O que começou como uma tentativa de desacelerar uma rotina profissional desgastante acabou transformando completamente a vida de Candice Miller. Depois de começar a trabalhar como voluntária em um abrigo de animais nos Estados Unidos, ela passou a receber cães abandonados dentro da própria casa e já ajudou mais de 100 animais durante o processo de busca por novas famílias.
Há cerca de seis anos, Candice trabalhava em tempo integral com gerenciamento de varejo da L’Oréal, vivia na Califórnia e viajava com frequência pelo país. Ao mesmo tempo, cuidava de dois filhos adolescentes e começou a sentir dificuldades para conciliar tantas responsabilidades.
Cansada e enfrentando um período de ansiedade, decidiu reduzir o ritmo profissional. Foi nesse momento que começou a fazer trabalho voluntário em um abrigo próximo de sua casa.
A experiência que inicialmente seria apenas uma atividade paralela acabou mudando sua rotina de maneira definitiva.
Contato com os cães mudou a forma como Candice enxergava a própria rotina
No abrigo, uma das tarefas de Candice era levar os cães para passear.
Ela percebeu que muitos animais permaneciam durante grande parte do dia dentro das baias e dependiam da presença dos voluntários para conseguir sair, caminhar e ter contato com outras pessoas.
Depois de anos trabalhando em ritmo intenso e viajando constantemente, Candice encontrou nesses momentos uma maneira de desacelerar e prestar mais atenção às pequenas atividades do cotidiano.
Com o passar do tempo, o voluntariado deixou de ser ocasional e passou a ocupar uma parte importante de sua vida.
Mais de 100 cães já passaram pela casa da família
Depois de aproximadamente dois anos atuando no abrigo, Candice começou a enfrentar uma situação que a incomodava profundamente.
Ela criava vínculos com os animais e, de repente, alguns deixavam o local. Parte deles conseguia adoção, mas, segundo seu relato, outros acabavam sacrificados quando uma família não era encontrada.
A situação fez com que ela desse um novo passo e começasse a levar alguns desses cães para casa.
Candice passou então a atuar como lar temporário, oferecendo um ambiente doméstico para os animais enquanto eles aguardavam uma adoção definitiva.
Desde então, mais de 100 cães passaram pela residência.
Nem todos foram embora. Ao longo da trajetória, Candice adotou três animais que inicialmente deveriam permanecer apenas temporariamente com a família. Eles se juntaram a outros cães que já viviam na casa.
Pit bull salvo no último momento virou cuidador de filhotes
Entre os animais que marcaram a história está Kilo, um pit bull que estava na lista de cães que seriam sacrificados.
No último dia em que ainda poderia ser retirado do abrigo, nenhum interessado havia aparecido para adotá-lo. Candice decidiu buscá-lo e levá-lo para casa.
Depois do resgate, Kilo acabou assumindo um comportamento que chamou a atenção da família. Ele passou a permanecer próximo dos novos cães que chegavam ao lar temporário, especialmente dos filhotes.
Um dos episódios ocorreu com Penny, uma cadelinha que tinha apenas três dias de vida. A maior parte dos irmãos dela havia morrido e Candice enfrentava dificuldades para fazer com que a filhote aceitasse a mamadeira.
Em uma tentativa de ajudá-la, Candice colocou a mamadeira sobre a barriga de Kilo para mantê-la aquecida. A estratégia funcionou e Penny começou a beber o leite.
A convivência entre os cães passou a fazer parte da rotina do trabalho de acolhimento.
Família deixou a Califórnia e encontrou mais espaço no Oregon
Com cinco cães vivendo permanentemente na residência e outros animais chegando continuamente para períodos temporários, o espaço começou a ficar pequeno.
Encontrar uma propriedade maior na Califórnia era difícil, mas uma mudança profissional do marido de Candice abriu uma nova possibilidade.
Após ele receber uma promoção, a família se mudou para o estado do Oregon, nos Estados Unidos, e passou a viver em uma propriedade com aproximadamente 12 acres de área.
O novo local permitiu ampliar o número de animais acolhidos.
A casa passou a contar com um cômodo destinado especialmente aos cães que aguardam adoção. A família também começou a construir pequenas estruturas externas para aumentar a capacidade de acolhimento.
Redes sociais viraram ferramenta para conseguir adoções
Além de cuidar dos animais dentro de casa, Candice começou a registrar a rotina dos cães nas redes sociais.
O perfil @RoofusAndKilo, no Instagram, passou a mostrar os animais acolhidos, contar suas histórias e acompanhar o processo até que novas famílias fossem encontradas.
A conta cresceu e alcançou centenas de milhares de seguidores.
Em vez de utilizar a audiência apenas para publicar fotos e vídeos dos cães, Candice transformou o perfil em uma ferramenta para aumentar a visibilidade dos animais disponíveis para adoção.
Ela também trabalha em parceria com o Northwest Dog Project, organização localizada em Eugene, no Oregon, que atua no resgate e encaminhamento de cães para novos lares.
Mudança que começou para reduzir o ritmo virou uma nova missão
A transformação não ocorreu apenas na vida dos cães acolhidos.
Candice também mudou completamente a própria rotina. O trabalho voluntário, iniciado durante um período em que buscava reduzir o ritmo profissional, tornou-se uma atividade central em sua vida.
Hoje, grande parte de seus dias é dedicada aos cuidados dos animais, à adaptação dos cães temporários e à procura por famílias dispostas a adotá-los.
As redes sociais ampliaram o alcance desse trabalho, mas, segundo Candice, o número de seguidores nunca foi o objetivo principal.
Cada novo cão que entra em sua casa representa mais uma tentativa de oferecer ao animal tempo, cuidado e visibilidade suficientes até que uma família definitiva apareça.




