Faltavam apenas 11 dias para o nascimento previsto de seu primeiro filho quando Candice Davis percebeu dois sintomas que inicialmente poderiam ser confundidos com desconfortos comuns do fim da gravidez. Primeiro veio a náusea. Depois, uma dor forte na parte superior do abdômen.
Até aquele momento, a gestação havia transcorrido sem grandes problemas. Os exames estavam normais e Candice tinha apresentado poucos sintomas ao longo dos meses. Em poucas horas, porém, a situação mudou completamente e terminou em uma cesariana de emergência, hemorragia no fígado, internação em terapia intensiva e posteriormente a amputação do polegar e de partes dos outros dedos da mão esquerda.
O caso aconteceu nos Estados Unidos, em Pensacola, no estado da Flórida. Candice desenvolveu a síndrome HELLP, uma complicação grave relacionada à pré-eclâmpsia que pode comprometer diferentes órgãos e evoluir rapidamente.
Os primeiros sinais relatados por Candice foram náusea e dor na região superior do abdômen. Esses sintomas podem aparecer na síndrome HELLP e merecem avaliação médica quando surgem durante a gravidez, principalmente quando são intensos ou diferentes do habitual.

A gravidez parecia tranquila até aquele dia
Candice contou que havia ficado positivamente surpresa com a tranquilidade de sua primeira gestação. Os acompanhamentos médicos não indicavam problemas importantes e ela estava muito próxima da data prevista para o parto quando tudo começou.
Em 14 de junho de 2025, enquanto estava perto da piscina, começou a sentir náusea. Conforme o dia avançou, surgiu uma dor na parte superior do abdômen.
O marido insistiu para que ela procurasse atendimento. Candice inicialmente resistiu. Ela trabalhava como recrutadora para uma clínica de obstetrícia e ginecologia e acreditava que conseguiria perceber caso alguma coisa realmente grave estivesse acontecendo.
A opinião de uma amiga, a obstetra Susan Passarella, acabou pesando na decisão. Passarella também recomendou que ela fosse ao hospital.
Candice então procurou o setor de emergência obstétrica do Baptist Hospital, em Pensacola. Foi lá que os primeiros exames começaram a mostrar que a situação não era apenas um desconforto comum do final da gravidez.
A pressão subiu e os exames do fígado pioraram rapidamente
No hospital, os médicos identificaram pressão arterial elevada e decidiram manter Candice internada durante a noite.
O quadro, entretanto, evoluiu depressa. A dor aumentou, a pressão continuou subindo e os níveis das enzimas hepáticas ficaram muito elevados.
Cerca de duas horas depois de sua chegada, a equipe já considerava necessário iniciar o parto.
Candice queria ter o filho por parto vaginal, mas seu estado clínico piorava. Diante da evolução do quadro, médicos e paciente decidiram realizar uma cesariana.
Ela contou que sentia tanta dor na região superior do abdômen que já não conseguia sequer se sentar normalmente. Mesmo a anestesia utilizada naquele momento não conseguiu eliminar completamente o desconforto.

O diagnóstico era síndrome HELLP
A síndrome HELLP é uma condição associada aos distúrbios hipertensivos da gravidez e considerada uma forma grave relacionada à pré-eclâmpsia. O nome vem de três alterações características: destruição de glóbulos vermelhos, aumento das enzimas do fígado e redução da quantidade de plaquetas. /p>
Entre os sintomas descritos estão náusea, vômitos, dor de cabeça e dor na região superior direita do abdômen. Um dos aspectos mais preocupantes é que a síndrome pode aparecer rapidamente e, em determinadas situações, até mesmo antes de uma elevação da pressão arterial ter sido identificada.
| Alteração | O que significa |
|---|---|
| Hemólise | Destruição de glóbulos vermelhos |
| Enzimas hepáticas elevadas | Sinal de comprometimento do fígado |
| Plaquetas reduzidas | Alteração que pode comprometer a coagulação |
É uma emergência obstétrica porque pode ameaçar tanto a gestante quanto o bebê. Casos complicados por hematoma ou ruptura do fígado são particularmente graves e exigem atendimento imediato.
O nascimento do bebê revelou uma lesão de 17 centímetros no fígado
O filho de Candice nasceu com segurança pela cesariana. Logo depois, porém, a situação da mãe tornou-se ainda mais grave.
Segundo o relato médico apresentado pela CBS News, o bebê estava exercendo pressão sobre uma lesão de aproximadamente 17 centímetros no fígado da mãe.
Quando a criança foi retirada, o órgão começou a sangrar intensamente.
A equipe já estava preparada para uma possível complicação hepática porque os exames haviam mostrado alterações importantes. Um cirurgião estava disponível e a cesariana havia sido realizada de maneira que permitisse acesso ao fígado caso fosse necessário.
Mesmo assim, controlar a hemorragia foi difícil.
A sequência do quadro
1. Candice apresentou náusea e dor abdominal.
2. No hospital, a pressão arterial estava elevada.
3. A dor e os exames hepáticos pioraram rapidamente.
4. A equipe decidiu realizar o parto por cesariana.
5. Após o nascimento, uma lesão no fígado começou a sangrar.
6. Candice ficou em estado crítico e precisou de cuidados intensivos.
Os médicos precisaram interromper a cirurgia
A perda de sangue deixou Candice instável demais para que os médicos continuassem tentando resolver todo o problema naquele momento.
A equipe utilizou materiais estéreis para controlar temporariamente a hemorragia e esperou que seu organismo recuperasse condições suficientes para outra intervenção.
Durante esse período, ela não conseguia respirar sozinha.
Susan Passarella, que recebia informações por meio do marido de Candice, contou que naquele momento nem mesmo sabia se a amiga conseguiria sobreviver.
Depois de aproximadamente 24 horas, os médicos finalmente conseguiram controlar o sangramento. No dia seguinte, Candice voltou a respirar sem ajuda dos aparelhos e começou a recuperar a consciência.

O encontro com o filho virou uma das lembranças mais fortes
A primeira memória clara que Candice guarda daquele período aconteceu dois dias depois.
Seu filho, Camden, que naquele momento tinha quatro dias de vida, foi colocado sobre seu peito na unidade de terapia intensiva.
Segundo Candice, o bebê estava chorando e parou quando foi colocado junto dela. Sua irmã percebeu ainda que a pressão arterial de Candice começou a cair naquele momento.
Depois de sobreviver à hemorragia, porém, outra complicação ainda mudaria permanentemente sua rotina.
Coágulos na mão provocaram uma nova batalha
Coágulos se formaram na mão esquerda de Candice. O tratamento tornou-se especialmente complexo porque os médicos não podiam simplesmente utilizar anticoagulantes sem considerar o risco de provocar um novo sangramento no fígado.
A equipe tentou diferentes abordagens, incluindo tratamentos locais e uma câmara de oxigênio hiperbárico.
Mesmo assim, Candice perdeu o polegar e partes dos outros quatro dedos da mão esquerda.
Nas semanas seguintes, passou por seis cirurgias para retirada do tecido danificado e iniciou um processo intenso de terapia para reaprender movimentos e adaptar a maneira de utilizar a mão.
Ao mesmo tempo, tinha um recém-nascido para cuidar.
Até trocar uma fralda precisou ser reaprendido
A vida que Candice havia imaginado para as primeiras semanas com o filho mudou completamente.
No começo da recuperação, ela não conseguia trocar uma fralda sozinha. Precisava de ajuda para alimentar o bebê e também para trocar suas roupas.
O marido e outros familiares passaram a ter participação fundamental durante essa fase.
Com reabilitação e adaptações, porém, a situação evoluiu. Aproximadamente um ano depois do nascimento de Camden, Candice relatou que voltou a realizar de maneira independente as atividades necessárias para cuidar do filho.
Dispositivos adaptativos, incluindo um polegar protético, também passaram a ajudá-la no trabalho e nos exercícios físicos.

Náusea e dor abdominal na gravidez não devem ser ignoradas quando algo parece diferente
A experiência de Candice chama atenção principalmente porque a gravidez parecia estar evoluindo normalmente até muito perto do parto.
A síndrome HELLP pode provocar sintomas que incluem náusea, vômitos, dor de cabeça, sensação de mal-estar e dor na região superior direita do abdômen. Como alguns deles também podem aparecer por outros motivos durante a gestação, o contexto e a avaliação médica são fundamentais.
Isso não significa que toda náusea ou dor abdominal durante a gravidez indique síndrome HELLP. Significa que sintomas intensos, persistentes, repentinos ou claramente diferentes do habitual não devem ser ignorados.
Sinais que merecem avaliação médica durante a gravidez
• Dor forte na parte superior do abdômen, especialmente do lado direito
• Náuseas ou vômitos intensos ou inesperados
• Dor de cabeça forte ou persistente
• Alterações visuais
• Pressão arterial elevada ou sensação importante de mal-estar
Na presença desses sintomas, especialmente durante a segunda metade da gestação, a orientação é procurar avaliação profissional em vez de tentar determinar a causa apenas em casa. A pré-eclâmpsia e a síndrome HELLP podem evoluir rapidamente e atingir diferentes órgãos.
Um ano depois, Candice voltou a fazer planos
Depois de meses de recuperação, cirurgias e terapia, a família encontrou uma nova rotina.
Candice afirmou que conseguiu avançar mais rapidamente do que ela própria e alguns integrantes de sua equipe de reabilitação imaginavam. Voltou a cuidar do filho, adaptou-se às mudanças na mão e retomou atividades físicas.
A família decidiu passar o verão de maneira tranquila e, em vez de organizar uma grande viagem para o primeiro aniversário de Camden, preferiu aproveitar um período mais calmo depois de tudo o que havia acontecido no ano anterior.
Candice também passou a planejar a participação em uma corrida de revezamento ao lado da obstetra e amiga Susan Passarella.
Mais do que contar uma história de recuperação, ela espera que sua experiência sirva como um alerta para outras gestantes.
A principal mensagem que passou depois do episódio foi simples: mesmo quando toda a gravidez parece estar transcorrendo bem, mudanças importantes no corpo merecem atenção.
No caso dela, a decisão de procurar atendimento depois da insistência do marido e da amiga colocou Candice diante de uma equipe médica justamente quando seu quadro começava a se agravar. Horas depois, aquela náusea e aquela dor abdominal haviam se transformado em uma emergência que poderia ter terminado de maneira completamente diferente.

