A arrecadação de impostos e contribuições federais alcançou R$ 289,3 bilhões em julho de 2026 e bateu recorde para o mês, segundo dados divulgados nesta terça-feira (25) pela Receita Federal.
O resultado representa crescimento real de 9% na comparação com julho de 2025, quando a arrecadação havia somado R$ 265,5 bilhões. A variação já considera o efeito da inflação.
Segundo a Receita, este foi o maior valor registrado para um mês de julho desde o início da série histórica, em 1995. O desempenho foi influenciado pela atividade econômica, pela arrecadação ligada ao setor de petróleo e por mudanças tributárias implementadas nos últimos anos.
Resultado supera julho do ano passado
Em julho de 2025, o governo federal havia arrecadado R$ 265,5 bilhões. Um ano depois, o montante subiu para R$ 289,3 bilhões.
O avanço real significa que o crescimento permaneceu positivo mesmo depois de descontada a inflação do período.
Mudanças tributárias ajudaram a elevar receitas
O aumento da arrecadação ocorre em meio a uma série de mudanças promovidas pelo governo federal na tributação de diferentes setores e fontes de renda.
Durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram alteradas regras relacionadas a fundos exclusivos, investimentos no exterior e incentivos fiscais concedidos pelos estados.
Também houve mudanças na tributação de combustíveis, na folha de pagamentos, no setor de eventos, nas casas de apostas e nos juros sobre capital próprio.
O governo também elevou o IOF em operações de crédito e câmbio e adotou outras medidas com impacto sobre a arrecadação federal.
Petróleo também impulsionou resultado
Outro fator destacado pela Receita foi a alta do preço do petróleo, que aumentou as receitas relacionadas a royalties e às atividades de extração.
Além disso, uma cobrança adicional sobre exportações também contribuiu para elevar o volume recolhido pelo governo.
Arrecadação acumulada em 2026 também bate recorde
Nos primeiros sete meses de 2026, a arrecadação federal alcançou R$ 1,87 trilhão em valores nominais.
Quando os números são corrigidos pela inflação, o total chega a aproximadamente R$ 1,9 trilhão.
O resultado representa crescimento real de 7% na comparação com os R$ 1,77 trilhão registrados no mesmo período de 2025.
Receitas maiores são importantes para meta fiscal de 2026
O recorde ocorre em um momento em que o governo depende de receitas elevadas para cumprir a meta fiscal estabelecida para 2026.
A meta central prevê resultado positivo equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto, aproximadamente R$ 34,3 bilhões.
O arcabouço fiscal, porém, estabelece uma faixa de tolerância ao redor dessa meta, permitindo que o objetivo oficial seja considerado cumprido dentro de determinados limites.
Contas ainda podem terminar o ano no vermelho
Apesar do crescimento recorde da arrecadação, a projeção apresentada indica que as contas públicas ainda podem registrar resultado negativo em 2026 quando consideradas despesas que ficam fora da apuração oficial da meta.
Pelas regras atuais, determinadas despesas, como parte dos pagamentos de precatórios, podem ser retiradas do cálculo utilizado para verificar o cumprimento do objetivo fiscal.
Considerando esses ajustes, a previsão citada é de um déficit efetivo de aproximadamente R$ 23,3 bilhões em 2026, mesmo que o indicador usado oficialmente para a meta possa apresentar equilíbrio ou superávit.
Assim, o recorde de receitas melhora a posição do governo na busca pelo cumprimento das regras fiscais, mas não elimina a pressão das despesas sobre as contas públicas.
