Morre Arlete Caramês, símbolo na busca por desaparecidos após sumiço do filho em 1991
Arlete Caramês, mãe que dedicou mais de três décadas à busca por seu filho desaparecido, Guilherme Caramês Tiburtius, faleceu nesta terça-feira (24) aos 82 anos. Sem nunca encontrar o paradeiro de Guilherme, que sumiu em 1991 aos 8 anos, Arlete transformou sua dor em um incansável ativismo em prol de outras famílias e na criação de políticas públicas de proteção à infância.
O caso de Guilherme Tiburtius, que desapareceu enquanto brincava de bicicleta no bairro Jardim Social, em Curitiba, nunca foi solucionado. A tragédia pessoal impulsionou Arlete a se tornar uma figura proeminente na luta contra o desaparecimento de crianças e adolescentes no Brasil, deixando um legado de avanços significativos.
Sua jornada de ativismo resultou na fundação de importantes organizações e na inspiração de leis que hoje auxiliam milhares de famílias. Arlete Caramês se tornou um símbolo de perseverança e um marco na história da busca por desaparecidos no país, conforme divulgado em matérias sobre o caso.
O Início de uma Luta Incansável
Em 1992, um ano após o desaparecimento de Guilherme, Arlete fundou o Movimento Nacional da Criança Desaparecida do Paraná (CriDesPar). Essa ONG rapidamente ganhou reconhecimento nacional por seu trabalho de prevenção e localização de crianças desaparecidas, oferecendo suporte a diversas famílias em momentos de desespero.
Através da CriDesPar, Arlete ajudou inúmeras outras famílias a reencontrarem seus filhos perdidos. Sua capacidade de transformar a própria dor em uma causa maior inspirou muitos e fortaleceu a rede de apoio a quem passava por situações semelhantes.
Legado Legislativo e Estrutural
O ativismo de Arlete Caramês foi fundamental para a criação, em 1995, do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas do Paraná (Sicride). Segundo a Polícia Civil do Paraná, o Sicride é até hoje a primeira e única estrutura no Brasil dedicada exclusivamente ao desaparecimento de crianças e adolescentes, um marco em sua atuação.
Um dos maiores triunfos de sua luta foi a lei de 2005, que alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente. Essa legislação garante que as buscas por crianças desaparecidas comecem imediatamente após o registro da ocorrência, **eliminando a antiga exigência de esperar 24 horas**. A lei também determina a comunicação do desaparecimento a portos, aeroportos e companhias de transporte, facilitando a localização.
Carreira Política em Defesa da Infância
O compromisso de Arlete com a infância a levou à vida pública. Em 2000, foi eleita vereadora em Curitiba com uma votação expressiva, a segunda maior daquele pleito. Durante seu mandato na Câmara Municipal, apresentou diversas propostas de lei focadas na proteção e no bem-estar de crianças e adolescentes.
Entre suas propostas, destacam-se a sugestão para divulgação de desaparecidos no site da prefeitura, a criação de fichas de identificação em hotéis e a exigência de carteira de identidade para matrícula escolar, demonstrando sua visão abrangente sobre a segurança infantil.
Em 2002, Arlete Caramês deu mais um passo em sua carreira, sendo eleita deputada estadual no Paraná com 22.736 votos. Na Assembleia Legislativa, manteve a defesa das crianças e o apoio às famílias enlutadas como prioridade, consolidando seu papel como uma voz ativa na política em defesa dos mais vulneráveis.
O Desaparecimento de Guilherme Tiburtius
Guilherme Caramês Tiburtius desapareceu em julho de 1991, em um período em que o Paraná enfrentava uma onda de desaparecimentos de crianças. No dia em que foi visto pela última vez, o menino brincava de bicicleta perto de casa, uma rotina comum.
Após pedir autorização à avó para dar uma última volta de bicicleta, Guilherme não retornou para o almoço. A família notou seu sumiço cerca de meia hora depois e acionou a Polícia Militar. Apesar das buscas intensas, que incluíram a verificação de áreas próximas e até de um rio, nem o menino, nem sua bicicleta, foram encontrados.
Fonte: g1.globo.com
