Uma missão oficial de fiscais da União Europeia desembarca no Brasil na próxima semana com o grande objetivo de verificar de perto se o país realmente cumpre todas as rígidas exigências sanitárias que foram adotadas pelo bloco europeu para a produção segura de alimentos de origem animal. O foco principal dessa importante auditoria internacional é fiscalizar o controle rigoroso sobre o uso de medicamentos antimicrobianos, como é o caso dos fortes antibióticos que são rotineiramente utilizados no tratamento de saúde e na prevenção de doenças dos animais que vivem nas grandes fazendas brasileiras.
As regras estabelecidas pela União Europeia para a compra internacional de carnes são extremamente rígidas e não permitem qualquer tipo de margem para erros ou deslizes dos criadores de gado. Esses medicamentos veterinários, por exemplo, não podem ser utilizados de forma alguma com a intenção de tentar estimular o crescimento artificial dos animais ou para tentar aumentar a produtividade das fazendas de forma acelerada e forçada. O uso desses remédios controlados deve acontecer apenas para curar doenças reais, garantindo que a carne consumida na Europa seja a mais natural, segura e limpa possível para as famílias.
Diante desse cenário de grande exigência, o Brasil precisa comprovar de maneira muito clara e transparente para os fiscais internacionais que todas essas normas de segurança sanitária são fielmente cumpridas todos os dias no campo. Além disso, os pecuaristas e as grandes empresas precisam provar que o país possui sistemas de registros eficientes, modernos e que são totalmente capazes de garantir a rastreabilidade completa de todo o processo de produção. Isso significa saber exatamente de onde aquele animal veio, o que ele comeu e quais remédios ele precisou tomar ao longo da sua vida na fazenda.
Por causa de algumas dúvidas passadas sobre a eficiência desse controle tão rigoroso, a União Europeia já retirou o Brasil da sua lista principal de países que são considerados totalmente aptos a atender a essas altas exigências do mercado internacional. Agora, essa nova auditoria vai servir para verificar na prática diária das fazendas se o país realmente controla o uso seguro desses medicamentos veterinários e se a indústria nacional consegue assegurar a rastreabilidade da produção sem apresentar nenhuma falha técnica. É um verdadeiro teste de confiança comercial entre os dois grandes blocos econômicos.
Essa rigorosa medida de fiscalização internacional preocupa profundamente todo o setor do agronegócio brasileiro porque os prazos estabelecidos estão ficando muito curtos e as possíveis punições comerciais são bastante severas. A partir do dia três de setembro, se as regras não forem aprovadas pelos fiscais, alguns produtos brasileiros muito importantes para a economia nacional podem ter as suas exportações para a União Europeia totalmente suspensas por tempo indeterminado. Esse bloqueio imediato causaria um grande prejuízo financeiro para as empresas exportadoras e poderia afetar negativamente milhares de empregos diretos que existem hoje nas fábricas e fazendas.
Entre os principais produtos nacionais que correm esse grande risco de sofrer uma proibição e um bloqueio definitivo nas movimentadas fronteiras europeias estão as famosas carnes bovinas e também a carne de frango, que são produtos muito vendidos para fora do país todos os meses. A extensa lista de produtos ameaçados pelas novas regras também inclui a exportação de mel de abelha, vários tipos de produtos derivados de equinos, tripas que são usadas na indústria alimentícia e diversos produtos vindos diretamente da aquicultura, como é o caso da criação comercial de peixes e frutos do mar.
Toda essa grande preocupação do mercado de exportação internacional acaba chegando de forma muito direta e com muita força ao produtivo estado do Paraná, atingindo de modo ainda mais pesado e preocupante toda a região Oeste do Estado. Essa extensa área geográfica é muito conhecida no país inteiro pelo seu trabalho forte na terra e pelas grandes e modernas indústrias de alimentos, sendo uma das regiões que mais envia produtos de alta qualidade para as prateleiras dos exigentes supermercados europeus, gerando assim muita riqueza, empregos fixos e um grande desenvolvimento para as cidades do interior paranaense.
Os números oficiais mostram que o estado do Paraná está sempre bem posicionado entre os maiores produtores e exportadores de proteína animal de todo o território nacional, e a região Oeste concentra uma parcela muito significativa de toda essa gigantesca produção estadual. Por causa desse grande volume diário de negócios e de dinheiro envolvido, qualquer tipo de restrição severa ou bloqueio oficial às exportações pode acabar afetando negativamente os pequenos produtores rurais, as grandes e tradicionais cooperativas agrícolas, os gigantescos frigoríficos e toda a complexa cadeia produtiva que está diretamente ligada ao exigente mercado consumidor europeu.
A grande e principal expectativa de todo o setor agropecuário brasileiro no momento atual é de que o resultado final dessa rigorosa auditoria internacional seja muito positivo e comprove de forma inquestionável a qualidade do nosso trabalho no campo. Os empresários rurais e o próprio governo federal esperam que os fiscais europeus fiquem totalmente satisfeitos com os dados e os números apresentados pelas empresas, permitindo assim ao Brasil evitar o tão temido bloqueio comercial das exportações e conseguir manter as portas escancaradas para continuar enviando os seus alimentos seguros para os países do continente europeu.
No caso muito específico das lucrativas vendas de carne bovina, no entanto, a situação de momento é considerada muito mais delicada, tensa e complexa pelos grandes especialistas do setor de exportação nacional. Os rigorosos compradores europeus ainda exigem receber garantias muito mais fortes e detalhadas do governo brasileiro de que as leis e regras sanitárias são realmente cumpridas à risca durante todo o longo ciclo de vida do animal na fazenda. Eles querem ter a certeza documental absoluta de que aquele boi foi criado de forma correta, ética e muito saudável desde o dia do seu nascimento.
Ou seja, o que está realmente em jogo de forma concreta neste momento decisivo é a capacidade total do Brasil de conseguir comprovar de forma limpa e transparente, por meio de muitos documentos oficiais e registros precisos, que o país segue fielmente todas as duras normas sanitárias exigidas pela União Europeia. Essa forte comprovação de segurança alimentar precisa cobrir todos os passos da cadeia, desde os primeiros dias de criação dos pequenos animais nas fazendas de todo o país até chegar à fase final da produção cuidadosa e da embalagem dos alimentos dentro das modernas indústrias frigoríficas.




