Moçambique já contabiliza 2.595 casos de sarampo e quatro mortes desde o início do atual surto, declarado em 29 de julho de 2025. Os dados mais recentes, atualizados até 18 de agosto, mostram uma forte expansão da doença nos últimos meses.
Segundo o Resumo Epidemiológico do Sarampo, elaborado pela Direção Nacional de Saúde Pública, 317 pessoas precisaram ser internadas desde o início do surto. Desse total, 291 receberam alta e 23 permaneciam hospitalizadas no levantamento mais recente.
As autoridades registraram ainda 30 casos recentes distribuídos por quatro províncias. A Zambézia confirmou 14, Nampula oito, Sofala cinco e Tete três.
Nampula concentra mais de mil casos e todas as mortes registradas
Nampula, no norte do país, tornou-se a região mais afetada pelo surto, com 1.137 casos acumulados.
A província também concentra os quatro óbitos associados à doença até o momento.
Sofala aparece em seguida, com 585 casos, enquanto a Zambézia contabiliza 395. Tete soma 195 registros e Niassa, 187.
Número de casos cresceu rapidamente desde março
O avanço da doença fica mais evidente quando os dados atuais são comparados com o balanço divulgado no início de março.
Até 8 de março, Moçambique havia registrado 697 casos e uma morte durante aproximadamente sete meses de surto.
Naquele momento, Sofala liderava o número de infecções, com 238 casos, seguida por Nampula, com 195, Niassa, com 115, e Zambézia, com 102.
Desde então, foram contabilizadas mais 1.898 infecções em pouco mais de cinco meses, levando o total nacional para 2.595 casos.
A taxa de letalidade global informada pela Direção Nacional de Saúde Pública é de aproximadamente 0,2%.
O que é o sarampo e como a doença se espalha
O sarampo é uma doença viral aguda e altamente contagiosa. Segundo as autoridades de saúde moçambicanas, os quadros podem ser especialmente graves em crianças menores de cinco anos.
A transmissão ocorre principalmente pelo ar e por secreções respiratórias liberadas quando uma pessoa infectada tosse, espirra, fala ou respira.
O vírus pode se espalhar rapidamente em locais fechados ou com muitas pessoas, especialmente quando há baixa cobertura vacinal.
Por ser altamente transmissível, uma única pessoa infectada pode provocar diversos novos casos entre pessoas sem proteção contra a doença.
Febre e manchas na pele estão entre os principais sintomas
As autoridades orientam a população a procurar atendimento médico rapidamente diante de sinais compatíveis com sarampo.
Entre os principais sintomas estão febre, erupções ou manchas avermelhadas na pele, tosse, coriza e conjuntivite.
Em alguns pacientes, principalmente crianças pequenas e pessoas mais vulneráveis, a infecção pode provocar complicações e exigir internação hospitalar.
A presença de sintomas associados a um possível contato com uma pessoa infectada deve ser informada à unidade de saúde para que sejam adotadas as medidas necessárias de avaliação e controle da transmissão.
Vacinação é principal forma de prevenção
A vacinação é a principal medida utilizada para prevenir o sarampo e reduzir o risco de surtos.
O atual avanço da doença ocorre aproximadamente dois anos após uma campanha de vacinação contra sarampo e rubéola realizada entre 31 de julho e 4 de agosto de 2023.
A campanha foi direcionada a crianças de nove a 59 meses em distritos das províncias de Manica, Sofala, Tete e Zambézia, além de nove distritos de Niassa.
Além da vacinação, a identificação rápida dos casos, o acompanhamento de pessoas que tiveram contato com pacientes infectados e as ações de vigilância epidemiológica são importantes para interromper novas cadeias de transmissão.
Com o crescimento expressivo dos registros desde março, as autoridades de saúde continuam acompanhando a evolução do surto e reforçando a orientação para que pessoas com sintomas procurem atendimento o mais rápido possível.




