Figurino é protagonista em performance inovadora na Mostra Fringe do Festival de Curitiba

A Mostra Fringe do Festival de Curitiba recebe a performance “Hiperfabulária Tropical”, solo da artista da dança Carmen Jorge. Neste ano, o espetáculo ganha um cenário inusitado: o ateliê do estilista Luan Valloto, transformando a moda em parte essencial da dramaturgia.

O figurino, assinado por Luan Valloto, deixa de ser um mero adorno e assume o papel central na condução da narrativa. A colaboração entre artista e estilista resultou em peças que dialogam diretamente com o corpo e a proposta da performance, explorando a conexão entre moda, dança e arte contemporânea.

Essa apresentação, que acontece nos dias 7 e 8 de abril no Ateliê Luan Valloto, promete uma experiência imersiva. O próprio estilista abre as portas de seu espaço criativo, convidando o público a adentrar um ambiente onde a moda se funde com a performance cênica. As informações são do próprio festival.

“Hiperfabulária Tropical”: Corpo, Palavra e Política em Cena

“Hiperfabulária Tropical” não é uma estreia no Fringe. Anteriormente, a obra foi apresentada na Casa Hoffmann, um centro de referência em dança contemporânea, local onde Carmen Jorge aprofundou sua pesquisa corporal. A performance tensiona a relação entre corpo, palavra e política, propondo uma experiência sensorial denominada “corpocaos”.

Inspirada no experimentalismo de José Agrippino de Paula e Maria Esther Stockler, a montagem dialoga com o romance “PanAmérica” (1967), um marco do experimentalismo brasileiro associado à Tropicália. A cena questiona mitos culturais e estruturas de poder vigentes.

Figurino como Dispositivo de Linguagem e Expressão

No universo de “Hiperfabulária Tropical”, a roupa não apenas acompanha o corpo, mas participa ativamente dele. O estilista Luan Valloto desenvolveu as peças em profunda conexão com Carmen Jorge, baseando-se na autoimagem descrita pela artista: uma figura que transita entre a boneca plástica e o androide tropicalista.

Para concretizar essa visão, Valloto utilizou materiais como plásticos, transparências e formas tridimensionais, que realçam o corpo e suas marcas. A ideia é que o figurino se torne uma extensão da própria pele e da identidade da performer.

Entre o Tropicalismo, o Futuro e a Cultura Pop

A construção visual da performance mescla referências da Tropicália com uma estética futurista e elementos da cultura pop. Luan Valloto explica que as silhuetas e os materiais escolhidos também dialogam com tendências atuais da moda, criando um figurino que evoca o passado e projeta o futuro.

“A questão do tropicalismo e da cultura pop fazia muito sentido para a gente, mas em uma vertente mais futurista, quase robótica”, comenta o estilista. As peças foram concebidas para acompanhar a técnica de popping utilizada por Carmen Jorge, que exige roupas funcionais e resistentes.

As transparências e sobreposições buscam revelar o corpo e as tatuagens da artista, reforçando a ideia do figurino como uma segunda pele. Essa abordagem visual contribui para a complexidade da performance, que explora a dualidade entre o orgânico e o artificial.

O Ateliê como Cenário e Gesto Político

A escolha do ateliê como espaço para a apresentação foi uma percepção de Carmen Jorge durante uma visita ao local. Ela notou que o ambiente traduzia visualmente o universo da performance, levando Luan Valloto a pensar em como adaptar o espetáculo para ali.

“Ela olhou o espaço e falou: ‘é isso que eu queria de fundo’. A partir daí começamos a pensar como fazer a apresentação ali”, relembra Valloto. O estilista, acostumado a eventos de moda, considera esta a primeira vez que seu estúdio abrigará uma performance de dança e teatro, demonstrando a versatilidade do espaço.

A apresentação no ateliê visa aproximar públicos distintos, unindo amantes da dança, teatro e moda. “O ateliê e o figurino têm plasticidades, cores e transparências muito semelhantes. Vai ser uma oportunidade diferente para quem gosta de dança, teatro e moda acompanhar tudo isso junto”, afirma Valloto.

Serviço: Hiperfabulária Tropical na Mostra Fringe

A performance “Hiperfabulária Tropical” integra a Mostra Fringe do 34º Festival de Curitiba. As apresentações ocorrem nos dias 7 de abril (gratuito) e 8 de abril (a partir de R$ 15), sempre às 17 horas, no Ateliê Luan Valloto, localizado na Rua Comendador Macedo, 360, no Centro de Curitiba.

A classificação indicativa é para maiores de 16 anos, e a duração do espetáculo é de 35 minutos, com lotação para 30 pessoas. O 34º Festival de Curitiba acontece de 30 de março a 12 de abril de 2026, com ingressos variando de R$ 0 a R$ 85. Mais informações e compra de ingressos podem ser encontradas no site do festival e na bilheteria física no Shopping Mueller.

Fonte: Festival de Curitiba

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Diretor de Estratégia de Conteúdo e responsável pela Redação CEF no portal Catanduvas em Foco. Com uma forte presença digital e mais de 5 mil seguidores em suas redes sociais, Lesk lidera a curadoria de notícias e tendências do grupo Estúdio Mídia Publicidades LTDA. Sob sua coordenação, a redação já produziu mais de 4 mil publicações focadas em agilidade e utilidade pública, alcançando a marca histórica de 10 milhões de acessos no portal.