IGP-M fecha março em 0,52% com pressão de petróleo e agro, mas mantém deflação anual

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), popularmente conhecido como “inflação do aluguel”, apresentou uma alta de 0,52% em março, revertendo a tendência de queda registrada no mês anterior. O aumento foi influenciado principalmente pela valorização de produtos agropecuários e derivados do petróleo.

Apesar da alta mensal, o IGP-M acumula uma deflação de 1,83% nos últimos 12 meses. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostram um cenário de volatilidade com resultados alternados entre aumentos e quedas.

A pressão sobre o índice veio de diversos setores, refletindo tanto questões internas quanto influências do mercado internacional. A complexidade do cenário econômico global e a instabilidade geopolítica têm impactado diretamente os preços de commodities essenciais, como o petróleo.

Impacto do Petróleo e da Geopolítica no IGP-M

O agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio, especialmente com o conflito iniciado em 28 de fevereiro envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, tem gerado reflexos diretos nos preços de derivados de petróleo. Esse subgrupo registrou uma alta de 1,16% em março, contrastando com a deflação de 4,63% observada em fevereiro.

O economista do Ibre, Matheus Dias, destaca que a alta nos preços do petróleo sinaliza uma possível reversão na trajetória recente e a disseminação dessas pressões para outros segmentos da economia. A região do Oriente Médio é crucial para a produção e o transporte de petróleo, com rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial.

Força do Setor Agropecuário e Outros Componentes

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% do IGP-M, subiu 0,61% em março. A principal força por trás dessa alta veio do setor agropecuário, com destaque para aumentos expressivos em **bovinos, ovos, leite, feijão e milho**. Os ovos, por exemplo, tiveram uma elevação de 16,95% no mês, após já terem subido 14,16% em fevereiro. O feijão acumulou alta de 20,91% em março.

Outros componentes do IGP-M também registraram variações. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30% no indicador, avançou 0,30%, impulsionado pela alta de 1,12% na **gasolina**. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) apresentou uma variação positiva de 0,36%.

Entendendo a “Inflação do Aluguel”

O IGP-M é amplamente conhecido como “inflação do aluguel” por ser o índice frequentemente utilizado para o reajuste anual de contratos de locação imobiliária, com base em sua variação acumulada em 12 meses. Ele também é aplicado no reajuste de algumas tarifas públicas e serviços essenciais.

É importante notar que um IGP-M acumulado negativo nem sempre resulta em aluguéis mais baratos. Muitos contratos estipulam o reajuste apenas se o índice apresentar variação positiva, o que pode manter os valores inalterados em períodos de deflação. A FGV realiza a coleta de preços em sete capitais brasileiras, abrangendo o período de 21 de fevereiro a 20 de março para o cálculo do índice.

Fonte: Fundação Getulio Vargas (FGV)

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Diretor de Estratégia de Conteúdo e responsável pela Redação CEF no portal Catanduvas em Foco. Com uma forte presença digital e mais de 5 mil seguidores em suas redes sociais, Lesk lidera a curadoria de notícias e tendências do grupo Estúdio Mídia Publicidades LTDA. Sob sua coordenação, a redação já produziu mais de 4 mil publicações focadas em agilidade e utilidade pública, alcançando a marca histórica de 10 milhões de acessos no portal.