A situação da nossa indústria nacional não está nada boa e o motivo é bem claro para qualquer um que tenta comprar um carro ou uma geladeira parcelada hoje em dia. A Confederação Nacional da Indústria soltou um alerta que deveria fazer todo mundo parar para pensar. O negócio é o seguinte, os juros estão tão altos que as fábricas estão perdendo o fôlego e a confiança dos empresários sumiu. Não precisa ser nenhum gênio das finanças para entender que, quando o banco cobra caro demais para emprestar dinheiro, ninguém quer produzir nada e muito menos o povo consegue comprar. O resultado disso é um efeito dominó que acaba batendo direto na porta da nossa casa, seja na falta de emprego ou nos preços que não param de subir.

Fiquei impressionado com os números que saíram agora no começo de 2025. A taxa Selic batendo na casa dos 15% ao ano é um verdadeiro absurdo para quem quer trabalhar e produzir. Esse valor não é apenas um número em um telão de telejornal, ele é um freio de mão puxado na economia brasileira. Quando o juro sobe desse jeito, o crédito fica proibitivo. Se o dono de uma fábrica precisa trocar uma máquina ou aumentar a linha de produção, ele olha o custo do financiamento e desiste na hora. É melhor deixar o dinheiro rendendo no banco do que se arriscar a montar um negócio ou expandir o que já tem. É uma lógica perversa que está sufocando quem realmente gera riqueza no país.

Por que a indústria brasileira parou de acelerar

Olha só como a coisa funciona na prática. Em 2024, quando os juros estavam mais baixos, a gente viu a indústria tentando se levantar. Mas aí veio essa onda de aperto e estragou tudo. O diretor da CNI foi bem direto ao dizer que esse patamar de juros é punitivo. O prejuízo é enorme porque o povo parou de comprar bens industriais. Pensa comigo, quem é que vai se aventurar a financiar um veículo ou reformar a casa com os juros nas alturas? Quase ninguém. O consumo interno caiu e as fábricas começaram a acumular estoque. Ter produto parado na prateleira é sinônimo de prejuízo e de cortes que virão logo em seguida.

O problema não para por aí. Enquanto a nossa indústria patina por causa do custo do dinheiro, os produtos importados estão fazendo a festa. Como a produção nacional fica cara e o consumo esfria, as mercadorias que vêm de fora acabam ocupando o espaço. No último ano, a entrada de produtos estrangeiros subiu mais de 15%. Ou seja, a gente está mandando dinheiro para fora e deixando de fortalecer o que é nosso. É uma briga desleal onde o empresário brasileiro entra no ringue com as mãos amarradas pelos juros altos.

Prestem atenção no nível de desconfiança que se instalou. O índice que mede a confiança do empresário industrial atingiu o pior nível em dez anos. Isso é muito grave. Se o cara que é dono da fábrica não confia no futuro, ele não contrata. Se ele não contrata, o desemprego sobe. Se o desemprego sobe, o consumo cai ainda mais. É um ciclo vicioso que parece não ter fim. Estamos há mais de um ano com o pessimismo dominando o setor. Sem investimento em modernização, nossas fábricas ficam velhas e perdem a capacidade de competir com o resto do mundo.

O IBGE confirmou o que todo mundo já estava sentindo no bolso. A produção industrial cresceu quase nada em 2025, ficando bem abaixo do que foi registrado no ano anterior. A desaceleração ficou pesada mesmo no segundo semestre, justamente quando o peso dos juros começou a esmagar o setor produtivo. A indústria de transformação, que é aquela que pega a matéria-prima e transforma em algo útil, teve queda real. Isso significa menos riqueza circulando e menos oportunidades para o trabalhador comum.

O que a gente precisa entender é que essa conversa de juros não é algo distante da nossa realidade. Se a indústria vai mal, o Brasil vai mal. Não dá para sustentar um país apenas com serviços ou exportando soja e minério. A indústria é o que dá músculo para a economia. Sem uma mudança urgente nessa política de juros e sem incentivos reais para quem quer produzir, o risco de ficarmos estagnados por muito tempo é gigante. O governo e o Banco Central precisam entrar em um acordo logo, porque o empresário já cansou de esperar e o trabalhador não aguenta mais pagar o pato dessa conta que nunca fecha. É preciso coragem para baixar esse custo do dinheiro e deixar quem quer trabalhar fazer o país andar de novo.

Compartilhar.