Juros do cartão de crédito sobem em fevereiro, com rotativo atingindo mais de 435% ao ano

As famílias brasileiras sentiram o impacto do aumento nas taxas de juros em fevereiro, especialmente no uso do cartão de crédito rotativo. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC), a taxa média de juros para pessoas físicas em operações de crédito livre teve uma alta significativa, refletindo um cenário econômico desafiador.

O crédito rotativo, modalidade utilizada quando o consumidor paga menos que o valor total da fatura do cartão, apresentou o maior avanço. Mesmo com a regulamentação recente que busca limitar a cobrança de juros, a taxa anual atingiu impressionantes 435,9%, um dos patamares mais elevados do mercado financeiro.

Essa elevação impacta diretamente o orçamento familiar, tornando o endividamento mais oneroso. Acompanhe os detalhes e entenda as causas e consequências dessa conjuntura econômica, conforme informações divulgadas pelo Banco Central.

Cartão de Crédito Rotativo no Auge dos Juros

Em fevereiro, a taxa média de juros cobrada pelos bancos para concessão de crédito livre a pessoas físicas subiu 1 ponto percentual (p.p.) no mês, totalizando 62% ao ano. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 5,4 p.p. O grande destaque foi o cartão de crédito rotativo, cuja taxa saltou 11,4 p.p., alcançando 435,9% ao ano.

Apesar da limitação na cobrança de juros do rotativo, em vigor desde janeiro de 2024, as taxas continuam elevadas. A medida visa reduzir o endividamento, mas não altera os juros pactuados na contratação. Nos últimos 12 meses, os juros do rotativo para famílias tiveram uma queda de 16,7 p.p., mas a taxa mensal permanece alarmante.

Cartão Parcelado e Outras Modalidades de Crédito

O cartão de crédito parcelado também registrou aumento nos juros. Em fevereiro, a taxa subiu 5,3 p.p. no mês e 16,9 p.p. em 12 meses, chegando a 200,2% ao ano. Para as empresas, as taxas de crédito livre recuaram 0,1 p.p. no mês, mas subiram 1,1 p.p. em 12 meses, atingindo 24,9%.

No crédito direcionado, as taxas para pessoas físicas ficaram em 10,8% ao ano, com leve queda mensal. Para empresas, a taxa subiu 0,2 p.p. no mês, atingindo 13,2% ao ano. Considerando todos os tipos de crédito, a taxa média geral para famílias e empresas foi de 33% ao ano em fevereiro, um aumento de 0,3 p.p. no mês e 2,6 p.p. em 12 meses.

Selic e o Impacto nos Juros Bancários

A alta nos juros bancários acompanha o ciclo de elevação da taxa básica de juros, a Selic. Definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, a Selic estava em 14,75% ao ano. Embora tenha havido uma redução recente de 0,25 p.p., o BC monitora incertezas globais, como o conflito no Oriente Médio, que podem levar a uma revisão do ciclo de cortes.

O objetivo do BC ao elevar a Selic é esfriar a demanda, conter a inflação, encarecer o crédito e estimular a poupança, levando a uma redução do consumo e, consequentemente, dos preços.

Endividamento e Inadimplência em Alta

Em fevereiro, o saldo total de empréstimos concedidos pelos bancos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu R$ 7,145 trilhões, com crescimento de 0,4% em relação a janeiro. O crédito para famílias aumentou 0,6%, enquanto o crédito para empresas ficou estável.

A inadimplência, que representa atrasos acima de 90 dias, subiu 0,2 p.p. no mês e 1 p.p. em 12 meses, registrando 4,3% em fevereiro. Para pessoas físicas, a inadimplência foi de 5,2%. O endividamento das famílias ficou em 49,7% da renda em janeiro, com estabilidade mensal e alta de 1,1% em 12 meses.

Fonte: Banco Central do Brasil.

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Diretor de Estratégia de Conteúdo e responsável pela Redação CEF no portal Catanduvas em Foco. Com uma forte presença digital e mais de 5 mil seguidores em suas redes sociais, Lesk lidera a curadoria de notícias e tendências do grupo Estúdio Mídia Publicidades LTDA. Sob sua coordenação, a redação já produziu mais de 4 mil publicações focadas em agilidade e utilidade pública, alcançando a marca histórica de 10 milhões de acessos no portal.