Injeção semestral contra HIV começa a ser oferecida na Inglaterra enquanto Brasil segue sem acesso ao medicamento

Uma injeção de longa duração usada contra o HIV começará a ser oferecida pelo sistema público de saúde da Inglaterra, enquanto países como Brasil, México e Peru continuam sem acesso ao medicamento em condições consideradas financeiramente viáveis.

O remédio é o lenacapavir, medicamento de ação prolongada que pode ser utilizado em determinados tratamentos contra o HIV e também na prevenção de novas infecções. Uma de suas principais características é a possibilidade de aplicação por injeção apenas duas vezes por ano.

Na Inglaterra, o Serviço Nacional de Saúde, o NHS England, deverá disponibilizar o medicamento inicialmente para centenas de pessoas que vivem com HIV e apresentam resistência a vários outros tratamentos.

Medicamento é opção para casos de HIV resistentes a outros tratamentos

O lenacapavir possui uma forma de utilização voltada a pessoas com HIV multirresistente, situação em que diferentes medicamentos utilizados anteriormente deixam de controlar adequadamente o vírus.

Nesses casos, o remédio pode ser incorporado a um esquema terapêutico definido pela equipe médica para tentar recuperar o controle da infecção.

A chegada ao sistema público inglês amplia as opções para pacientes que possuem poucas alternativas por causa da resistência desenvolvida pelo vírus a diferentes classes de medicamentos.

Injeção também pode ser usada para prevenir novas infecções

Além da utilização no tratamento de determinadas pessoas que já vivem com HIV, o lenacapavir também pode ser empregado na prevenção da infecção.

A aplicação semestral permite que a pessoa fique meses sem precisar tomar diariamente comprimidos destinados à prevenção.

Essa característica é considerada especialmente importante para pessoas que encontram dificuldades para manter o uso diário de medicamentos.

Como funciona a aplicação: o lenacapavir de longa duração pode ser administrado por injeção a cada seis meses, dependendo da indicação e do esquema utilizado.

Tratamento semestral pode ajudar quem tem dificuldade com comprimidos diários

O uso de medicamentos diariamente funciona bem para muitas pessoas, mas nem todos conseguem manter esse esquema de maneira contínua.

Entre as barreiras citadas estão estigma relacionado ao HIV, discriminação, criminalização, dificuldades financeiras e isolamento geográfico.

Uma pessoa que mora longe de unidades de saúde ou que enfrenta problemas para armazenar e tomar medicamentos diariamente, por exemplo, pode encontrar vantagens em uma alternativa de longa duração.

A redução da frequência das doses também pode diminuir situações em que o uso diário do medicamento expõe uma pessoa ao risco de revelar sua condição ou sua estratégia de prevenção a terceiros.

Brasil ainda enfrenta barreira de acesso

Enquanto o NHS prepara a oferta do medicamento na Inglaterra, Brasil, México e Peru são citados entre os países que ainda não possuem acesso ao lenacapavir por um preço considerado compatível com suas necessidades.

O contraste chama atenção porque países da América Latina concentram populações que poderiam se beneficiar tanto da utilização do medicamento em determinados tratamentos quanto das estratégias de prevenção de longa duração.

A disponibilidade de uma tecnologia médica, porém, depende de fatores como aprovação regulatória, negociação de preços, contratos de fornecimento e decisões dos sistemas nacionais de saúde sobre eventual incorporação.

No caso brasileiro, a informação apresentada é de que o país continua sem acesso ao medicamento nas condições de preço consideradas necessárias. O texto não informa uma data para eventual disponibilização ampla do lenacapavir no país.

Injeção não substitui automaticamente todos os tratamentos contra HIV

Apesar da possibilidade de aplicação apenas duas vezes por ano, o lenacapavir não deve ser entendido como uma substituição automática de todos os tratamentos já utilizados contra o HIV.

A forma de utilização depende do objetivo, seja tratamento ou prevenção, e da situação clínica de cada pessoa.

Para pacientes com HIV resistente a múltiplos medicamentos, a definição do esquema terapêutico precisa ser feita por profissionais de saúde. Na prevenção, a indicação também depende das regras e protocolos adotados pelas autoridades sanitárias de cada país.

A chegada da tecnologia ao sistema público inglês reforça, ao mesmo tempo, o avanço das opções de longa duração contra o HIV e a diferença de acesso que ainda existe entre países capazes de incorporar rapidamente novos medicamentos e aqueles que continuam negociando condições para disponibilizá-los à população.

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Gabriel Augusto Lemos

Gabriel Augusto Lemos acompanha acontecimentos internacionais, curiosidades e temas que ganham repercussão fora do Brasil, com foco em fatos relevantes e assuntos que ajudam a entender melhor o que acontece pelo mundo.