O Brasil pretende ampliar sua presença na corrida global pela inteligência artificial com uma nova frente de cooperação tecnológica envolvendo empresas chinesas. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (20) e prevê investimentos de R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos.
A iniciativa será conduzida pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, a RNP, em parceria com as empresas Huawei e iFlytek. A infraestrutura física ficará no Rio de Janeiro e deverá ser direcionada principalmente ao desenvolvimento de inteligência artificial e modelos de linguagem treinados em português.
Projeto mira uma IA mais adaptada ao Brasil
Uma das prioridades será desenvolver grandes modelos de linguagem capazes de trabalhar de maneira mais específica com o português, além de ampliar a infraestrutura nacional necessária para pesquisas e aplicações de inteligência artificial.
Operações estão previstas para começar em 2027
O cronograma apresentado prevê que as primeiras operações da parceria tecnológica sejam iniciadas em julho de 2027.
A estrutura deverá apoiar o desenvolvimento de grandes modelos de linguagem, conhecidos pela sigla LLM, além de outros sistemas de inteligência artificial voltados para aplicações brasileiras.
Durante evento realizado no Parque Tecnológico de Macaíba, no Rio Grande do Norte, Lula afirmou que o país pretende ocupar espaço em um setor atualmente concentrado principalmente nos Estados Unidos e na China.
investimento previsto ao longo de cinco anos
previsão para início das operações
idioma que estará no centro do treinamento dos novos modelos
Governo quer manter mais dados e processamento dentro do país
Um dos argumentos apresentados pelo governo para ampliar a infraestrutura brasileira está relacionado à chamada soberania digital.
A estratégia busca aumentar a capacidade de armazenar e processar dados ligados a serviços públicos e privados dentro do território nacional, diminuindo a dependência de estruturas instaladas no exterior.
Esse movimento envolve não apenas modelos de inteligência artificial, mas também centros de processamento, computação de alto desempenho e formação de profissionais especializados.
Supercomputador bilionário faz parte de outra frente do plano
Paralelamente à parceria com as empresas chinesas, o governo também prepara a contratação de um supercomputador avaliado em aproximadamente R$ 1 bilhão.
A máquina deverá ser instalada no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Macaíba.
A expectativa é que o equipamento alcance cerca de 7,2 mil petaflops em precisão FP16, capacidade equivalente a aproximadamente 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo.
Se o desempenho previsto for confirmado, o sistema poderá aparecer entre os supercomputadores de maior capacidade do mundo.
Duas estruturas diferentes
A cooperação entre RNP, Huawei e iFlytek prevê infraestrutura no Rio de Janeiro. Já o supercomputador de aproximadamente R$ 1 bilhão está previsto para o Rio Grande do Norte e integra uma frente mais ampla de expansão da computação de alto desempenho no país.
Brasil também mira desenvolvimento próprio de chips
O pacote tecnológico anunciado pelo governo vai além da inteligência artificial.
Outra iniciativa pretende aumentar a capacidade brasileira de desenvolver componentes e chips para computação de alto desempenho, reduzindo ao longo dos próximos anos a dependência de tecnologias controladas por um número restrito de empresas e países.
Nessa área, a cooperação será feita com o ecossistema tecnológico de Barcelona, na Espanha.
A proposta utilizará a arquitetura aberta RISC-V, que permite desenvolver processadores sem depender exclusivamente das arquiteturas proprietárias que dominam boa parte do mercado mundial.
Nuvem Brasileira também entra no pacote
Outra peça da estratégia será a chamada Nuvem Brasileira, estrutura destinada a ampliar a capacidade nacional de processamento e armazenamento de informações.
O projeto envolve a participação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, do Serpro e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
A intenção é ampliar a disponibilidade de infraestrutura computacional brasileira para serviços considerados estratégicos.
Centro em Minas Gerais deverá auditar sistemas de inteligência artificial
O plano também prevê a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, que será instalado na Universidade Federal de Minas Gerais.
A estrutura deverá oferecer suporte técnico e científico para analisar sistemas de inteligência artificial, incluindo mecanismos de auditoria e avaliação de como determinados algoritmos funcionam.
A proposta insere transparência, segurança e acompanhamento técnico dentro da estratégia de expansão da IA no país.
O plano vai muito além de criar um chatbot brasileiro
A estratégia reúne supercomputação, modelos de linguagem em português, desenvolvimento de chips, infraestrutura de nuvem, formação tecnológica e mecanismos para avaliar sistemas de inteligência artificial.
Disputa pela inteligência artificial passa também pela infraestrutura
O avanço dos grandes modelos de IA exige muito mais do que programas e bancos de dados. É necessário ter acesso a processadores especializados, grandes centros de computação, energia, profissionais qualificados e capacidade para treinar modelos que podem consumir enormes volumes de processamento.
É justamente nessa infraestrutura que Estados Unidos e China construíram parte de sua vantagem no setor nos últimos anos.
Com o conjunto de projetos anunciado, o governo brasileiro tenta ampliar a capacidade nacional em diferentes etapas dessa cadeia tecnológica e criar condições para que uma parcela maior do desenvolvimento de inteligência artificial seja realizada dentro do próprio país.




