As queixas de consumidores paranaenses contra a Copel registraram uma alta significativa desde que a companhia deixou de ser estatal em agosto de 2023. Dados da plataforma Consumidor.gov indicam que as reclamações por interrupção no fornecimento de luz dispararam 55,8% entre os anos de 2024 e 2025.

Apuramos que, logo nos primeiros meses após a privatização, o volume de problemas relatados já apresentava tendência de alta. Entre agosto e dezembro de 2023, o salto nas queixas foi de 153%, subindo de 15 para 38 registros mensais no período.

Nossa equipe verificou que, em 2024, o total de reclamações por falta de energia somou 199 ocorrências. No entanto, em 2025, esse número saltou para 310 registros. Curitiba lidera as estatísticas com 118 reclamações acumuladas em pouco mais de dois anos.

Queda no índice de solução e crise no atendimento

Enquanto o número de problemas aumenta, a capacidade da empresa em resolver as falhas parece diminuir. O percentual médio de solução, que era de 78,66% em 2023, caiu para 77,42% no decorrer de 2025.

O volume geral de queixas contra a companhia também explodiu nos últimos anos. Em 2023, foram 1.523 reclamações totais. Esse número subiu para 1.605 em 2024 e atingiu a marca de 3.703 registros em 2025.

Apesar das interrupções serem o foco das críticas recentes, o maior motivo de insatisfação ainda é financeiro. Cerca de 18,88% das reclamações são motivadas por cobranças irregulares ou defeitos na medição do consumo nas residências.

Impacto do clima e resposta da companhia

O período mais crítico para os consumidores foi o último trimestre do ano passado. Somente em dezembro de 2025, foram 68 reclamações registradas, coincidindo com a época de fortes tempestades e vendavais que atingiram o estado.

A Copel informou que o Paraná enfrentou uma média de 20 grandes temporais por ano no último triênio. Esse número é superior aos 12 eventos severos registrados entre 2020 e 2022. Os ventos acima de 50 km/h foram 35% mais frequentes em 2025.

Em nota enviada à imprensa, a empresa afirmou que as queixas sobre interrupção representam apenas 8% do total, índice que considera dentro da média nacional. A companhia também destacou que o prazo médio de resposta caiu para cerca de cinco dias.

Movimentos pedem a volta do controle estatal

A insatisfação popular gerou a criação do movimento “É Nossa Energia”. O grupo organiza um abaixo-assinado com o objetivo de atingir 90 mil assinaturas até março de 2026 para pedir a reestatização da companhia.

Os manifestantes defendem que a energia deveria ser mais barata e que os lucros precisariam ser reinvestidos em melhorias no atendimento. O grupo também critica o que chama de “apagões constantes” em diversas regiões do estado.

Para tentar reverter o cenário de críticas, a Copel anunciou a execução de um plano de investimentos. A promessa é injetar R$ 1,9 bilhão no sistema de distribuição em 2026, incluindo a entrega de 19 novas subestações de energia.

Nossa equipe continuará acompanhando os desdobramentos e a qualidade do serviço prestado aos paranaenses. O espaço segue aberto para que consumidores relatem suas experiências com o fornecimento em suas regiões.

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