Uma infecção causada pela bactéria Vibrio vulnificus, popularmente chamada de “bactéria comedora de carne”, já provocou oito mortes nos Estados Unidos em 2026, segundo dados de autoridades de saúde.
A morte mais recente foi registrada no condado de Bay, no noroeste da Flórida. Ao todo, o estado contabiliza três mortes neste ano, enquanto a Louisiana já registrou outras cinco.
Quase 30 casos foram confirmados em estados da costa do Golfo, região onde a bactéria encontra condições favoráveis principalmente durante os meses mais quentes.
Infecção pode ocorrer após consumo de ostras cruas
A Vibrio vulnificus vive naturalmente em águas costeiras e sua presença aumenta entre maio e outubro, período em que a temperatura do mar fica mais elevada.
Uma das formas de contaminação é o consumo de ostras e outros frutos do mar crus ou mal cozidos.
A bactéria também pode infectar uma pessoa quando uma ferida aberta entra em contato com água salgada ou salobra contaminada.
Louisiana registra número acima da média
A Louisiana já confirmou nove casos em 2026. Normalmente, o estado registra uma média de sete casos e uma morte por ano relacionadas à infecção.
Segundo o Departamento de Saúde da Louisiana, todos os nove casos registrados neste ano estavam relacionados à exposição de feridas à água do mar.
As autoridades também informaram que todos os pacientes tinham condições de saúde preexistentes, fator que pode aumentar o risco de complicações graves.
Por que ela é chamada de “bactéria comedora de carne”
O termo é popular e não significa que a bactéria literalmente “coma” a carne.
Em alguns casos graves, a infecção pode causar morte rápida dos tecidos ao redor de uma ferida, condição conhecida como fasciíte necrosante.
Esse processo pode avançar rapidamente e, em situações extremas, exigir amputação.
A infecção também pode atingir a corrente sanguínea e provocar choque séptico, especialmente em pessoas mais vulneráveis.
Uma em cada cinco infecções pode terminar em morte
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades de saúde, aproximadamente uma em cada cinco pessoas com formas graves de vibriose pode morrer.
Os sintomas podem incluir vômitos, diarreia, febre, calafrios, aumento da frequência cardíaca e desorientação.
Quando a bactéria alcança a corrente sanguínea, podem surgir pressão arterial perigosamente baixa e lesões com bolhas na pele.
Em alguns casos, a evolução pode ser muito rápida e levar à morte em poucos dias.
Algumas pessoas têm risco maior de complicações
A maioria das pessoas saudáveis tende a apresentar quadros mais leves, mas determinados grupos possuem maior risco de desenvolver formas graves.
Entre eles estão pessoas com doença hepática, diabetes, câncer, HIV, doença renal ou sistema imunológico enfraquecido.
O risco também pode ser maior entre pessoas que utilizam medicamentos imunossupressores, remédios que reduzem a acidez do estômago ou que passaram recentemente por cirurgia gástrica.
Estados do Golfo concentram metade dos casos do país
Os Estados Unidos registram aproximadamente 150 a 200 infecções por Vibrio vulnificus por ano.
Cerca de metade ocorre nos estados da costa do Golfo, principalmente Flórida, Louisiana, Texas, Mississippi e Alabama.
A combinação entre águas costeiras quentes e maior contato de moradores e turistas com o mar durante o verão favorece a exposição.
2024 teve aumento expressivo após furacões
Em 2024, os Estados Unidos registraram um número excepcionalmente elevado de casos, com 82 infecções e 19 mortes.
Autoridades relacionaram parte desse aumento às enchentes provocadas pelos furacões Helene e Milton, que ampliaram o contato da população com águas potencialmente contaminadas.
Como reduzir o risco de contaminação
As autoridades de saúde recomendam evitar o consumo de ostras e outros frutos do mar crus, principalmente entre pessoas que pertencem aos grupos de maior risco.
Também é recomendado não entrar em água salgada ou salobra quente com cortes, feridas abertas ou lesões recentes na pele.
Pessoas imunocomprometidas são orientadas ainda a utilizar proteção adequada nos pés em praias para reduzir o risco de cortes provocados por pedras ou conchas.
A alta dos casos neste ano mantém a atenção das autoridades principalmente nos estados da costa do Golfo, onde as temperaturas elevadas da água favorecem a presença da bactéria.



