Quando uma mulher percebe que o cabelo está caindo, a primeira dúvida que costuma surgir é qual produto comprar na farmácia para resolver logo a situação. No entanto, a pergunta mais importante que devemos fazer é entender o verdadeiro motivo pelo qual os fios estão se soltando da cabeça.
A perda de cabelo mexe bastante com a autoestima e os sinais costumam aparecer com facilidade no ralo do chuveiro, na escova de pentear, na fronha do travesseiro e na frente do espelho.
Só que nem todo tipo de queda tem a mesma causa ou vai se resolver com os mesmos cuidados caseiros. Na rotina dos consultórios, existem duas situações muito comuns que acontecem com frequência e que são completamente diferentes entre si, chamadas de eflúvio telógeno e alopecia androgenética.
Quando a queda acontece por causa do estresse no corpo
O eflúvio telógeno é aquele quadro que provoca uma queda de cabelo muito intensa e repentina. A pessoa começa a notar tufos de cabelo soltos pelas roupas e pela casa, ficando assustada com a quantidade de fios perdidos de uma só vez durante o banho.
Esse problema costuma surgir depois que o corpo passa por algum momento de grande desgaste físico ou emocional. Pode acontecer após episódios de febre alta, infecções fortes, cirurgias no hospital, período pós parto, estresse excessivo no trabalho, dietas muito radicais ou perda de peso rápida.
Como o ciclo de crescimento do cabelo é mais lento, a queda forte não aparece no mesmo dia em que o estresse acontece. É muito comum que os fios comecem a cair de verdade cerca de dois a três meses depois do ocorrido.
Nessa situação temporária, uma quantidade muito grande de fios entra na fase de queda ao mesmo tempo, como se fosse um reflexo de defesa do próprio corpo após um período puxado.
Quando o problema principal é a perda de volume
Na alopecia androgenética, que é a calvície de padrão feminino, o processo acontece de uma maneira bem diferente e silenciosa.
A mulher quase não vê tufos de cabelo caindo no chão, mas percebe aos poucos que o rabo de cavalo vai ficando cada vez mais fino, a risca central do cabelo parece mais alargada e o couro cabeludo começa a aparecer com facilidade sob a luz.
Isso acontece porque a raiz do cabelo vai encolhendo com o passar do tempo. O fio que antes nascia grosso e forte passa a nascer cada vez mais fininho, ralo e frágil até parar de crescer.
Nas mulheres, esse afinamento costuma se concentrar na parte de cima da cabeça e no meio da divisão dos fios, mantendo a linha da frente do cabelo preservada.
Essa característica está diretamente ligada à genética da família e à sensibilidade natural da raiz aos hormônios do corpo.
Isso não quer dizer que a mulher esteja com excesso de hormônios masculinos no sangue, já que na maioria das vezes os exames de rotina aparecem completamente normais.
Também pode acontecer de uma mulher já ter essa tendência genética ao afinamento e, em seguida, passar por uma fase de estresse, parto ou dieta restritiva.
Nesse caso, a queda temporária do eflúvio se junta com a genética e faz com que as falhas no couro cabeludo fiquem muito mais visíveis e evidentes de repente.
Por essa razão, achar que toda queda de cabelo se resolve tomando qualquer vitamina comprada na internet é um erro muito comum.
Os suplementos só ajudam quando os exames mostram que realmente existe uma falta de nutrientes no sangue, mas não conseguem mudar sozinhos uma questão genética.
A influência da alimentação e da perimenopausa
Fazer dietas malucas, comer pouca proteína e ter baixos níveis de ferro, vitamina B12, zinco ou vitamina D no organismo enfraquece a raiz e faz o cabelo cair por inteiro.
Isso costuma acontecer bastante com pessoas que emagrecem muito rápido sem o acompanhamento de um profissional de nutrição.
Corrigir a alimentação e repor as vitaminas ajuda bastante quando esse é o problema principal, mas não resolve a calvície genética por si só.
Na fase da perimenopausa, as oscilações naturais nos hormônios femininos também podem mexer com o ciclo dos fios, diminuindo o volume total e acelerando o afinamento.
Essas mudanças no cabelo não devem ser vistas como algo inevitável da idade, pois existem formas eficientes de cuidar da raiz.
Como descobrir o tratamento correto para o seu caso
O primeiro passo para tratar o problema é passar por uma avaliação com um médico especialista para investigar a rotina e a saúde do corpo:
- Identificar há quanto tempo a queda começou e se houve cirurgias, parto, dietas restritivas ou estresse nos últimos meses.
- Analisar em quais regiões da cabeça os fios estão caindo ou ficando mais ralos.
- Fazer um exame detalhado do couro cabeludo com câmera para avaliar a espessura de cada fio.
- Realizar exames de sangue para checar as taxas de ferro, ferritina, vitaminas e o funcionamento da tireoide.
A queda de cabelo mexe muito com a nossa confiança, mas não precisa ser motivo de desespero ou de gastos com promessas milagrosas.
Nenhum xampu comum consegue engrossar uma raiz geneticamente fina e nenhuma vitamina cura uma queda causada pelo estresse do corpo.
Antes de gastar dinheiro com produtos aleatórios, o melhor caminho é entender o que o seu organismo está tentando sinalizar para tratar o problema na raiz com o acompanhamento médico correto.




