Mais de 2,6 mil entidades empresariais cobram reação urgente do STF e pedem análise pública da crise no plenário

Foto: Gustavo Moreno/STF

Mais de 2,6 mil entidades empresariais assinaram um manifesto divulgado nesta quarta-feira (9) cobrando uma resposta urgente do Supremo Tribunal Federal diante da crise envolvendo a Corte e os recentes desdobramentos relacionados à Polícia Federal.

O documento, chamado “Manifesto à Nação Brasileira”, foi publicado em jornais como O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo e reúne organizações lideradas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp.

As entidades defendem que o plenário do STF examine publicamente os fatos e tome uma decisão com urgência, sem adiamentos ou proteção corporativa.

Segundo o texto, a resposta aguardada pela sociedade não comportaria demora diante da gravidade do momento institucional.

Grandes entidades empresariais assinam documento

Entre as organizações que aderiram ao manifesto estão algumas das principais entidades representativas do comércio, da indústria e do setor empresarial brasileiro.

Participam do documento a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, a Confederação Nacional do Comércio, a Confederação Nacional da Indústria, a Fiesp, a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e a FecomercioSP.

O movimento reforça a pressão para que a crise seja analisada de maneira colegiada pelo Supremo, com discussão aberta no plenário da Corte.

Outro manifesto pede afastamento de suspeitos e código de conduta

O jornal O Estado de S. Paulo também publicou um segundo documento, intitulado “Pela Lei e pelo Brasil”, assinado por 157 empresários, executivos, economistas, cientistas e outras personalidades.

Esse grupo defende o afastamento de pessoas sob suspeita, maior rapidez no esclarecimento dos fatos e a adoção de um código de conduta para ministros do STF.

Entre os signatários estão Armínio Fraga, Elena Landau, Gustavo Franco, Mailson da Nóbrega, Luciano Huck, Luiza Trajano e Mayana Zatz.

Empresários e juristas preparam novo documento

Uma reunião virtual prevista para esta quarta-feira deve reunir empresários, executivos do mercado financeiro e juristas para a elaboração de outro manifesto.

A proposta é defender as instituições e, ao mesmo tempo, discutir mudanças para o aperfeiçoamento do Poder Judiciário.

Entre os participantes previstos estão os juristas Miguel Reale Júnior e José Eduardo Cardozo, além de lideranças empresariais como Pedro Passos, da Natura, e Josué Gomes, da Coteminas.

Ministros aposentados também cobram sessão pública

A pressão sobre o Supremo também partiu de ex-integrantes da própria Corte.

Treze ministros aposentados do STF enviaram uma carta ao presidente do tribunal, Edson Fachin, pedindo a realização de uma sessão plenária pública e urgente para tratar da crise.

No documento, os ex-ministros classificaram o momento como a crise mais aguda já enfrentada pela instituição.

À TV Globo, o ministro aposentado Carlos Velloso afirmou acreditar que Fachin levará o caso para análise do plenário.

Crise também provoca reação dos candidatos à Presidência

Os acontecimentos recentes também entraram no centro da campanha presidencial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, não havia comentado publicamente o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal.

Depois da decisão do ministro André Mendonça, Lula se reuniu com o ministro da Justiça, Wellington César Lima, e com o advogado-geral da União, Jorge Messias, para discutir a reação do governo.

Flávio Bolsonaro, candidato do PL, elogiou a decisão de André Mendonça e fez críticas ao diretor-geral afastado da PF, Andrei Rodrigues, e ao ministro Alexandre de Moraes.

Ronaldo Caiado, do PSD, classificou a decisão de Mendonça como acertada diante das suspeitas envolvendo um possível monitoramento ilegal realizado pela Polícia Federal.

Romeu Zema, do Novo, também comemorou o afastamento do diretor-geral da corporação.

Renan Santos, do Missão, celebrou a decisão, mas aproveitou o episódio para fazer críticas tanto a bolsonaristas quanto a lulistas.

Augusto Cury, candidato do Avante, lamentou os acontecimentos recentes envolvendo ministros do Supremo e apresentou uma proposta para reduzir influências políticas sobre o trabalho da Polícia Federal.

Pressão aumenta por uma resposta institucional

A publicação simultânea de manifestos empresariais, a mobilização de juristas e a manifestação de ministros aposentados ampliam a pressão para que o STF trate a crise em sessão plenária.

As entidades defendem que a análise seja pública e rápida, enquanto diferentes grupos também cobram medidas para aumentar a transparência, acelerar a apuração dos fatos e estabelecer regras de conduta dentro da Corte.

Avatar photo

João Pedro Rafannelli

João Pedro Rafannelli acompanha os principais acontecimentos do Brasil, com foco em notícias, decisões, fatos relevantes e temas que impactam diretamente o dia a dia da população.