Descobrir se alguém está falando a verdade é um desejo antigo de quase todo mundo. Seja em casa com os filhos ou no trabalho, com aquele colega que sempre tem uma desculpa na ponta da língua, a gente sempre quer saber se está sendo enganado.

A ciência estuda isso há muito tempo, e a psicologia mostra que o nosso cérebro dá sinais claros quando a história não é real. Isso acontece porque mentir dá muito mais trabalho do que falar a verdade. Quando você diz o que realmente aconteceu, apenas relata um fato guardado na memória. Já para mentir, o cérebro precisa criar uma história do zero e manter todos os detalhes em ordem para não cair em contradição.

Esse esforço mental exagerado acaba aparecendo na forma como a pessoa fala. É como se o processador do computador ficasse lento por causa de um programa pesado. Quem mente costuma fazer pausas mais longas entre as palavras, porque está calculando cada frase. Outro sinal comum é o excesso de detalhes que ninguém perguntou.

O mentiroso acredita que, quanto mais informação ele der, mais a história vai parecer real. Só que, na prática, ele acaba se enrolando em explicações desnecessárias que uma pessoa que fala a verdade nem se preocuparia em dar.

Como identificar as contradições no dia a dia

Existem algumas frases clássicas que funcionam como um sinal amarelo. Sabe aquele famoso “já estou saindo”, quando você não ouve nenhum barulho de chave ou de carro ao fundo? Ou então o “não vi sua mensagem”, logo após a pessoa ter postado algo nas redes sociais? Esses pequenos deslizes mostram que o discurso não bate com a realidade.

Outro comportamento muito comum é a pessoa responder uma pergunta com outra pergunta. Se você questiona algo e a resposta é “por que você quer saber isso?”, pode ser um mecanismo de defesa para ganhar tempo e inventar uma saída.

O mentiroso acredita que, quanto mais informação ele der, mais a história vai parecer real.

As microexpressões também são ferramentas poderosas para quem presta atenção. São movimentos rápidos no rosto, que duram frações de segundo, e mostram o que a pessoa realmente sente. Às vezes, alguém diz que está feliz por você, mas, por um milésimo de segundo, o rosto mostra um sinal de desprezo ou raiva. É uma reação involuntária que o cérebro não consegue esconder totalmente.

No entanto, é preciso ter cuidado para não sair acusando todo mundo sem provas. Pessoas muito tímidas ou ansiosas podem gaguejar e fazer pausas longas mesmo falando a verdade absoluta.

O jeito certo de lidar com a desconfiança

Em vez de virar um investigador de filme e apontar o dedo, o melhor caminho é a conversa aberta. Os especialistas sugerem fazer perguntas que obriguem a pessoa a dar mais detalhes sobre a história.

Se a narrativa for inventada, ela vai começar a apresentar furos em algum momento. Manter a calma e ouvir com atenção é muito mais eficiente do que criar um clima de briga. Muitas vezes, a verdade aparece sozinha quando a pessoa se sente confortável para falar sem ser julgada imediatamente.

O segredo está em observar o conjunto da obra, analisar se o comportamento daquela pessoa mudou de repente. Se alguém que sempre fala rápido começa a medir cada palavra sem motivo aparente, aí sim vale a pena ligar o sinal de alerta.

No fim das contas, a intuição e a observação atenta são as nossas melhores aliadas para entender quem está sendo sincero e quem está apenas tentando nos enganar com uma história bem contada.

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Jornalista atuante desde 2019, com registro profissional no Ministério do Trabalho desde 2022, e experiência em produção de eventos desde 2016. Atua como redatora, editora e web designer.