Fila do INSS diminui, mas segurados ainda relatam espera de até oito meses por resposta a pedidos de benefícios

A fila de pedidos do INSS apresentou redução, mas segurados ainda relatam longos períodos de espera para obter uma resposta sobre aposentadorias e benefícios por incapacidade. Há casos em que a análise já se aproxima de oito meses, enquanto outras pessoas enfrentam demora para conseguir perícia médica ou recebem decisões negativas mesmo alegando não ter condições de voltar ao trabalho.

Os relatos incluem trabalhadores que precisam buscar outras fontes de renda enquanto aguardam uma decisão, pessoas sem salário durante tratamento de saúde e segurados que passaram meses esperando pela perícia e ainda não receberam o resultado.

Motorista espera aposentadoria há cerca de oito meses

José Flávio Costa, de 58 anos, aguarda desde 24 de novembro de 2025 uma resposta ao pedido de aposentadoria apresentado ao INSS.

Enquanto o benefício não é analisado, ele continua trabalhando como motorista de aplicativo para pagar as despesas da casa e as parcelas do apartamento financiado.

José Flávio afirma que começou a trabalhar ainda na infância e passou 27 anos como motorista de ônibus. Atualmente, diz permanecer até 13 horas nas ruas em alguns dias para tentar atingir a renda necessária.

Depois de mais de cinco décadas de trabalho, ele afirma que esperava conseguir reduzir o ritmo e utilizar a aposentadoria para quitar o imóvel e ter melhores condições na velhice.

Segundo José, a alternativa enquanto não há uma resposta é continuar trabalhando até o limite físico.

Cozinheira está sem salário e sem benefício enquanto aguarda cirurgia

Erika Antônia Bonifácio, de 38 anos, trabalha como cozinheira em um resort de Ubatuba, no litoral de São Paulo, mas afirma estar impossibilitada de exercer a atividade devido a problemas na coluna.

Ela também aguarda há cerca de seis meses uma cirurgia pelo Sistema Único de Saúde e atualmente está sem receber salário e sem o benefício previdenciário.

Erika relata que os problemas físicos começaram aproximadamente cinco anos atrás. Em fevereiro de 2025, avaliou que já não conseguia continuar trabalhando.

Ela recebeu benefício por incapacidade temporária entre março e julho de 2025. Depois desse período, a continuidade do pagamento foi negada após uma perícia realizada pelo INSS.

O caso chegou à Justiça, que reconheceu a incapacidade para o trabalho. Com isso, o benefício voltou a ser pago e permaneceu ativo até maio de 2026.

Após uma nova avaliação feita em julho, o pagamento foi novamente encerrado.

Erika, que trabalha desde os 16 anos, afirma depender atualmente da renda do marido. O filho de 11 anos também ajuda nas tarefas domésticas que ela diz não conseguir realizar por causa das limitações físicas.

Segundo a cozinheira, o benefício é importante não apenas para manter a renda da família, mas também para possibilitar a continuidade do tratamento enquanto ela não consegue retornar ao trabalho.

Segurada esperou sete meses pela perícia e ainda não recebeu resultado

Outro caso é o de Maria Delene Oliveira, de 52 anos. Ela conta que começou a trabalhar aos 11 anos para ajudar a família e deixou o emprego formal como vendedora no ano passado devido a problemas nos joelhos, quadril, lombar e ombros.

Maria solicitou um benefício por incapacidade temporária em dezembro de 2025, mas afirma ter conseguido realizar a perícia médica somente cerca de sete meses depois.

Mesmo após passar pela avaliação, ela ainda aguarda a divulgação do resultado.

Enquanto isso, Maria faz trabalhos como costureira. Segundo ela, a atividade permite alternar períodos sentada e em pé e ajuda a pagar as despesas pessoais e manter o plano de saúde utilizado durante o tratamento.

Ela também relata preocupação com a forma como sua condição poderá ter sido interpretada durante a perícia. Maria teme que o fato de ter conseguido caminhar e permanecer em pé durante parte da avaliação seja considerado sinal de que possui condições para voltar ao trabalho.

Número de benefícios negados aumentou em 2026

Além da demora enfrentada por parte dos segurados, o número de requerimentos rejeitados pelo INSS registrou forte crescimento.

Em junho, o total de indeferimentos se aproximou de 1 milhão.

No acumulado de 2026, o volume de benefícios negados aumentou 70% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Entre os pedidos com maior número de negativas estão os relacionados à incapacidade laboral. Esse grupo inclui o auxílio por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença, o auxílio-acidente e a aposentadoria por incapacidade permanente.

Segurado pode recorrer administrativamente de decisão do INSS

O Ministério da Previdência Social informa que segurados que discordarem de uma decisão do INSS podem apresentar recurso administrativo sem custo.

A contestação é encaminhada ao Conselho de Recursos da Previdência Social e deve ser apresentada em até 30 dias após a decisão que será questionada.

Segundo o ministério, o recurso permite que uma decisão seja reavaliada quando o cidadão discordar da análise ou possuir novos elementos que possam ser considerados.

O procedimento pode ser iniciado pelo Meu INSS. O segurado deve acessar a plataforma com CPF e senha, procurar pela opção de solicitação de serviço, digitar “Recurso ordinário”, verificar a documentação necessária e seguir as orientações apresentadas pelo sistema.

Depois do envio, o andamento e a resposta podem ser acompanhados pela opção “Consultar pedidos”, disponível no aplicativo e no site do Meu INSS.

Alguns benefícios previdenciários dependem da realização de perícia médica tanto para a concessão inicial quanto para a continuidade dos pagamentos, o que faz com que o tempo de espera por avaliações e resultados tenha impacto direto sobre segurados que estão temporariamente afastados do trabalho.

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João Pedro Rafannelli

João Pedro Rafannelli acompanha os principais acontecimentos do Brasil, com foco em notícias, decisões, fatos relevantes e temas que impactam diretamente o dia a dia da população.