O consumidor brasileiro, que enfrentou altas expressivas no preço do café nos últimos dois anos, finalmente deve receber um alívio no bolso. De acordo com a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, a projeção de uma safra recorde no Brasil em 2026, aliada ao aumento da produção em países como Vietnã, Indonésia e Colômbia, deve forçar a queda dos preços no atacado.

O impacto da safra recorde no bolso

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a colheita brasileira atinja 66,2 milhões de sacas, um salto de 17,1% em relação ao ciclo anterior. Esse volume supera o recorde histórico de 2020. Mas o repasse ao consumidor não será imediato. A SPE alerta que a redução nas prateleiras deve ocorrer de forma gradual, com maior visibilidade a partir do segundo semestre de 2026.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso, explica que o mercado está mais previsível após um período crítico de quebras de safra e estoques baixos. Segundo a Abic, o faturamento da indústria cresceu 25,6% em 2025 devido aos preços altos, o que acabou retraindo o consumo interno em 2,31%. Agora, o foco é a estabilização.

Por que o preço demora a cair?

Embora a oferta esteja subindo, existem barreiras para uma queda brusca. A Secretaria de Política Econômica monitora os custos de produção, especialmente os fertilizantes, que voltaram a subir no início deste ano. Além disso, a magnitude do desconto final dependerá da variação do câmbio e do ritmo das exportações, que continuam atrativas para os produtores.

Mesmo com esses desafios, a SPE não descarta a possibilidade de deflação no item café ao longo de 2026. Isso significa que, se as condições climáticas e o dólar colaborarem, o café pode se tornar um dos principais responsáveis pela queda da inflação de alimentos no IPCA.

A ciência do café e a saúde

Para além da economia, o consumo consciente ganha destaque. O neurocientista Dr. Andrew Huberman, da Universidade de Stanford, reforça em seus estudos que o café é um potente aliado do foco e da memória. No entanto, ele recomenda que a primeira xícara seja ingerida apenas 90 minutos após acordar.

Essa estratégia biológica, segundo o Dr. Huberman, evita o famoso “crash” de energia no meio da tarde, permitindo que a adenosina (molécula do cansaço) seja processada naturalmente pelo organismo antes da cafeína bloquear seus receptores. Com o preço em queda, o brasileiro poderá manter seu hábito com mais saúde e menos peso no orçamento.

Perspectivas para o agronegócio

A alta produtividade, estimada em 34,2 sacas por hectare, deve impulsionar o PIB agropecuário, que tem previsão de crescimento de 0,5% em 2026. O setor cafeeiro será um dos pilares desse avanço, especialmente em estados como Minas Gerais e Espírito Santo, que lideram a produção nacional de arábica e conilon.

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Jornalista com registro profissional (MT) e fundador do portal Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui uma trajetória sólida como produtor de eventos desde 1998 e desenvolvedor web desde 2007, com especialização em WordPress e estratégia de conteúdo digital. É o Diretor-Geral da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, onde lidera a produção de notícias factuais que já alcançaram mais de 10 milhões de leitores em todo o Brasil.