Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, detalhou os impactos financeiros que o fim da escala 6×1 traria para o mercado de trabalho no Brasil. A pesquisa mostra que a mudança para uma jornada de 40 horas semanais, no formato 5×2, causaria um aumento de 7,84% nos custos com funcionários registrados.
Nossa equipe apurou que o levantamento levou em conta os 44 milhões de trabalhadores que seguem as regras da CLT. Atualmente, a grande maioria desses profissionais, cerca de 31,8 milhões, trabalha 44 horas por semana. O cálculo do Ipea é baseado na lógica de que, se o salário mensal continua o mesmo e as horas trabalhadas diminuem, o valor de cada hora paga pelo patrão fica mais caro.
Impacto varia conforme o setor da economia
O estudo do Ipea revelou que nem todas as áreas seriam afetadas da mesma forma. Os setores que mais sentiriam o peso no bolso seriam os de vigilância, segurança, limpeza e seleção de pessoal. Nessas atividades, o custo para operar subiria cerca de 6%, já que esses serviços dependem quase totalmente do trabalho humano e não podem ser substituídos por máquinas.
Por outro lado, a indústria e o comércio teriam um impacto bem menor, estimado em apenas 1%. Isso acontece porque esses ramos utilizam muita tecnologia e automação, o que faz com que o gasto com salários não seja a maior parte de suas despesas totais. Ao todo, esses dois setores empregam mais de 13 milhões de brasileiros.
Economia brasileira tem fôlego para absorver mudança
Segundo os pesquisadores responsáveis pelo trabalho, o Brasil vive um momento favorável para essa discussão. O técnico de planejamento do Ipea, Felipe Pateo, explicou que o mercado de trabalho está aquecido e com desemprego baixo. Ele lembrou que, em 1988, a jornada caiu de 48 para 44 horas e a economia não sofreu danos no nível de emprego.
O levantamento também simulou um cenário mais radical, com a jornada caindo para 36 horas semanais (escala 4×3). Nesse caso, o aumento nos custos trabalhistas saltaria para 17,57%. No entanto, o Portal Catanduvas em Foco apurou que o foco atual das discussões no governo e no Congresso é uma transição gradual para evitar sustos na economia.
Tramitação da proposta no Congresso Nacional
A discussão ganha força com a PEC 148/2015, que foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no fim de 2025. O texto propõe que, logo após a aprovação, a jornada caia para 40 horas. Depois disso, haveria um corte de uma hora por ano até chegar ao limite de 36 horas semanais.
Especialistas acreditam que a mudança pode até ajudar a diminuir o trabalho informal, já que a CLT ficaria mais atraente para o trabalhador. Quanto ao risco de inflação, o Ipea afirma que o impacto seria apenas no momento da troca das escalas, sem gerar uma alta de preços contínua no país.
