O Governo Federal já trabalha com as projeções orçamentárias que definem o valor do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o próximo ano. Com o reajuste do salário mínimo estimado em R$ 1.621, o auxílio pago a idosos e pessoas com deficiência deve seguir o mesmo patamar, consolidando-se como a principal rede de proteção para quem nunca contribuiu com a Previdência Social.
Mas essa garantia financeira traz consigo um alerta importante para os beneficiários. O INSS e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social estão intensificando o cruzamento de dados para evitar fraudes e pagamentos indevidos. O foco agora é a atualização rigorosa do CadÚnico, que se tornou o coração do processo de concessão.
O que muda no acesso ao benefício em 2026
Diferente de uma aposentadoria comum, o BPC não exige tempo de contribuição, mas impõe critérios de renda extremamente rígidos. Para ter direito, a renda por pessoa da família deve ser inferior a 1/4 do salário mínimo. O critério é matemático, mas a análise social tem se tornado cada vez mais criteriosa por parte dos peritos.
Segundo as diretrizes atuais do Governo, o benefício é destinado a idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência de qualquer idade. O ponto crítico aqui é a manutenção: qualquer variação na renda da casa, como um novo emprego de um familiar, pode levar à suspensão imediata do pagamento.
Rigor médico e documental para pessoas com deficiência
No caso dos pedidos por deficiência, a exigência técnica subiu de nível. Não basta mais um atestado simples. O INSS agora exige laudos detalhados que comprovem o impedimento de longo prazo, que deve ser de, no mínimo, dois anos.
E é aí que muitos processos travam. A perícia médica avalia não apenas a doença, mas como ela limita a vida em sociedade. Por isso, especialistas recomendam que o requerente apresente exames atualizados e relatórios que descrevam a rotina de limitações, evitando que o perito tenha dúvidas sobre a vulnerabilidade.
Como evitar o bloqueio no aplicativo Meu INSS
A digitalização do serviço facilitou o pedido, mas criou armadilhas para quem não domina a tecnologia. O portal Meu INSS é a porta de entrada, mas o erro mais comum ocorre antes mesmo do clique inicial: a falta de atualização no CRAS.
Se os dados do CadÚnico estiverem defasados há mais de dois anos, o sistema bloqueia o requerimento automaticamente. O conselho jornalístico aqui é claro: visite o posto de assistência social da sua cidade antes de abrir o chamado digital. Ter em mãos o CPF de todos os moradores da casa é o primeiro passo para o sucesso.
As limitações que o beneficiário precisa conhecer
É preciso entender que o BPC é uma assistência e não um seguro. Por esse motivo, ele não paga o 13º salário e não gera direito à pensão por morte para os herdeiros. Se o titular falecer, o benefício é encerrado imediatamente, sem transferência para o cônjuge.
Além disso, o acúmulo com outros benefícios previdenciários é proibido. Se você já recebe uma aposentadoria, mesmo que de valor baixo, não pode solicitar o BPC. A única exceção é o acúmulo com benefícios de assistência médica ou auxílios temporários de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.
O cenário para 2026 mostra um valor mais robusto, mas a fiscalização será implacável. Manter a documentação organizada e o cadastro social vivo é a única forma de garantir que o dinheiro chegue a quem realmente precisa sobreviver com dignidade.
