Lula aproveita descoberta de petróleo na Foz do Amazonas para provocar Trump e manda recado sobre guerra com o Irã durante visita a navio-sonda da Petrobras no litoral do Amapá

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou a descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas para fazer uma provocação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta segunda-feira (17), durante visita ao navio-sonda que atua na Margem Equatorial, no litoral do Amapá.

Ao comentar o potencial da nova descoberta, Lula citou a guerra envolvendo Estados Unidos e Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte mundial de petróleo.

“Se o presidente Trump quiser ficar fazendo guerra com o Irã e fechar o Estreito de Ormuz, nós vamos abrir para o mundo inteiro a Margem Equatorial”, afirmou Lula.

Na avaliação do presidente, a descoberta pode se tornar um “passaporte para garantir o futuro” do Brasil, especialmente diante da possibilidade de abertura de uma nova fronteira de produção de petróleo e gás no país.

Petrobras ainda precisa medir tamanho da descoberta

Apesar do entusiasmo demonstrado pelo governo, a Petrobras ainda não sabe quanto petróleo existe na área nem se a descoberta terá viabilidade comercial.

A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a perfuração do poço Morpho deverá continuar por mais 15 a 20 dias. Somente com o avanço dos trabalhos será possível reunir informações mais precisas sobre o reservatório.

A descoberta foi anunciada pela Petrobras na sexta-feira (14), após a identificação de hidrocarbonetos durante a perfuração do bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.

O poço está localizado em águas profundas, a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá. A presença de hidrocarbonetos foi detectada por meio de perfis elétricos e de indícios encontrados nas amostras de rocha retiradas durante a perfuração.

A identificação confirma a presença de petróleo na área, mas ainda não significa que exista uma reserva comercial pronta para ser explorada. A estatal precisa delimitar a descoberta e avaliar o volume disponível antes de definir os próximos passos.

Lula vê descoberta como oportunidade para o país

Durante a visita, Lula comparou a importância do momento com a descoberta do pré-sal e afirmou que o Brasil pode ampliar sua relevância no mercado internacional de energia caso o potencial da Margem Equatorial seja confirmado.

Ao mesmo tempo, o presidente afirmou que a exploração de novas reservas de petróleo não significa abandonar a transição energética e a busca por fontes renováveis.

A Margem Equatorial é considerada uma das principais apostas da Petrobras para encontrar novas reservas. A faixa se estende pelo litoral brasileiro entre o Amapá e o Rio Grande do Norte e ganhou ainda mais interesse após grandes descobertas realizadas nos últimos anos na Guiana e no Suriname.

Alcolumbre comemora resultado no Amapá

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também comemorou a descoberta e afirmou que o resultado ocorre depois de anos de articulação pela autorização das pesquisas na região.

Alcolumbre tem sido um dos principais defensores da exploração de petróleo na costa do Amapá e argumenta que uma eventual produção poderá gerar empregos, renda e investimentos para o estado.

Por enquanto, a Petrobras mantém a perfuração e a análise técnica do poço Morpho. A dimensão real da descoberta e a possibilidade de produção comercial dependerão dos resultados obtidos nas próximas etapas da campanha exploratória.

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João Pedro Rafannelli

João Pedro Rafannelli acompanha os principais acontecimentos do Brasil, com foco em notícias, decisões, fatos relevantes e temas que impactam diretamente o dia a dia da população.