Um eleitor de Varginha, em Minas Gerais, protocolou nesta quarta-feira (26) no Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, pedidos para tentar impedir as candidaturas de Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos à Presidência da República.
Daniel Barros Fonseca sustenta nas petições a existência de supostos vínculos diretos ou indiretos das chapas com o crime organizado, especialmente com o Primeiro Comando da Capital, o PCC.
Nenhum dos três candidatos é investigado por essa alegação, e os argumentos apresentados pelo eleitor ainda serão analisados pelos relatores responsáveis pelos registros das candidaturas.
Pedido contra Lula cita contrato com rede de postos
No caso do presidente Lula, candidato à reeleição pelo PT, o eleitor cita contratos do gabinete presidencial com a rede de postos Sol Fuel, mencionada na Operação Carbono Oculto.
Fonseca afirma que documentos anexados ao pedido mostrariam posições diferentes do gabinete em relação à empresa. Segundo ele, inicialmente teria sido informado que não havia problema no contrato e, posteriormente, a companhia teria sido inabilitada para novos contratos.
Com base nisso, o eleitor sustenta a possibilidade de abuso de poder político. Essa é, porém, uma alegação apresentada na petição e ainda não analisada pelo TSE.
Flávio Bolsonaro é citado por contato com Daniel Vorcaro
Em relação a Flávio Bolsonaro, do PL, a petição menciona um áudio no qual o senador teria solicitado dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O eleitor também cita reportagens que apontaram suposta presença de recursos ligados ao PCC na origem do Banco Master e usa essas informações para sustentar sua tese de possível abuso de poder econômico.
Novamente, a vinculação feita na petição representa o argumento do autor do pedido e não significa que Flávio Bolsonaro esteja sendo investigado por ligação com a facção.
Pedido contra Renan Santos menciona financiador do Missão
No processo envolvendo Renan Santos, candidato pelo Missão, Fonseca cita o empresário Cristiano Beraldo, apontado na petição como financiador da criação do partido e mencionado em investigações da Polícia Federal sobre suposta lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
O eleitor argumenta que, caso recursos de origem criminosa tenham sido utilizados na formação de uma legenda, poderia haver abuso de poder econômico.
O pedido, entretanto, não significa que a Justiça Eleitoral tenha reconhecido essa tese nem que Renan Santos seja investigado por vínculo com o PCC.
Relatores ainda vão analisar os pedidos
Fonseca pede que os registros das três candidaturas sejam rejeitados sob alegação de abuso de poder político e econômico.
Os pedidos serão analisados separadamente pelos ministros responsáveis pelos processos de registro.
Segundo as informações apresentadas, André Mendonça é o relator do caso envolvendo Lula, Estela Aranha analisa o pedido relacionado a Flávio Bolsonaro e Dias Toffoli é responsável pelo processo de Renan Santos.
A apresentação de uma impugnação por um eleitor não significa, por si só, que uma candidatura será barrada. Caberá ao TSE avaliar se os argumentos e documentos apresentados possuem fundamento jurídico suficiente para afetar algum dos registros.




