O Governo Federal e a Caixa Econômica Federal lançaram uma iniciativa que pode mudar o jogo para os microempreendedores de baixa renda. O programa Acredita no Primeiro Passo começou a liberar linhas de crédito que chegam a R$ 21 mil. O objetivo é claro: transformar beneficiários de programas sociais em donos do próprio negócio.
Nesta fase inicial, o projeto funciona como um teste de 90 dias. As cidades escolhidas para o piloto são São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Se os resultados forem positivos, a meta é expandir para todo o Brasil ainda no primeiro semestre de 2026. Mas o que realmente chama a atenção são as condições facilitadas.
Como funciona o crédito assistido
O diferencial desta linha é o chamado crédito assistido. Segundo o ministro Wellington Dias (MDS), não se trata apenas de entregar o dinheiro. O banco oferece orientação para que o empreendedor saiba onde investir. Isso reduz o risco de endividamento e aumenta as chances de sucesso da pequena empresa.
Os valores começam em R$ 500 e podem atingir o teto de R$ 21 mil. Para quem trabalha como ambulante, feirante ou tem um pequeno comércio de bairro, essa quantia é um fôlego enorme. O acesso é feito diretamente pelo aplicativo Caixa Tem, facilitando a vida de quem já usa a ferramenta para receber outros benefícios.
Regras e taxas reduzidas
A taxa de juros é um dos pontos fortes. O programa utiliza a Selic mais 2% ao ano, uma das menores do mercado atual. Além disso, há isenção total de IOF. Isso só é possível porque o governo federal atua como “fiador” através do Fundo Garantidor de Operações (FGO), eliminando a necessidade de garantias reais ou bens.
O público prioritário é bem definido. O foco está em mulheres, negros, jovens e pessoas com deficiência. Inclusive, a regra do programa exige que pelo menos 50% das operações sejam destinadas ao público feminino. É uma tentativa direta de reduzir a desigualdade financeira no país.
O impacto na autonomia financeira
É preciso analisar essa medida com cautela e otimismo. Por um lado, o microcrédito é uma ferramenta poderosa de emancipação. Dados do MDS mostram que quase a totalidade das novas vagas formais desde 2023 foram ocupadas por inscritos no CadÚnico. Isso prova que essa população quer e precisa trabalhar.
Por outro lado, o sucesso depende da capacidade de pagamento. O prazo para quitar o empréstimo é curto, variando entre 4 e 12 meses. Por isso, o acompanhamento técnico é essencial. Se bem gerido, o crédito pode ser a porta de saída definitiva da dependência de auxílios governamentais.
Para quem está nas cidades do piloto, o caminho é manter o CadÚnico atualizado nos últimos 24 meses. A procura pode ser feita nas agências da Caixa ou pelo suporte digital. É uma oportunidade real para quem tem uma boa ideia, mas nunca teve capital para começar.
