O retorno às aulas traz de volta um dilema antigo para as famílias brasileiras. Como montar uma lancheira que seja prática, mas que não comprometa a saúde e o aprendizado das crianças? A resposta vai muito além de apenas matar a fome no recreio.

Especialistas em nutrição infantil e órgãos de saúde alertam que o lanche escolar é uma peça fundamental no desenvolvimento cognitivo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a má alimentação na infância está diretamente ligada à dificuldade de concentração e ao cansaço precoce.

No Brasil, a nutricionista Louise de Oliveira Rodrigues, em entrevista à revista Pais&Filhos, reforça que o segredo está no equilíbrio. Para ela, uma lancheira eficiente precisa combinar carboidratos, proteínas e fibras. Essa tríade garante energia constante e saciedade prolongada.

O impacto dos ultraprocessados na sala de aula

É comum ver lancheiras repletas de sucos de caixa, bolinhos industrializados e biscoitos recheados. Mas o preço dessa conveniência é alto. Esses produtos, classificados como ultraprocessados, provocam picos de glicose no sangue, seguidos de uma queda brusca.

O resultado prático é a criança agitada nos primeiros minutos e sonolenta logo depois. A Anvisa e o Ministério da Saúde recomendam que a base da alimentação infantil seja composta por alimentos in natura ou minimamente processados.

Substituir o refrigerante por água de coco ou suco natural sem açúcar não é apenas uma escolha estética. É uma medida de segurança para evitar doenças crônicas precoces, como a obesidade infantil e o diabetes tipo 2.

Dez combinações que funcionam na rotina real

A nutricionista Louise Rodrigues sugere opções que podem ser preparadas com antecedência. Entre os destaques estão o sanduíche natural com pão integral e o iogurte natural com frutas e aveia. Essas escolhas fornecem as vitaminas e minerais necessários para a imunidade.

Outras alternativas viáveis incluem o milho verde cozido, sticks de queijo e o bolo caseiro de banana ou cenoura. Note que o foco aqui é a comida de verdade, aquela que não vem em embalagens coloridas cheias de conservantes.

O uso da tapioca com queijo branco ou da panqueca de aveia também aparece como solução para variar o cardápio. O objetivo é evitar a monotonia alimentar, que muitas vezes leva a criança a desejar os produtos industrializados dos colegas.

A armadilha do doce diário

Um erro frequente é tratar o doce como um item obrigatório da merenda. A recomendação técnica é clara: o açúcar deve ser uma exceção, não a regra. Oferecer guloseimas todos os dias cria um hábito difícil de quebrar no futuro.

Reservar os doces para momentos festivos ajuda a criança a entender a diferença entre nutrição e indulgência. É uma educação de paladar que começa cedo e reflete na vida adulta.

Planejamento é a chave para a saúde

Para as famílias, o maior obstáculo é o tempo. Mas a falta de planejamento é o que abre as portas para os salgadinhos de pacote. Deixar frutas higienizadas e bolinhos caseiros congelados facilita a rotina matinal.

Investir na qualidade do que vai na lancheira é investir no boletim escolar. Afinal, um cérebro bem nutrido aprende mais rápido, memoriza melhor e mantém o foco necessário para os desafios pedagógicos.

A mudança não precisa ser radical, mas deve ser constante. Pequenas trocas, como trocar o pão branco pelo integral, já fazem uma diferença enorme na absorção de nutrientes e na saúde intestinal dos pequenos.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.