O avanço da tecnologia de pagamento por aproximação trouxe uma agilidade sem precedentes para o comércio brasileiro. Mas, na mesma velocidade em que as filas diminuem, a criatividade dos criminosos aumenta para explorar brechas de segurança no sistema.

Especialistas em segurança digital e instituições financeiras alertam que a facilidade de transacionar valores sem o uso de senha é o principal alvo dos golpistas. O método, que utiliza a tecnologia NFC (Near Field Communication), virou o cenário perfeito para furtos invisíveis.

Como funcionam as novas táticas de roubo

Segundo relatos colhidos por autoridades policiais e especialistas do setor bancário, o golpe mais comum ocorre em locais de grande aglomeração, como transporte público e grandes eventos. O criminoso aproxima uma maquininha de cartão do bolso ou bolsa da vítima.

Como a maioria dos bancos permite compras de até R$ 200,00 sem a necessidade de digitar a senha, o valor é subtraído sem que a pessoa perceba. O impacto só é notado horas depois, quando o usuário confere o extrato no celular.

Outra modalidade preocupante envolve a adulteração física dos terminais de pagamento. Criminosos instalam softwares maliciosos ou dispositivos extras, conhecidos como chupa-cabras modernos, que capturam dados sensíveis no momento em que o cliente encosta o cartão ou o celular.

O perigo do toque fantasma e telas falsas

A sofisticação chegou ao ponto do chamado toque fantasma. Nesse cenário, a máquina de cartão exibe uma tela de erro falsa ou um valor menor do que o real. Ao tentar repetir a operação, o cliente acaba autorizando pagamentos duplicados ou entregando dados para clones.

Além disso, o phishing focado em carteiras digitais tem crescido. Mensagens de texto ou e-mails falsos induzem o usuário a cadastrar o cartão em sites fraudulentos. Com esses dados, o golpista habilita o cartão em seu próprio dispositivo para fazer compras remotas.

Estratégias de defesa para o consumidor

Para não se tornar mais uma estatística, a mudança de comportamento é essencial. De acordo com orientações da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), o monitoramento em tempo real via aplicativo é a ferramenta de defesa mais eficaz disponível hoje.

Ativar as notificações de transação (push) permite que o usuário saiba instantaneamente se uma compra não autorizada foi feita. Se o aviso chegar sem que você tenha usado o cartão, o bloqueio imediato pelo app pode evitar prejuízos maiores.

Outra recomendação técnica importante é o uso de carteiras ou cartões com bloqueio RFID. Essas capas protetoras possuem uma malha metálica que impede a leitura do sinal do cartão enquanto ele está guardado, anulando a chance de cobranças indevidas por aproximação física.

Ajuste de limites e segurança digital

Uma medida prática e pouco utilizada é a personalização dos limites diários. A maioria dos aplicativos bancários permite que o cliente reduza o valor máximo para compras por aproximação. Manter um limite baixo para o dia a dia e aumentá-lo apenas quando necessário é uma estratégia inteligente.

É fundamental também desconfiar de máquinas com visores danificados ou que pareçam ter peças soltas. Em estabelecimentos desconhecidos, prefira inserir o cartão e digitar a senha, o que garante uma camada extra de criptografia na transação.

A tecnologia não é a vilã, mas a falta de atenção ao contexto de segurança pode custar caro. O pagamento por aproximação veio para ficar, mas o uso consciente e o ajuste das ferramentas de proteção são as únicas formas de garantir que a praticidade não vire um pesadelo financeiro.

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Jornalista com registro profissional (MT) e fundador do portal Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui uma trajetória sólida como produtor de eventos desde 1998 e desenvolvedor web desde 2007, com especialização em WordPress e estratégia de conteúdo digital. É o Diretor-Geral da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, onde lidera a produção de notícias factuais que já alcançaram mais de 10 milhões de leitores em todo o Brasil.