Renan Santos chama parte dos militares de “vagabundos” durante sabatina e defende incluir Forças Armadas em nova reforma da Previdência

O candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão, chamou parte dos militares brasileiros de “vagabundos” durante sabatina promovida pelo SBT News nesta segunda-feira (17). A declaração ocorreu enquanto ele criticava a atuação das Forças Armadas no combate ao crime organizado e defendia que a categoria seja incluída em uma futura reforma da Previdência.

Renan também criticou regras previstas na Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, e afirmou que os chamados supersalários e penduricalhos do funcionalismo, embora devam ser enfrentados, não representam sozinhos os principais problemas das contas públicas.

Críticas aos militares

Ao comentar segurança pública, Renan afirmou que há militares recebendo salários elevados sem, na avaliação dele, participar efetivamente do enfrentamento ao crime organizado.

“O que mais tem no Brasil é militar vagabundo que não faz nada, que não está preocupado nem um pouco com o crime organizado no Brasil, mas ganha salário de general”, declarou.

O candidato citou ainda o Rio de Janeiro e afirmou que existem militares que circulam com motorista e evitam passar por comunidades que, segundo ele, deveriam estar livres da presença de organizações criminosas.

A crítica fez parte da defesa de Renan por mudanças nas regras previdenciárias. Ele afirmou que, caso uma nova reforma da Previdência seja realizada, integrantes das Forças Armadas também deverão participar das alterações.

Renan também critica regras da CLT

Durante a sabatina, o candidato abordou o mercado de trabalho e voltou a defender mudanças na legislação trabalhista.

Segundo Renan, parte das empresas, especialmente no varejo, enfrenta dificuldades para realizar contratações formais porque trabalhadores estariam optando por atividades informais enquanto recebem benefícios sociais.

O candidato criticou algumas das garantias estabelecidas pela CLT e defendeu maior flexibilização nas relações entre empresas e trabalhadores.

Ao falar sobre os gastos públicos, Renan afirmou que os supersalários e os chamados penduricalhos pagos a determinadas categorias do funcionalismo chamam atenção, mas avaliou que esses gastos não são os maiores responsáveis pelo desequilíbrio fiscal brasileiro.

“Falar de penduricalhos é fácil, falar de supersalários é fácil, mas nem de longe é o maior dos problemas”, afirmou.

Candidato admite negociação com o Centrão

Questionado sobre nunca ter ocupado um cargo público, Renan disse considerar que possui experiência suficiente para comandar o país e citou sua atuação na liderança de um movimento político ao longo dos últimos anos.

O candidato também reconheceu que, caso seja eleito, pretende negociar politicamente com partidos do Centrão, apesar das críticas feitas anteriormente por integrantes de seu grupo político a esse tipo de articulação no Congresso.

Nos minutos finais da entrevista, Renan afirmou já ter escolhido quem gostaria de indicar para o Ministério da Fazenda em um eventual governo, mas não revelou o nome.

Segundo ele, a divulgação antecipada prejudicaria um evento de campanha no qual pretende apresentar a escolha.

A entrevista de Renan abriu a rodada de sabatinas presidenciais organizada pelo SBT e pelo SBT News. A programação prevê entrevistas com candidatos à Presidência ao longo da semana, até sábado (22).

Avatar photo

João Pedro Rafannelli

João Pedro Rafannelli acompanha os principais acontecimentos do Brasil, com foco em notícias, decisões, fatos relevantes e temas que impactam diretamente o dia a dia da população.