Quase metade dos idosos brasileiros precisa de prótese dentária e saúde da boca pode afetar alimentação, fala, autoestima e autonomia no envelhecimento

Quase metade dos brasileiros entre 65 e 74 anos relata necessidade de prótese dentária, um problema que pode afetar muito mais do que a aparência do sorriso. Dificuldades para mastigar e falar, mudanças na alimentação e até impactos na convivência social estão entre as consequências associadas à perda dos dentes durante o envelhecimento.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, o SB Brasil 2023, mostram que 49,58% das pessoas dessa faixa etária indicaram necessidade de próteses para substituir dentes perdidos. Além disso, 55,37% relataram necessidade de algum tratamento odontológico.

Os números mostram que envelhecer não significa necessariamente perder os dentes, embora a perda dentária ainda seja uma realidade importante entre os idosos brasileiros.

Perda total dos dentes caiu, mas ainda atinge mais de um terço dos idosos

O levantamento também revela uma melhora significativa quando os números atuais são comparados aos registrados há pouco mais de uma década.

Em 2010, 53,7% das pessoas entre 65 e 74 anos avaliadas pelo SB Brasil haviam perdido todos os dentes naturais. Em 2023, esse percentual caiu para 36,27%.

Apesar da redução, mais de um terço dos idosos avaliados ainda apresentava perda total dos dentes. O Ministério da Saúde também aponta que aproximadamente um em cada três idosos dessa faixa etária apresentava um ou mais dentes com cárie.

Para o dentista Marcelo Rodrigues, da Oral Sin Implantes, os dados mostram por que a perda dentária não deve ser tratada simplesmente como uma consequência inevitável da idade.

Segundo ele, identificar problemas bucais mais cedo e manter cuidados preventivos pode impedir que situações inicialmente controláveis avancem para quadros mais complexos.

Problema pode mudar até o que o idoso coloca no prato

Uma das consequências mais imediatas da falta de dentes aparece durante a alimentação. Quando a mastigação fica comprometida, alimentos mais duros, consistentes ou fibrosos podem se tornar difíceis de consumir.

Nessas situações, algumas pessoas passam a substituir esses alimentos por opções mais macias. Dependendo das escolhas feitas ao longo do tempo, a mudança pode afetar a qualidade da alimentação.

Marcelo Rodrigues explica que a perda de dentes diminui a eficiência da mastigação e pode levar o paciente a evitar determinados alimentos. Para o profissional, essa alteração prolongada na dieta pode repercutir no estado nutricional e na saúde geral.

O próprio Ministério da Saúde destaca que próteses dentárias podem auxiliar na mastigação e na fala de pessoas que perderam dentes naturais, além de ajudar na manutenção do equilíbrio das estruturas da face.

Impacto também pode aparecer na autoestima e na vida social

As consequências não ficam restritas à mastigação. A condição dos dentes pode interferir na fala, no sorriso e na maneira como a pessoa se sente ao participar de situações sociais.

Dados do SB Brasil indicam que mais da metade dos idosos avaliados relatou algum impacto das condições bucais nas atividades do cotidiano. Entre os problemas mencionados aparecem dificuldade para comer e vergonha de sorrir ou falar.

Em alguns casos, o desconforto com a própria aparência ou com dificuldades de comunicação pode fazer com que a pessoa reduza a participação em conversas, encontros familiares e outras atividades sociais.

Envelhecimento da população aumenta peso do problema

A saúde bucal dos idosos ganha ainda mais importância à medida que a população brasileira envelhece.

Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, a parcela da população com 60 anos ou mais passou de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023. Para 2070, a estimativa é que esse grupo represente aproximadamente 37,8% dos habitantes do país.

Com uma parcela cada vez maior da população chegando à terceira idade, a preservação dos dentes naturais e o acesso à reabilitação odontológica passam a ter impacto crescente sobre autonomia e qualidade de vida.

Outro desafio é que alguns problemas bucais podem evoluir sem provocar dor intensa nas fases iniciais. Sangramento frequente da gengiva, mau hálito persistente, sensibilidade, mobilidade dos dentes, inchaços e feridas que demoram a cicatrizar são alterações que podem exigir avaliação profissional.

Próteses e implantes podem recuperar funções perdidas

Para pessoas que já perderam dentes, diferentes formas de reabilitação podem ser utilizadas para recuperar funções comprometidas. A escolha depende das condições de cada paciente e precisa ser definida após avaliação odontológica.

As próteses podem auxiliar na mastigação e na fala. Implantes dentários também estão entre as possibilidades utilizadas para substituir dentes perdidos, mas a indicação depende de fatores como condições clínicas, estrutura óssea e necessidades individuais.

Além da reabilitação, medidas de prevenção continuam importantes ao longo da terceira idade. Escovação adequada, uso de fio dental, limpeza correta de próteses e implantes e acompanhamento odontológico periódico ajudam a preservar a saúde bucal.

A queda observada na perda total dos dentes entre 2010 e 2023 mostra uma melhora no cenário brasileiro, mas os dados do SB Brasil indicam que a necessidade de próteses e tratamentos odontológicos ainda permanece elevada entre pessoas de 65 a 74 anos.

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João Pedro Rafannelli

João Pedro Rafannelli acompanha os principais acontecimentos do Brasil, com foco em notícias, decisões, fatos relevantes e temas que impactam diretamente o dia a dia da população.