Goiânia enfrenta um avanço expressivo nos registros de chikungunya em 2026. A Secretaria Municipal de Saúde informou aumento de 278,87% nas notificações da doença e contabiliza 709 casos confirmados até esta quinta-feira (20).
Diante do crescimento, a prefeitura intensificou as ações de busca ativa, visitas domiciliares, fiscalização de imóveis fechados e combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da chikungunya, dengue e zika.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a ampliação das notificações também está relacionada à força-tarefa realizada pela Superintendência de Vigilância em Saúde, que passou a procurar de maneira mais ativa possíveis casos da doença.
Casos confirmados saltaram de 100 para 709
Os números mostram uma diferença acentuada em relação ao mesmo período do ano passado.
Até 20 de agosto de 2025, Goiânia havia registrado 213 notificações e 100 casos confirmados de chikungunya. No mesmo intervalo de 2026, são 827 notificações e 709 confirmações.
Considerando os casos confirmados, a Secretaria Municipal de Saúde aponta crescimento de 609% na comparação entre os dois períodos.
Chikungunya em Goiânia
Comparação até 20 de agosto
O balanço anual também mostra a mudança de cenário. Durante todo o ano de 2025, foram notificadas 260 ocorrências de chikungunya na capital, das quais 163 acabaram confirmadas.
Em 2026, portanto, os números registrados antes mesmo do fim de agosto já superam com folga todo o acumulado do ano anterior.
| Período | Notificados | Confirmados |
|---|---|---|
| Ano inteiro de 2025 | 260 | 163 |
| Até 20/08/2025 | 213 | 100 |
| Até 20/08/2026 | 827 | 709 |
Busca ativa ajuda a encontrar casos que poderiam passar sem notificação
A Secretaria Municipal de Saúde atribui parte do crescimento dos registros à intensificação da vigilância epidemiológica.
As equipes ampliaram a busca ativa por pessoas com suspeita da doença e reforçaram a notificação dos casos identificados na capital.
Isso significa que o aumento dos números não deve ser analisado apenas como reflexo de maior circulação do vírus. A ampliação da capacidade de localizar e registrar pacientes também interfere no total oficialmente contabilizado.
A prefeitura, porém, considera o volume de casos suficiente para reforçar as ações contra o mosquito e pedir maior participação dos moradores.
Mais de 1,5 milhão de imóveis já foram vistoriados
Em fevereiro, Goiânia lançou a Operação de Enfrentamento à Dengue, que também atua na redução da presença do Aedes aegypti, responsável pela transmissão de chikungunya e zika.
A meta anunciada é realizar 2,5 milhões de vistorias nos imóveis da capital.
Até o balanço mais recente, os agentes de combate a endemias já haviam feito 1.520.935 visitas e eliminado 43.057 focos do mosquito.
Operação contra o Aedes aegypti
Vistorias realizadas em relação à meta anunciada
A operação já alcançou aproximadamente 61% da meta total de vistorias.
Chikungunya, dengue e zika são transmitidas pelo mesmo mosquito
A chikungunya faz parte do grupo de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, mosquito que também está relacionado à dengue e à zika.
Por isso, as medidas usadas para reduzir a presença do vetor ajudam simultaneamente no combate às três doenças.
O principal objetivo das equipes é impedir que recipientes e estruturas com água acumulada se transformem em locais de reprodução do mosquito.
Mesmo durante a estiagem, a orientação da Secretaria Municipal de Saúde é manter os cuidados. Reservatórios domésticos, calhas, piscinas, recipientes abandonados e áreas com lixo podem continuar oferecendo condições para a formação de criadouros.
Prefeitura cobra participação dos moradores
O superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Flávio Toledo, afirma que o combate ao mosquito depende de uma atuação conjunta.
Segundo ele, metade da responsabilidade está com o poder público e a outra metade depende da população.
O município afirma estar utilizando equipes, equipamentos e diferentes estratégias de combate ao vetor, mas pede que os moradores permitam a entrada dos agentes nos imóveis para realização das inspeções.
Alerta da Vigilância: mesmo durante períodos de estiagem, recipientes capazes de acumular água devem continuar sendo eliminados, limpos ou mantidos devidamente fechados.
O que deve ser feito dentro de casa
Entre as principais orientações da prefeitura está a inspeção frequente de casas, empresas e terrenos para identificar qualquer ponto onde possa haver água acumulada.
Remover recipientes, objetos abandonados e materiais que possam acumular água.
Manter limpas e sem materiais que dificultem o escoamento da água.
Manter reservatórios devidamente fechados e realizar limpeza periódica.
Manter a limpeza e os cuidados necessários para evitar água propícia à reprodução do mosquito.
Acondicionar corretamente e não descartar resíduos em terrenos baldios ou locais inadequados.
Deixar cobertos e manter uma rotina de limpeza.
Combate também envolve pulverização e fumacê
Além das visitas domiciliares e da orientação aos moradores, a prefeitura utiliza diferentes ações para reduzir a circulação do mosquito nas áreas consideradas prioritárias.
As equipes realizam vistorias compulsórias em imóveis fechados ou abandonados quando necessário, além de pulverização de inseticida com bombas costais.
Também são feitas ações de nebulização com ultra baixo volume, conhecida pela sigla UBV, em áreas abertas, além da aplicação de fumacê em pontos considerados estratégicos.
| Ação | Objetivo |
|---|---|
| Visitas domiciliares | Localizar criadouros e orientar moradores. |
| Vistoria compulsória | Permitir atuação em locais fechados ou abandonados considerados de risco. |
| Bombas costais | Aplicar inseticida em áreas definidas pelas equipes. |
| Nebulização UBV | Ampliar o combate ao mosquito em áreas abertas. |
| Fumacê | Reforçar o controle do vetor em pontos estratégicos. |
Gestantes recebem orientação especial contra picadas
Entre as recomendações da Secretaria Municipal de Saúde está o uso contínuo de repelente por gestantes, além de roupas que aumentem a proteção corporal contra picadas.
A orientação ganha importância porque o mesmo mosquito também transmite o vírus zika, associado ao risco de complicações durante a gestação e de alterações no desenvolvimento do bebê, como a microcefalia.
Moradores podem denunciar possíveis criadouros
A população também pode comunicar às autoridades a existência de locais que estejam acumulando água e possam servir como foco de reprodução do mosquito.
Em Goiânia, as notificações podem ser realizadas pelo aplicativo Goiânia 24h, dentro dos serviços relacionados à Zoonoses e ao combate ao Aedes aegypti.
A Secretaria Municipal de Saúde orienta ainda que situações envolvendo possíveis focos sejam comunicadas para permitir a fiscalização das equipes.
Com mais de 700 casos confirmados de chikungunya e crescimento expressivo das notificações em 2026, o município tenta combinar vigilância epidemiológica, busca ativa de pacientes e combate direto ao mosquito para conter a expansão da doença.




