A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caiu abaixo de 30% no Lulômetro nesta segunda-feira (17). O levantamento, produzido pela Realtime Big Data em parceria com O Antagonista, mostra que 29% dos entrevistados classificam o governo como “ótimo” ou “bom”.
Ao mesmo tempo, 33% avaliam a gestão como “regular”, enquanto 36% consideram o governo “ruim” ou “péssimo”. Os números reforçam a trajetória recente de queda registrada pelo indicador.
O Lulômetro funciona como um acompanhamento diário da avaliação do presidente. Para cada atualização, são consideradas respostas de 2 mil pessoas entrevistadas ao longo dos cinco dias anteriores, incluindo o dia da divulgação.
Indicador entrou em tendência de queda
A mudança de direção no índice começou a aparecer durante o período de restrições eleitorais imposto aos agentes públicos antes das eleições de 2026.
Desde 4 de julho, uma série de limitações passou a valer para integrantes da administração pública. Entre elas está a proibição de publicidade institucional de atos, programas, obras, serviços e campanhas, salvo exceções previstas na legislação eleitoral.
O período de restrições segue até 25 de outubro, data prevista para eventual segundo turno das eleições gerais deste ano.
A coincidência entre o início do período eleitoral e a mudança nos números do Lulômetro, no entanto, não permite afirmar isoladamente que as restrições sejam responsáveis pela queda na avaliação do presidente.
Investigações envolvendo Lulinha entram no cenário político
A queda no indicador também ocorre em um momento de repercussão de investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente.
As apurações envolvem suspeitas de tráfico de influência e relações mantidas por pessoas próximas a Lulinha com integrantes do governo. As investigações ainda estão em andamento e não representam comprovação de irregularidade por parte dos investigados.
Mensagens atribuídas a Lulinha e à lobista Roberta Luchsinger, obtidas durante investigação da Polícia Federal e divulgadas pelo Metrópoles, indicam conversas sobre negócios e reuniões com pessoas que ocupavam cargos próximos ao núcleo do governo federal.
Em um dos diálogos, Lulinha menciona reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-integrante do gabinete presidencial, e com Swedenberger Barbosa, que ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde.
A defesa de Fábio Luís afirmou ao Metrópoles que ele atua na iniciativa privada e negou a existência de provas ou indícios de irregularidades. Os advogados também questionaram a divulgação de mensagens obtidas em investigação sob sigilo.
Avaliações negativas seguem acima das positivas
Com 29% de avaliações “ótimo” ou “bom” e 36% de “ruim” ou “péssimo”, o Lulômetro mostra uma diferença de sete pontos percentuais entre as avaliações positivas e negativas do governo.
O movimento ganha peso político porque ocorre já durante o calendário eleitoral de 2026, período em que partidos e candidatos intensificam a campanha e a avaliação do governo passa a ser acompanhada de perto na disputa pela Presidência da República.




