A Polícia Federal abriu nesta quarta-feira (19) um inquérito para investigar a filiação fraudulenta do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ao partido Missão, legenda comandada por Renan Santos, também candidato ao Palácio do Planalto.
A investigação busca descobrir quem realizou a alteração nos registros partidários e qual teria sido a motivação para inserir Flávio como integrante de uma sigla adversária.
A apuração foi instaurada por determinação do Tribunal Superior Eleitoral. A Polícia Federal também solicitou acesso integral aos registros do sistema FILIA, utilizado pela Justiça Eleitoral para armazenar informações sobre filiações partidárias.
Campanha percebeu mudança no sistema do TSE
A irregularidade veio à tona em 13 de agosto, quando a equipe de Flávio Bolsonaro identificou que o senador aparecia no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão.
Os dados disponíveis naquele momento indicavam ainda que Flávio teria deixado o PL no dia anterior, 12 de agosto.
A situação chamou atenção porque o Missão é presidido por Renan Santos, adversário de Flávio na disputa pela Presidência da República em 2026.
Inicialmente, integrantes da campanha levantaram a possibilidade de que a alteração tivesse sido provocada por algum tipo de ataque aos sistemas do TSE, do PL ou do próprio Missão.
TSE descartou invasão aos próprios sistemas
O Tribunal Superior Eleitoral negou que tivesse ocorrido invasão cibernética aos seus sistemas.
Posteriormente, o próprio partido Missão confirmou que o registro existente em sua estrutura interna era resultado de uma filiação fraudulenta.
A legenda afirmou que detectou a irregularidade no mesmo dia e tentou cancelar o cadastro, mas não conseguiu concluir o procedimento pelo sistema eleitoral.
O partido também declarou ter comunicado o gabinete de Flávio Bolsonaro sobre a situação e informou que o episódio havia sido encaminhado às autoridades policiais.
Flávio teve filiação ao PL restabelecida
Depois da identificação do problema, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, determinou o restabelecimento da filiação partidária de Flávio Bolsonaro ao PL.
Com isso, o registro que apontava o candidato como integrante do Missão deixou de produzir efeitos sobre sua situação partidária.
Flávio segue ligado ao PL e disputa a Presidência da República pela legenda nas eleições de 2026.
Investigação tenta descobrir quem alterou os dados
Agora, uma das principais frentes do inquérito da Polícia Federal será rastrear a origem da operação que resultou na inclusão irregular do nome de Flávio Bolsonaro nos registros do Missão.
As apurações preliminares mencionadas no caso indicam a possibilidade de que as ferramentas responsáveis pelo cadastro tenham sido utilizadas de maneira indevida por alguém que possuía credenciais legítimas de acesso partidário.
A investigação deverá analisar os registros do sistema para verificar quando as alterações foram realizadas, quais acessos foram utilizados e quem pode ter participado da operação.
Além de identificar os responsáveis, a Polícia Federal deverá buscar esclarecer por que a filiação fraudulenta foi realizada e se outras pessoas tiveram participação no episódio.




