pessoa e pode permitir que governantes assumam responsabilidades sobre áreas para as quais não possuem conhecimento técnico suficiente.

Ele também criticou o que considera riscos de populismo e autoritarismo dentro do atual sistema.

Mudança seria levada ao Congresso logo no início do mandato

Cury afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende iniciar a discussão sobre a mudança do sistema de governo já na primeira semana de mandato.

A proposta precisaria passar pelo Congresso Nacional e envolver mudanças profundas na estrutura política e institucional brasileira.

O candidato tem apresentado a ideia como parte de um projeto de reorganização do Poder Executivo, com maior divisão de responsabilidades e participação de especialistas na administração federal.

Cury cita Mansueto Almeida, Marcos Lisboa, Ilan Goldfajn e Armínio Fraga

Durante a conversa na Fiesp, Augusto Cury também falou sobre nomes que considera para uma eventual equipe econômica.

Segundo ele, já houve diálogo com os economistas Mansueto Almeida e Marcos Lisboa, ex-presidente do Insper.

O candidato afirmou ainda que pretende conversar com os ex-presidentes do Banco Central Ilan Goldfajn e Armínio Fraga.

Cury disse que deseja formar uma equipe composta por especialistas de diferentes áreas e evitar uma administração excessivamente concentrada na figura do presidente.

Ele voltou a afirmar que não pretende construir uma carreira política de longo prazo e que se considera uma figura de transição para um novo modelo de administração pública.

Candidato apoia manifesto empresarial que cobra resposta do STF

Na visita à Fiesp, Cury também manifestou apoio ao chamado “Manifesto à Nação Brasileira”, documento assinado por milhares de entidades empresariais e que cobra uma resposta rápida e transparente do Supremo Tribunal Federal diante da atual crise envolvendo integrantes da Corte.

Segundo os organizadores citados pelo candidato, as entidades signatárias representariam parcela próxima de 90% do Produto Interno Bruto brasileiro e cerca de 40 milhões de empregos.

O manifesto pede que os fatos recentes sejam analisados pelo STF com transparência e agilidade.

Cury fala sobre eventual impeachment de Moraes

Questionado sobre o ministro Alexandre de Moraes, Augusto Cury afirmou que, caso seja comprovada uma irregularidade suficientemente grave para inviabilizar sua permanência no Supremo, o ministro deveria sofrer impeachment ou deixar o cargo.

O candidato, porém, evitou antecipar uma conclusão sobre o caso e afirmou que os fatos precisam ser esclarecidos.

Cury também disse esperar que a crise envolvendo o Supremo tenha uma definição ainda durante o mês de setembro.

Segundo ele, prolongar indefinidamente a análise das acusações e suspeitas poderia aumentar a crise institucional e reduzir a confiança da população nas instituições.

As propostas apresentadas na Fiesp reforçam a tentativa de Augusto Cury de se posicionar na corrida presidencial com uma plataforma de mudanças institucionais, divisão de responsabilidades no Executivo e uma equipe econômica formada por nomes com perfil técnico.

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João Pedro Rafannelli

João Pedro Rafannelli acompanha os principais acontecimentos do Brasil, com foco em notícias, decisões, fatos relevantes e temas que impactam diretamente o dia a dia da população.