A PepsiCo acaba de oficializar sua entrada definitiva no mercado de bebidas funcionais com o lançamento nacional da Pepsi Prebiotic Cola nos Estados Unidos. O movimento marca uma mudança de postura da gigante dos refrigerantes.
Com apenas 30 calorias e cinco gramas de açúcar de cana, a nova bebida tenta fisgar o consumidor que busca saúde sem abrir mão do sabor clássico. O diferencial está na adição de três gramas de fibra prebiótica por lata.
O produto chega às prateleiras americanas nas versões Original e Cherry Vanilla. No entanto, para o público brasileiro, a expectativa ainda é de espera, já que não há previsão de lançamento no Brasil até o momento.
O que são prebióticos e por que eles importam
Diferente dos probióticos, que são microrganismos vivos, os prebióticos funcionam como “alimento” para as bactérias boas do nosso intestino. Segundo a Cleveland Clinic, essas fibras não são digeridas pelo corpo, mas nutrem o microbioma.
A maioria dessas bebidas utiliza a inulina, uma fibra vegetal extraída geralmente da raiz de chicória ou do agave. A ideia é melhorar a digestão e fortalecer o sistema imunológico através do trato intestinal.
Um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition em 2019 reforça essa tese. A pesquisa indicou que alimentos ricos em inulina podem aumentar os micróbios benéficos e ajudar na sensação de saciedade.
A guerra das colas saudáveis
A Pepsi não está sozinha nessa corrida. A Coca-Cola já havia lançado a Simply Pop no ano passado, também com foco em fibras. O setor é liderado por marcas nativas como Olipop e Poppi, que popularizaram o conceito.
Inclusive, a PepsiCo movimentou o mercado financeiro ao anunciar a compra da marca Poppi por quase US$ 2 bilhões. Isso mostra que as grandes corporações entenderam que o refrigerante comum está perdendo espaço para opções funcionais.
Especialistas alertam para o consumo moderado
Embora pareça a solução perfeita, a comunidade médica pede cautela. A nutricionista clínica Jessica Alfano, do Huntington Hospital, alerta que ainda faltam pesquisas definitivas sobre a quantidade ideal de prebióticos em forma de bebida.
A FDA (agência reguladora dos EUA) recomenda 28 gramas de fibra por dia. Uma lata de refrigerante prebiótico oferece entre 2 e 9 gramas. Ou seja, a bebida sozinha não resolve uma dieta pobre em nutrientes.
Além disso, o excesso de fibras pode causar efeitos colaterais desconfortáveis. A Cleveland Clinic aponta que o consumo súbito pode gerar inchaço, gases e até diarreia, especialmente em pessoas com síndrome do intestino irritável.
O impacto real no dia a dia
É importante notar que esses refrigerantes são, de fato, mais saudáveis que as versões tradicionais repletas de xarope de milho. Mas eles não são “remédios”. Em 2024, a marca Poppi enfrentou um processo judicial nos EUA.
Uma consumidora alegou que as duas gramas de fibra por lata eram insuficientes para causar qualquer mudança real na saúde intestinal. O caso serve de alerta para o marketing agressivo que envolve esses lançamentos.
Por enquanto, o cenário é de observação. Enquanto os americanos testam a novidade, o mercado brasileiro segue dominado pelas versões Zero Açúcar. A chegada de uma “Pepsi com fibras” por aqui dependeria de uma mudança profunda nos hábitos locais.
O fato é que a indústria de bebidas mudou. O foco agora é oferecer benefícios funcionais, transformando o prazer de beber um refrigerante em uma escolha teoricamente consciente para o organismo.
