Ministro Guilherme Boulos classifica como “banditismo” o aumento do diesel, prometendo ações enérgicas contra postos e distribuidoras
O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, usou um tom forte nesta sexta-feira (20) para classificar o recente aumento no preço do óleo diesel nos postos de combustíveis como um ato de “banditismo”. A declaração foi feita durante um evento na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, onde Boulos criticou veementemente a ação de postos e distribuidoras.
Segundo o ministro, a elevação dos preços não encontra justificativa nas tensões globais do Oriente Médio, especialmente após o governo federal ter implementado medidas para conter a escalada. Boulos ressaltou que o presidente Lula zerou as alíquotas de impostos federais como PIS e Cofins sobre o diesel, o que deveria impedir que as distribuidoras repassassem custos adicionais aos consumidores.
“Isso é banditismo de postos de gasolina e distribuição, que estão cometendo crime contra a economia popular”, afirmou Boulos, destacando que o aumento é especulativo e penaliza indevidamente o cidadão. Conforme informação divulgada pelo ministro, as medidas do governo visam proteger o consumidor brasileiro do impacto da volatilidade do preço do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent, referência mundial, chegou a custar cerca de US$ 110 (aproximadamente R$ 580) nesta sexta-feira, um salto significativo em relação aos pouco mais de R$ 70 antes dos recentes conflitos. A Petrobras também realizou um reajuste de R$ 0,38 no diesel no último sábado (14), mas a desoneração promovida pelo governo ajudou a amenizar o impacto nas bombas. O governo ainda propôs aos estados a redução do ICMS sobre o diesel importado.
Diálogo com caminhoneiros evita greve
Boulos confirmou que terá um encontro com lideranças de movimentos de caminhoneiros na próxima quarta-feira (25), em Brasília. O encontro surge após ameaças de greve da categoria devido ao aumento do combustível. No entanto, após uma assembleia realizada no Porto de Santos na quinta-feira (19), os caminhoneiros decidiram não paralisar suas atividades.
A decisão de adiar a paralisação, segundo o ministro, foi resultado do diálogo constante com o governo, que se comprometeu a atender às demandas da categoria. “Tivemos um diálogo permanente com eles nos últimos dias, desde o fim da semana passada, para evitar uma paralisação que poderia trazer prejuízos importantes para o povo brasileiro”, explicou Boulos.
Ações de fiscalização e punições em andamento
O ministro anunciou que a Polícia Federal e órgãos de defesa do consumidor estão intensificando as operações para coibir a especulação de preços do diesel. “Já foram operações em 400 postos nas últimas 48 horas, em várias distribuidoras, com lacração, aumento de multas e o próximo passo é a prisão de representantes deles”, detalhou Boulos.
Ele enfatizou que a atuação enérgica do governo visa conter a escalada especulativa do preço do diesel, garantindo que a redução de impostos se reflita no bolso do consumidor. A prioridade é evitar que o aumento do petróleo no mercado internacional cause um efeito inflacionário desproporcional no Brasil.
Piso do frete garantido por Medida Provisória
Outra demanda importante dos caminhoneiros, o piso mínimo do frete, foi atendida pela Medida Provisória (MP) 1.343/2026, publicada na quinta-feira (19). A MP estabelece punições mais rigorosas para transportadoras que descumprirem os valores estabelecidos para o frete, buscando garantir uma remuneração justa aos profissionais.
Boulos criticou a falta de cumprimento do piso mínimo por grandes empresas, mesmo com multas vultosas. “Já havíamos nos reunido com os caminhoneiros no fim do ano, o governo intensificou a fiscalização, mas mesmo com as multas que superam R$ 400 milhões nos últimos três meses, eles continuam [a descumprir], parece que compensa para eles ter a multa e não pagar o piso”, lamentou.
A nova MP prevê que, em caso de reincidência, as empresas podem ter o registro de funcionamento cassado, uma medida mais drástica para forçar o cumprimento da lei e proteger os caminhoneiros. O texto da MP foi negociado diretamente com os representantes da categoria, assegurando que suas reivindicações fossem consideradas.
A tensão no Oriente Médio, com a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã desde 28 de fevereiro, tem impactado o mercado de petróleo global. Ataques a países vizinhos produtores e o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás, elevam a cotação dos preços internacionais e pressionam a oferta. O Irã chegou a alertar o mundo para se preparar para o petróleo a US$ 200, evidenciando a gravidade da situação geopolítica.
Fonte: Informações compiladas de acordo com o conteúdo fornecido.
