A coisa está feia e os números não mentem. Muita gente acha que saúde mental é frescura ou conversa de quem não quer trabalhar, mas os dados oficiais do Ministério da Previdência Social mostram uma realidade bem diferente. Em 2025, o Brasil bateu um recorde que ninguém queria ver: mais de 546 mil pessoas foram afastadas do trabalho por problemas de cabeça. É muita gente ficando doente por causa da pressão do dia a dia e isso liga um alerta vermelho para todo mundo que bate cartão de segunda a sexta.
Para vocês terem uma ideia do tamanho do buraco, o aumento foi de quase 16% em comparação com o ano passado. Não é só um numerozinho subindo, é uma debandada de gente que simplesmente não aguentou o tranco. E o mais impressionante é ver quem está sofrendo mais. Não são os altos executivos de terno e gravata, mas sim o pessoal que faz o país girar na base: vendedores, faxineiros, auxiliares de escritório e o pessoal que rala na linha de produção.
A pressão de vender e limpar sem descanso
Fiquei de cara quando vi que os vendedores de comércio varejista lideram essa lista de afastamentos. Mas, se a gente parar para pensar, faz todo sentido. O cara trabalha com meta batendo na nuca o dia inteiro, ganha comissão e ainda tem que aguentar cliente mal-educado com um sorriso no rosto. É um desgaste que consome a paciência e a saúde de qualquer um. Ninguém é de ferro e o corpo acaba cobrando a conta mais cedo ou mais tarde.
O pessoal da limpeza e dos serviços gerais também está no topo dessa lista ingrata. Esses profissionais enfrentam jornadas pesadas, muitas vezes sem nenhum reconhecimento e com quase zero de autonomia. É aquela rotina de só receber ordem e não ter voz para nada. Essa combinação de salário baixo com pressão por produtividade é o combustível perfeito para o estresse explodir.
Ansiedade e depressão viraram rotina no Brasil
Quando olhamos para os diagnósticos, a ansiedade é a campeã disparada. Foram mais de 166 mil benefícios concedidos só por causa disso em 2025. Logo atrás vem a depressão. É preocupante ver que o brasileiro está vivendo em um estado de alerta constante, com medo de perder o emprego ou sem conseguir dar conta de tanta demanda acumulada. O ambiente de trabalho virou um moedor de gente em muitos lugares por aí.
O pessoal do Ministério Público do Trabalho já sacou que o problema é estrutural. Tem empresa que controla até o tempo que o funcionário vai ao banheiro. Isso não é gestão, é tortura psicológica. Quando o patrão aperta demais o parafuso, uma hora ele espana. O resultado é esse prejuízo bilionário para a previdência e, principalmente, a vida de um pai ou mãe de família destruída por uma doença que poderia ter sido evitada com um pouco mais de respeito e organização.
O prejuízo financeiro que ninguém vê de perto
A conta disso tudo é salgada para todo mundo. Estimativas mostram que o custo dessas licenças pode chegar a 4 bilhões de reais só neste ano. É um dinheiro que sai do bolso de quem produz e de quem paga imposto. Além disso, as empresas perdem mão de obra qualificada e o trabalhador fica em casa recebendo um benefício que, na maioria das vezes, é menor do que o salário que ele ganhava na ativa.
As mulheres são as que mais sofrem nessa estatística. Além do trabalho fora, muitas ainda enfrentam a jornada dupla em casa e recebem menos que os homens na mesma função. É uma pressão desproporcional que acaba resultando em mais afastamentos. O mercado de trabalho brasileiro precisa acordar para isso logo, porque o modelo atual de ‘produzir a qualquer custo’ está quebrando as pessoas.
Novas regras de fiscalização estão chegando
A justiça e o governo estão tentando se mexer com novas normas para controlar os riscos psicossociais. Isso significa que as empresas vão ter que olhar para o assédio moral, as metas abusivas e a sobrecarga de um jeito mais sério. O prazo para essas regras valerem de verdade ficou para maio e não deve ter mais moleza. Quem não se adequar vai acabar pagando caro com multas e processos.
No fim das contas, a pergunta que fica é como vamos manter os empregos sem destruir a cabeça de quem trabalha. Não dá para tratar o funcionário como uma peça de máquina que você troca quando quebra. Saúde mental é coisa séria e esse recorde de 2025 prova que o limite já foi ultrapassado faz tempo. Precisamos de um ambiente mais humano se quisermos um país que cresça de verdade.
