Por que algumas pessoas levam muito mais picadas de mosquito que outras? Especialistas apontam 8 motivos que ajudam a explicar quem vira um verdadeiro ímã

Você sai com outras pessoas, permanece no mesmo lugar, enfrenta o mesmo calor e, no fim da noite, parece ser a única pessoa coberta de picadas. Enquanto alguns mal percebem a presença dos mosquitos, outros viram verdadeiros alvos.

E isso não é necessariamente impressão.

Segundo especialistas em entomologia e controle de pragas, algumas pessoas realmente podem ser mais atraentes para os mosquitos do que outras. O motivo não está em uma única característica, mas em uma combinação de sinais que esses insetos utilizam para localizar possíveis hospedeiros.

Dióxido de carbono liberado pela respiração, temperatura corporal, umidade, odores da pele, genética e até aquilo que você está vestindo podem alterar as chances de chamar atenção.

O mosquito não escolhe alguém apenas pelo “sangue”

Antes de picar, o inseto responde a uma combinação de sinais ao redor do corpo. Algumas pessoas simplesmente produzem uma combinação mais fácil de detectar.

Como os mosquitos conseguem encontrar uma pessoa

Adam Hart, entomologista e professor de comunicação científica da Universidade de Gloucestershire, explica que os mosquitos utilizam diferentes pistas simultaneamente.

O dióxido de carbono que eliminamos ao respirar é uma das principais.

À medida que o inseto se aproxima, outros sinais passam a ganhar importância, incluindo calor corporal, umidade e substâncias voláteis presentes no odor da pele.

Como esses fatores variam de uma pessoa para outra, duas pessoas sentadas lado a lado podem despertar níveis bastante diferentes de interesse.

Mosquito alimentando-se sobre a pele humana
Mosquitos utilizam diferentes sinais para localizar possíveis hospedeiros. Foto: James Gathany / CDC, domínio público.

1. Fazer exercício pode deixar você mais fácil de encontrar

Não é exatamente uma boa desculpa para abandonar a academia, mas o exercício reúne várias das características que ajudam o mosquito a encontrar uma pessoa.

Durante a atividade física, aumentamos a produção de dióxido de carbono, a temperatura corporal e a quantidade de suor.

Hart explica que esses são justamente alguns dos sinais utilizados pelos insetos durante a procura por um hospedeiro.

Isso significa que alguém que acabou de correr, caminhar ou praticar outro exercício pode, naquele momento, estar emitindo sinais mais intensos do que uma pessoa descansando ao lado.

O que aumenta durante o exercício

Mais CO₂ pela respiração, aumento da temperatura corporal e maior umidade provocada pelo suor podem facilitar a localização pelo mosquito.

2. O álcool também pode entrar nessa equação

Há algumas evidências de que o consumo de álcool possa aumentar a atração de mosquitos, embora Hart ressalte que os estudos disponíveis são relativamente pequenos.

Por isso, não dá para afirmar que tomar uma bebida automaticamente transformará alguém em alvo.

Uma das explicações propostas é que o álcool pode favorecer alterações relacionadas à temperatura, transpiração e produção de dióxido de carbono.

Ou seja, novamente aparecem sinais que os mosquitos conseguem detectar.

Por outro lado, algumas crenças alimentares bastante populares possuem evidências bem mais fracas.

Hart destaca, por exemplo, que não existe boa evidência de que simplesmente comer alho ofereça proteção útil contra picadas.

3. A cor da roupa pode fazer você se destacar mais

O olfato não é a única ferramenta utilizada pelos mosquitos.

Algumas espécies também utilizam pistas visuais durante a procura por hospedeiros, e experimentos já encontraram respostas diferentes diante de determinadas cores e comprimentos de onda.

Adam Juson, especialista em controle de pragas, explica que roupas escuras podem tornar uma pessoa mais perceptível.

Cores como preto, azul-marinho e vermelho podem se destacar mais para alguns mosquitos.

Por isso, em locais com grande presença desses insetos, roupas claras podem ser uma escolha mais interessante, especialmente quando combinadas com peças que cubram uma parte maior da pele.

A roupa pode ajudar de duas maneiras

Cor: tons mais claros podem chamar menos atenção visual em determinadas situações.

Cobertura: mangas, calças e tecidos que reduzam a quantidade de pele exposta dificultam o acesso do mosquito.

4. Tipo sanguíneo pode ter alguma influência, mas a genética parece ser mais complicada

A velha ideia de que algumas pessoas têm um “sangue mais doce” é uma simplificação.

Segundo os especialistas citados, pesquisas já sugeriram que pessoas com sangue tipo O podem receber um pouco mais de picadas em determinadas condições, mas isso está longe de explicar toda a diferença entre indivíduos.

A genética parece ser uma peça muito mais ampla.

Características que influenciam nosso odor corporal e a química da pele são parcialmente determinadas pelos genes.

Estudos envolvendo gêmeos também sugeriram que a atratividade para mosquitos pode apresentar um componente hereditário.

Isso ajuda a explicar por que uma tendência a receber muitas picadas pode parecer comum entre integrantes de uma mesma família.

Mas não significa que o mosquito consiga avaliar como seu sangue é antes de picar.

Ele responde primeiro aos sinais que chegam até seus sistemas sensoriais, incluindo dióxido de carbono, temperatura, umidade e substâncias químicas presentes ao redor da pele.

5. Seu suor e até as bactérias da pele podem tornar seu cheiro mais interessante

Talvez essa seja uma das explicações mais fascinantes.

Cada pessoa apresenta uma combinação particular de substâncias químicas sobre a pele.

Além disso, nossa pele abriga uma enorme comunidade de microrganismos. Essas bactérias participam da produção de moléculas voláteis que contribuem para nosso odor individual.

Hart explica que diferenças na química da pele e no microbioma podem ajudar a entender por que duas pessoas aparentemente semelhantes são percebidas de maneiras completamente diferentes pelos mosquitos.

Para nós, esse cheiro pode ser praticamente imperceptível.

Para um mosquito procurando alimento, porém, ele pode fazer muita diferença.

Não existe apenas um “cheiro de mosquito”

O inseto integra vários sinais ao mesmo tempo. O odor da pele funciona junto com dióxido de carbono, calor e umidade, formando uma espécie de assinatura individual.

6. Durante a gravidez, as chances de receber picadas podem aumentar

A impressão de que gestantes atraem mais mosquitos não é necessariamente um mito.

Segundo Juson, mulheres grávidas podem apresentar uma frequência maior de picadas, relacionada principalmente a mudanças fisiológicas como maior temperatura corporal e aumento da liberação de dióxido de carbono.

Essas mudanças fornecem justamente dois dos sinais utilizados pelos mosquitos para encontrar hospedeiros.

Isso não significa que toda gestante será atacada constantemente, mas ajuda a explicar por que algumas percebem aumento das picadas durante esse período.

7. Talvez você não seja picado mais, mas simplesmente reaja muito mais

Existe outra possibilidade que frequentemente passa despercebida.

O número de marcas que você enxerga na pele não necessariamente corresponde ao número real de picadas recebidas.

Pessoas diferentes podem apresentar respostas inflamatórias bastante diferentes à saliva introduzida pelo mosquito.

Uma pessoa pode desenvolver uma área grande, vermelha, elevada e muito pruriginosa, enquanto outra apresenta apenas uma marca pequena depois de uma picada semelhante.

Isso cria a impressão de que uma delas foi atacada inúmeras vezes e a outra quase não foi tocada.

Pequena reação avermelhada provocada por uma picada de mosquito no braço
A intensidade da reação visível pode variar bastante entre pessoas. Foto: Lauren Bishop / CDC Public Health Image Library, domínio público.

Assim, duas coisas podem acontecer ao mesmo tempo: algumas pessoas realmente atraem mais mosquitos, enquanto outras simplesmente apresentam reações muito mais evidentes depois das picadas.

8. Às vezes a explicação é muito mais simples e está no lugar onde você sentou

Nem tudo depende de genética, suor ou microbioma.

Pequenas diferenças de posição também podem alterar muito a exposição.

Uma pessoa sentada perto de uma janela aberta, próxima a uma área externa ou com mais partes do corpo descobertas pode simplesmente estar mais acessível.

Hart destaca que esses efeitos podem acontecer em uma escala surpreendentemente pequena.

Por isso, mesmo pessoas reunidas na mesma sala ou na mesma mesa podem enfrentar quantidades diferentes de mosquitos.

Os 8 fatores em uma visão rápida

1. Exercício aumenta calor, suor e produção de CO₂.

2. Álcool pode modificar alguns desses mesmos sinais.

3. Roupas escuras podem ser mais perceptíveis para algumas espécies.

4. Genética pode influenciar características que tornam alguém mais atraente.

5. Suor e odor da pele fornecem importantes pistas químicas.

6. Gravidez pode aumentar temperatura e produção de CO₂.

7. Sensibilidade da pele pode fazer uma picada parecer muito mais evidente.

8. Localização pode colocar uma pessoa simplesmente mais perto dos insetos.

O que realmente ajuda a diminuir as picadas

Se grande parte da nossa atratividade depende de características que não conseguimos mudar, como genética e química da pele, a proteção precisa acontecer de outra maneira.

Hart destaca algumas medidas bastante conhecidas e mais confiáveis:

  • Cobrir a pele exposta quando isso for possível.
  • Utilizar telas em portas e janelas em locais com grande presença de mosquitos.
  • Usar mosquiteiros quando necessários.
  • Aplicar repelentes devidamente testados seguindo as instruções do fabricante.
  • Reduzir água parada próxima da residência.
  • Preferir roupas claras e com maior cobertura em áreas com muitos mosquitos.

Entre os ingredientes repelentes estabelecidos citados pelo especialista estão DEET e icaridina, também conhecida como picaridina, quando utilizados de acordo com as orientações do produto.

Alguns truques populares não entregam a proteção que prometem

A vontade de evitar repelentes faz com que muitas soluções caseiras ganhem popularidade, mas os especialistas fazem algumas ressalvas.

Plantas colocadas na janela, alimentos específicos, suplementos vitamínicos, pulseiras ultrassônicas e diferentes óleos vendidos como soluções naturais nem sempre apresentam evidência convincente de proteção.

Uma planta pode produzir compostos com propriedades repelentes e, ainda assim, simplesmente manter um vaso de citronela ou lavanda próximo da janela não equivale ao uso de um repelente testado.

Da mesma forma, alho, vitamina B e dispositivos ultrassônicos não devem ser tratados como substitutos de medidas comprovadas.

Se você sempre é o mais picado do grupo, pode realmente existir um motivo

A combinação entre genética, temperatura corporal, dióxido de carbono, suor, microbioma da pele e ambiente pode fazer algumas pessoas se destacarem muito mais para os mosquitos.

Você pode não conseguir deixar de ser um “ímã”, mas pode dificultar bastante o trabalho do mosquito

A grande conclusão é que não existe uma única característica capaz de explicar por que uma pessoa volta para casa cheia de picadas enquanto outra parece completamente ignorada.

Os mosquitos juntam várias pistas simultaneamente.

Algumas vêm da respiração. Outras da temperatura, do suor, do cheiro produzido pela pele, da genética ou até das bactérias que vivem sobre ela.

Também existem fatores muito mais simples, como roupas, quantidade de pele descoberta e a posição em que alguém está sentado.

Por isso, se você parece ser sempre a pessoa escolhida pelos mosquitos, talvez realmente não seja apenas azar. Você pode estar emitindo exatamente a combinação de sinais que esses insetos conseguem encontrar com mais facilidade.

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Camila Fernanda Ribeiro da Luz

Camila Fernanda Ribeiro da Luz escreve sobre curiosidades, entretenimento, tendências e assuntos do cotidiano que despertam interesse e movimentam as conversas do dia a dia.