Treinou pesado e acordou travado no dia seguinte? 7 alimentos que vale colocar no prato depois do treino

O treino termina bem. Você toma banho, segue o dia e talvez até pense que exagerou um pouco, mas nada parece fora do normal.

O problema aparece depois.

No dia seguinte, levantar da cadeira incomoda. Descer uma escada exige cuidado. A coxa fica dolorida, os braços parecem pesados e até movimentos simples lembram exatamente quais músculos foram exigidos no treino.

Essa dor que aparece horas depois do exercício é conhecida como dor muscular de início tardio, ou DOMS, e tende a ser mais comum quando alguém aumenta a intensidade, retorna aos exercícios depois de um período parado ou experimenta movimentos aos quais o corpo ainda não está acostumado.

Comer bem não faz a dor desaparecer como se alguém apertasse um botão. Mas aquilo que entra no prato depois do exercício pode fornecer proteína, carboidratos, líquidos, minerais e outros nutrientes importantes para o processo de recuperação.

E algumas opções são muito mais simples do que parece.

A recuperação não começa com um alimento milagroso

Depois do exercício, o corpo precisa principalmente de uma alimentação que forneça proteína suficiente, carboidratos compatíveis com o esforço, hidratação e energia total adequada. Os alimentos abaixo podem ajudar justamente porque entregam diferentes partes desse conjunto.

Homem descansando depois de treino em academia
Dor e cansaço podem aparecer depois de sessões mais intensas ou de exercícios aos quais o corpo ainda não está acostumado. Foto: Ivan S/Pexels.

Antes da lista, existe uma coisa importante sobre aquela dor do dia seguinte

Sentir-se dolorido não significa necessariamente que o treino foi melhor.

A DOMS costuma surgir depois de estímulos diferentes ou mais intensos e está relacionada a alterações provocadas pelo exercício no tecido muscular e à resposta subsequente do organismo.

Mas não é necessário ficar dolorido para ganhar força, melhorar condicionamento ou desenvolver musculatura.

Uma pessoa pode evoluir perfeitamente e sentir pouca dor depois de sessões às quais já está adaptada.

Da mesma forma, ficar quase incapaz de andar por vários dias não transforma automaticamente aquele treino em um treino excelente.

A alimentação entra nessa história oferecendo matéria-prima para aquilo que o corpo precisa fazer nas horas seguintes.

Proteína e carboidrato fazem trabalhos diferentes

Quando se fala em comida depois da academia, quase toda a atenção vai para a proteína.

Ela realmente é importante.

Proteínas fornecem aminoácidos utilizados na renovação e construção de proteínas musculares. Para muitas pessoas fisicamente ativas, uma refeição pós-treino contendo algo em torno de 20 a 40 gramas de proteína de boa qualidade pode ser uma referência prática, embora a necessidade real varie conforme tamanho corporal, tipo de exercício e ingestão ao longo do dia.

Mas carboidrato também merece espaço.

Durante exercícios mais longos ou intensos, parte do glicogênio armazenado nos músculos é utilizada como combustível.

Alimentos ricos em carboidratos ajudam a repor essas reservas.

Isso ganha ainda mais importância para quem treina novamente no mesmo dia ou possui uma rotina esportiva com grande volume.

Proteína

Fornece aminoácidos importantes para síntese e renovação das proteínas musculares.

Carboidrato

Ajuda a repor glicogênio utilizado durante o exercício e fornece energia para a recuperação.

Líquidos e minerais

Ganham importância quando houve bastante suor ou exercícios prolongados.

1. Ovos com pão fazem uma combinação simples que já entrega bastante coisa

Você não precisa preparar um shake elaborado ou comprar um produto específico assim que sai da academia.

Ovos com pão são um exemplo bastante simples de como proteína e carboidrato podem aparecer juntos.

Os ovos fornecem proteína completa, com todos os aminoácidos essenciais.

O pão oferece carboidratos e, dependendo da versão escolhida, também pode acrescentar fibras.

Isso torna a combinação prática especialmente para quem treina pela manhã ou perto do horário de uma refeição.

A quantidade precisa ser adaptada à fome, ao restante da alimentação e às necessidades individuais.

Dois ovos, por exemplo, não necessariamente fornecem toda a proteína que uma pessoa maior ou com objetivos esportivos específicos pretende consumir naquela refeição. É possível complementar com mais ovos, claras, leite, iogurte ou outra fonte proteica.

Ovos mexidos servidos com pão
Ovos com pão combinam uma fonte de proteína com carboidratos em uma refeição fácil de montar depois do treino. Foto: Helen Brudna/Pexels.

Uma ideia simples

Ovos mexidos + pão integral + uma fruta podem formar uma refeição pós-treino sem necessidade de suplementos para quem consegue atingir suas necessidades com alimentos.

2. Iogurte ou cottage com frutas resolve quando você não quer uma refeição pesada

Nem todo mundo termina o treino querendo sentar diante de um prato grande.

Nesse caso, iogurte ou queijo cottage acompanhados de frutas podem ser alternativas mais leves.

Produtos lácteos oferecem proteínas que contêm aminoácidos essenciais, incluindo leucina, um aminoácido importante para a sinalização relacionada à síntese proteica muscular.

A fruta acrescenta carboidratos, água, vitaminas e diferentes compostos vegetais.

Banana, morango, kiwi, manga, uva, frutas vermelhas e várias outras podem entrar nessa combinação.

Não existe uma fruta obrigatória para “recuperar o músculo”.

O maior benefício está na facilidade de construir um lanche que combine proteína + carboidrato.

Tigela de iogurte com frutas e sementes
Iogurte com frutas permite reunir proteína, carboidratos e micronutrientes em uma preparação rápida. Foto: Rumata E/Pexels.

3. Banana com amêndoas pode ser útil quando a prioridade é praticidade

Treinar longe de casa cria outro problema.

Às vezes não existe geladeira, cozinha ou tempo para preparar alguma coisa.

É aí que uma banana acompanhada de amêndoas ou outra oleaginosa pode funcionar como um lanche prático.

A banana fornece carboidratos e potássio.

As amêndoas acrescentam gorduras insaturadas, um pouco de proteína, fibras e minerais.

Se houve bastante suor durante o exercício, algum alimento com sódio também pode ser útil dependendo do volume e da duração da atividade.

Mas existe uma ressalva.

Amêndoas não são uma fonte extremamente concentrada de proteína quando comparadas a ovos, leite, iogurte, carnes ou produtos proteicos.

Então esse lanche pode funcionar sozinho em determinadas situações, mas quem busca uma refeição de recuperação com maior quantidade de proteína pode combiná-lo com leite, iogurte ou outra fonte.

Pão com banana, amêndoas e sementes
Banana e amêndoas são opções práticas, embora refeições voltadas à recuperação possam precisar de outra fonte de proteína dependendo das necessidades individuais. Foto: eat kubba/Pexels.

4. Salmão entrega proteína e uma gordura que chama atenção dos pesquisadores

Se o treino acontece antes do almoço ou jantar, o salmão pode entrar como parte de uma refeição completa.

Ele fornece proteína de alta qualidade e também ácidos graxos ômega-3, principalmente EPA e DHA.

Essas gorduras participam de diferentes processos no organismo e são estudadas pela relação com a resposta inflamatória.

Existe pesquisa investigando se o consumo de ômega-3 pode influenciar dor muscular e recuperação após exercícios, mas isso não transforma uma porção de salmão em um analgésico pós-treino.

O peixe funciona melhor quando visto dentro do conjunto da alimentação.

Uma refeição poderia combinar:

salmão como fonte de proteína;

arroz, batata, massa ou outro carboidrato;

legumes ou verduras;

água e líquidos suficientes para repor o que foi perdido.

Prato com salmão preparado e acompanhamento
Salmão combina proteína com ácidos graxos ômega-3 e pode compor uma refeição completa depois do exercício. Foto: Nanda Mends/Pexels.

Para quem não come peixe, outras fontes de gorduras insaturadas podem fazer parte da dieta, como nozes, chia e linhaça, embora a composição de ômega-3 não seja idêntica à encontrada nos peixes gordurosos.

5. Cúrcuma chama atenção, mas não espere que uma colher apague a dor

A cúrcuma aparece frequentemente em listas de alimentos para recuperação porque contém curcuminoides, incluindo a curcumina.

Esses compostos são bastante estudados por possíveis efeitos sobre vias relacionadas à inflamação.

Alguns trabalhos com suplementos padronizados de curcumina encontraram reduções modestas em marcadores ou percepção de dor muscular após determinados tipos de exercício.

Mas existe uma diferença fundamental entre esses estudos e colocar um pouco de cúrcuma no jantar.

A quantidade e a forma da curcumina utilizada em pesquisas podem ser muito diferentes daquela obtida normalmente com o tempero culinário.

Por isso, não há motivo para tratar cúrcuma como medicamento pós-treino.

Ela pode simplesmente fazer parte da alimentação.

Vai bem em arroz, sopas, legumes, ovos, molhos e diversas preparações.

Tempero culinário e suplemento concentrado não são a mesma coisa

Resultados de estudos que utilizam extratos ou doses padronizadas de curcumina não devem ser automaticamente transferidos para uma pequena quantidade de cúrcuma utilizada em uma refeição.

6. Pimentão vermelho coloca vitamina C no prato sem depender da laranja

Outra sugestão menos óbvia é o pimentão vermelho.

Ele é uma excelente fonte alimentar de vitamina C.

E por que isso interessa depois do exercício?

A vitamina C participa da síntese normal de colágeno, proteína estrutural importante para diferentes tecidos do organismo, incluindo tendões, ligamentos, pele e vasos sanguíneos.

Isso não significa que comer pimentão depois da academia “reconstrua os tendões” imediatamente.

O corpo precisa de vitamina C continuamente, e o benefício está em manter uma ingestão adequada ao longo da alimentação.

Além disso, o exercício não envolve apenas músculos.

Tendões e outras estruturas também recebem carga.

Por isso, uma dieta variada que cubra micronutrientes continua sendo parte importante da rotina de quem treina.

Pimentões vermelhos sobre tábua de madeira
Pimentão vermelho é uma fonte bastante concentrada de vitamina C e pode entrar facilmente em refeições salgadas. Foto: Ela Haney/Pexels.

7. Kiwi e abacaxi fecham a lista com um detalhe curioso sobre digestão

Kiwi e abacaxi aparecem juntos por uma característica interessante.

As duas frutas possuem enzimas proteolíticas.

No kiwi está a actinidina.

No abacaxi está a bromelina.

Essas enzimas conseguem participar da quebra de proteínas em determinadas condições, razão pela qual são estudadas também em relação à digestão.

Mas é importante não exagerar o efeito.

Comer kiwi ou abacaxi depois da academia não significa que a proteína da refeição será automaticamente transformada em músculo mais rapidamente.

A bromelina utilizada em muitos estudos também é administrada em preparações concentradas, e grande parte dela está associada a partes da planta diferentes da porção de polpa que normalmente comemos.

Como frutas, porém, kiwi e abacaxi oferecem carboidratos, água, vitamina C e outros nutrientes e podem complementar muito bem uma refeição pós-treino.

Pedaços de kiwi e abacaxi sendo preparados em liquidificador
Kiwi e abacaxi podem complementar refeições e lanches com carboidratos, água, vitamina C e diferentes compostos naturais. Foto: Valeria Ushakova/Pexels.

Os 7 alimentos lado a lado

AlimentoO que acrescenta à recuperaçãoUma combinação simples
OvosProteína completa e aminoácidos essenciais.Ovos + pão + fruta.
Iogurte ou cottageProteína e leucina.Iogurte + frutas + aveia.
Banana e amêndoasCarboidrato, potássio, gorduras insaturadas e minerais.Banana + amêndoas + leite ou iogurte.
SalmãoProteína e EPA/DHA.Salmão + arroz ou batata + legumes.
CúrcumaCurcuminoides estudados em relação a vias inflamatórias.Usada como tempero na refeição.
Pimentão vermelhoVitamina C e outros compostos vegetais.Pimentão + arroz + fonte de proteína.
Kiwi ou abacaxiCarboidrato, líquidos, vitamina C e enzimas naturais.Fruta + iogurte ou refeição completa.

Precisa comer nos primeiros 30 minutos ou “perde” o treino?

Essa ideia ficou popular durante anos.

Terminou a última série?

Começava uma corrida contra o relógio para consumir proteína antes que a suposta “janela anabólica” fechasse.

Hoje a interpretação é mais tranquila.

Para a maioria das pessoas que comeu normalmente antes do exercício e terá outra refeição algumas horas depois, não existe motivo para entrar em pânico porque não conseguiu comer nos primeiros 30 minutos.

A ingestão total de proteína e energia ao longo do dia tem enorme importância.

A distribuição dessa proteína entre diferentes refeições também pode ser útil.

Isso não significa que o horário seja irrelevante.

Quem treinou em jejum, passou muitas horas sem comer ou precisa realizar outra sessão exigente pouco tempo depois pode ter mais motivo para priorizar uma refeição cedo.

Não existe um cronômetro mágico de 30 minutos

Comer depois do treino é útil, mas para a maioria das pessoas a recuperação deve ser pensada ao longo das horas e do dia inteiro, e não como uma corrida para engolir alguma coisa antes que uma janela imaginária se feche.

E aquela proporção de três partes de carboidrato para uma de proteína?

Ela pode aparecer como referência em algumas situações esportivas, principalmente quando a reposição rápida de glicogênio é prioridade.

Mas não existe necessidade de todo praticante de academia fazer uma conta rígida de 3 para 1 em todas as refeições.

As necessidades de carboidrato variam muito.

Uma pessoa que caminhou ou realizou um treino de força moderado possui uma demanda diferente de um ciclista que passou três horas pedalando ou de um atleta que disputará novamente poucas horas depois.

O mais útil é pensar no contexto.

Água também é parte da recuperação e costuma ser esquecida

Você pode montar a refeição nutricionalmente perfeita e ainda terminar o dia com dor de cabeça, sede e cansaço se perdeu muito líquido e não o repôs.

A quantidade necessária depende de:

Duração do treino

Sessões longas normalmente produzem perdas maiores.

Temperatura

Calor e umidade podem elevar bastante a produção de suor.

Pessoa

A taxa de suor varia muito entre indivíduos.

Tipo de atividade

Treinos intensos ou realizados ao ar livre podem exigir atenção maior.

Água costuma ser suficiente para muitos treinos cotidianos.

Em exercícios longos, muito quentes ou com grande produção de suor, eletrólitos e sódio podem adquirir maior importância.

Dormir mal pode atrapalhar mais do que esquecer qualquer um desses sete alimentos

É fácil concentrar toda a recuperação em comida.

Mas existe outra variável enorme.

O sono.

Se alguém treina pesado, come adequadamente e dorme muito pouco de maneira repetida, está ignorando uma parte fundamental do processo de recuperação.

O mesmo vale para fazer sessões muito intensas todos os dias sem tempo suficiente para adaptação.

Nenhum alimento corrige sozinho um programa de treino mal estruturado.

A recuperação depende do conjunto

Treino bem planejado

Proteína suficiente ao longo do dia

Carboidratos compatíveis com a demanda

Energia total adequada

Hidratação

Sono e descanso

Então qual desses alimentos é o melhor?

Provavelmente nenhum deles isoladamente.

Essa é justamente a parte que costuma desaparecer nas listas.

Ovos são excelentes, mas oferecem poucos carboidratos quando consumidos sozinhos.

Banana fornece carboidrato, mas não é uma grande fonte de proteína.

Salmão entrega bastante proteína e gordura, mas uma refeição de recuperação depois de exercícios que gastaram muito glicogênio pode se beneficiar de uma fonte de carboidratos ao lado.

Pimentão oferece vitamina C, mas obviamente não substitui uma refeição.

Kiwi e abacaxi são frutas nutritivas, mas não são aceleradores mágicos de recuperação.

É justamente a combinação que faz mais sentido.

Três refeições simples mostram como juntar as peças

Depois de treinar pela manhã

Ovos mexidos + pão + fruta + água.

Para um lanche rápido

Iogurte + banana ou kiwi + aveia + algumas amêndoas.

Quando o treino termina perto do jantar

Salmão + arroz ou batata + pimentão e outros vegetais + fruta.

Existe uma diferença entre dor muscular esperada e algo que merece atenção

A dor tardia comum tende a surgir horas depois do exercício e melhorar progressivamente ao longo de alguns dias.

Mas dor extremamente intensa, inchaço importante, fraqueza fora do normal ou urina muito escura depois de esforço intenso não devem ser tratados apenas como “um treino que pegou pesado”.

Da mesma forma, uma dor aguda localizada que começou durante um movimento específico pode representar algo diferente da dor muscular tardia típica.

Nessas situações, não é uma combinação de alimentos que deve ser usada para tentar mascarar o problema.

No fim, os sete alimentos funcionam melhor quando você para de procurar o alimento perfeito

Recuperação esportiva costuma ser vendida como uma coleção de pequenos segredos.

Um ingrediente especial.

Um suplemento obrigatório.

Uma fruta específica.

Uma janela de 30 minutos que não pode ser perdida.

Mas a realidade é muito menos complicada.

Ovos, iogurte, banana, amêndoas, salmão, cúrcuma, pimentão, kiwi e abacaxi são úteis porque oferecem nutrientes que podem compor uma alimentação adequada depois do exercício.

Não porque qualquer um deles consiga eliminar a dor muscular sozinho.

Para quem terminou um treino pesado, a melhor estratégia costuma ser muito mais simples:

comer uma refeição suficiente, colocar uma boa fonte de proteína no prato, incluir carboidratos de acordo com a demanda do treino, beber líquidos e permitir que o corpo descanse.

É esse conjunto repetido ao longo dos dias que tende a importar mais do que qualquer alimento isolado.

A próxima refeição pode ser bem menos complicada do que parece

Se o treino terminou e você não sabe o que comer, pense primeiro em uma fonte de proteína e uma de carboidrato. Ovos com pão, iogurte com fruta ou salmão com arroz já resolvem boa parte da lógica. Os outros alimentos podem completar o prato, mas nenhum precisa carregar sozinho a responsabilidade pela recuperação.

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Camila Fernanda Ribeiro da Luz

Camila Fernanda Ribeiro da Luz escreve sobre curiosidades, entretenimento, tendências e assuntos do cotidiano que despertam interesse e movimentam as conversas do dia a dia.