O mercado de crédito imobiliário no Brasil passou por uma mudança silenciosa, mas profunda, que altera o planejamento de milhares de famílias. Agora, a idade máxima para quitar um financiamento habitacional subiu para 80 anos e seis meses.
Essa decisão, chancelada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), reflete o aumento da expectativa de vida do brasileiro. Antes, o limite era de 75 anos, o que travava o acesso ao crédito para quem já passou dos 50.
Na prática, o financiamento funciona como um adiantamento de recursos onde o banco paga pelo imóvel e o cliente devolve o valor em parcelas. Mas o grande entrave sempre foi o seguro habitacional, obrigatório por lei.
As seguradoras calculam o risco de morte ou invalidez do tomador do empréstimo. Por isso, quanto mais velho o cliente, maior o valor do seguro embutido na prestação. E é aí que muitos contratos acabam ficando inviáveis.
O cálculo que define a aprovação do crédito
A regra é matemática e rígida. Para saber o prazo máximo de pagamento, o banco subtrai a idade atual do cliente do teto de 80 anos e seis meses. Se você tem 60 anos, seu prazo máximo será de 20 anos.
Essa mudança é uma vitória para aposentados e pensionistas do INSS. Esse público, muitas vezes com renda estável, era barrado pelo sistema financeiro apenas pelo critério da idade, mesmo tendo capacidade de pagamento comprovada.
Mas não se engane: a idade não é o único filtro. Para ter o contrato assinado, o cidadão precisa ter mais de 18 anos, CPF regularizado e, principalmente, o nome limpo nos órgãos de proteção ao crédito como Serasa e SPC.
As instituições financeiras estão cada vez mais criteriosas na análise de risco. Elas avaliam se a parcela compromete mais de 30% da renda mensal da família. Se ultrapassar esse limite, o crédito é negado sumariamente.
O impacto social da nova regra da Susep
O sonho da casa própria ainda é o principal motor da economia brasileira. Ao ampliar a faixa etária, o governo e a Susep reconhecem que a população está trabalhando e produzindo por muito mais tempo.
Especialistas do setor imobiliário apontam que essa medida ajuda a girar o mercado de imóveis usados. Muitas vezes, pessoas mais velhas desejam trocar uma casa grande por um apartamento menor e mais funcional, dependendo de crédito.
Por outro lado, é preciso ter cautela. Entrar em uma dívida de longo prazo aos 60 anos exige um planejamento financeiro impecável. O risco de comprometer a qualidade de vida na velhice com parcelas altas é real e perigoso.
O ideal é que o interessado faça simulações em diferentes bancos. A Caixa Econômica Federal, líder no setor, costuma ditar o ritmo, mas bancos privados como Itaú, Bradesco e Santander também ajustaram suas apólices de seguro.
Exigências e cuidados antes de assinar o contrato
Além da idade, as seguradoras exigem declarações de saúde detalhadas. Mentir sobre doenças preexistentes pode anular a cobertura do seguro em caso de sinistro, deixando a dívida integral para os herdeiros do imóvel.
O financiamento imobiliário é um contrato de alienação fiduciária. Isso significa que o imóvel fica em nome do banco até a última parcela ser paga. Por isso, a inadimplência leva à perda rápida do bem em leilão.
Em resumo, a nova idade limite de 80 anos e seis meses abre portas, mas aumenta a responsabilidade. O crédito ficou mais inclusivo, acompanhando a demografia atual, mas o rigor na análise do CPF e da renda continua sendo a barreira final.
