Enquanto as grandes redes de televisão e os principais portais de notícias do país dedicam horas à cobertura do caso Jeffrey Epstein, o brasileiro que enfrenta a rotina de trabalho percebe um abismo entre as manchetes e a sua realidade.
A exposição de documentos de um bilionário estrangeiro morto tornou-se um espetáculo midiático que, na prática, não altera em nada o custo de vida ou a segurança pública no Brasil.
Trata-se de uma cobertura de elite, voltada para a elite, que atua como uma cortina de fumaça sobre os problemas urgentes que o cidadão comum enfrenta todos os dias.
A espetacularização do irrelevante
A insistência em repercutir listas de nomes influentes e conexões sociais de décadas atrás é um exercício de entretenimento, não de informação útil. Para quem acorda cedo e carrega o país nas costas, o desfecho desse escândalo internacional tem impacto nulo.
Ao priorizar esse “show” de Nova York, a mídia tradicional ignora as dificuldades econômicas e sociais do trabalhador brasileiro, preferindo focar em escândalos de luxo que não resultarão em qualquer melhoria para o serviço público ou para o bolso da população.
O distanciamento da grande mídia
Acompanhar o desenrolar do caso Epstein no Brasil é uma perda de tempo planejada para manter o público ocupado com narrativas que não levam a lugar algum.
Em vez de cobrar soluções para a inflação ou para a precariedade da saúde, as emissoras escolhem o caminho do sensacionalismo estrangeiro. Esse foco distorcido trata o brasileiro como mero espectador de uma elite global, enquanto as questões que realmente afetam a vida nas cidades brasileiras são deixadas em segundo plano por uma imprensa que parece ter perdido o contato com a base da pirâmide social.
