O bilionário Elon Musk deu mais um passo agressivo para consolidar o X (antigo Twitter) como o centro da vida digital. O lançamento do XChat marca o início de uma ofensiva direta contra o domínio do WhatsApp e do Telegram no ocidente.

A nova plataforma de mensagens e chamadas criptografadas já começou a ser liberada gradualmente para os usuários. O objetivo é claro: transformar o que era apenas uma rede de microblogs em um superaplicativo capaz de gerenciar toda a rotina do usuário.

Desde que adquiriu o Twitter por US$ 44 bilhões em 2022, Musk sinalizava que o sistema de mensagens diretas (DMs) era obsoleto. O XChat chega para substituir essa estrutura antiga por um protocolo de segurança muito mais robusto e moderno.

A estratégia do superapp ocidental

A inspiração para o movimento não é segredo. Musk busca replicar o sucesso do WeChat chinês, onde o cidadão faz tudo: conversa, trabalha e paga contas. A integração do XChat ao ecossistema do X é o pilar central dessa visão ambiciosa.

Na prática, o usuário não precisará mais sair do aplicativo para resolver questões privadas. Se uma discussão começa na “praça pública” do X, ela pode migrar instantaneamente para um chat privado com criptografia de ponta a ponta.

Essa mudança é estratégica porque retém a atenção do público por mais tempo. Ao oferecer envio de arquivos pesados e mensagens temporárias, o XChat atende às demandas que hoje levam as pessoas para os concorrentes da Meta.

Segurança e inteligência artificial

Um dos diferenciais competitivos destacados pela equipe de desenvolvimento é a integração com o Grok, a inteligência artificial da xAI. Isso permite que o chat seja mais do que uma troca de textos, tornando-se uma ferramenta de produtividade.

Além disso, o foco na segurança busca atrair usuários céticos com as políticas de privacidade de Mark Zuckerberg. Musk promete um código ininteligível para terceiros, garantindo que as conversas permaneçam estritamente entre os interlocutores.

Mas o plano vai além da comunicação. O X já prepara a chegada de serviços financeiros em parceria com a Visa. Em breve, o XChat deve permitir transferências de dinheiro e pagamentos digitais diretamente na janela de conversa.

O desafio de desbancar o WhatsApp

Apesar do peso financeiro de Elon Musk, a missão de “aposentar” o WhatsApp é complexa. O aplicativo da Meta possui uma base de usuários gigantesca e já está profundamente enraizado na cultura de países como o Brasil.

Para vencer essa barreira, o XChat aposta na conveniência de ter tudo em um só lugar. A ideia de não precisar pular entre aplicativos para ler notícias e falar com a família é o grande trunfo do bilionário para atrair o público jovem.

O mercado observa com cautela. Especialistas em tecnologia apontam que a fragmentação das redes sociais costuma cansar o usuário, mas a unificação proposta por Musk pode ser o diferencial que faltava para o X se tornar lucrativo.

Futuro das comunicações digitais

O lançamento cadenciado nas próximas semanas servirá como um teste de estresse para a infraestrutura do X. Se o serviço se provar estável e intuitivo, poderemos ver uma migração em massa de comunidades que buscam mais liberdade e recursos.

O fato é que a era das redes sociais de função única parece estar chegando ao fim. O XChat não é apenas um novo mensageiro, mas a peça final de um quebra-cabeça que pretende controlar a economia da atenção global.

Resta saber se o público está disposto a entregar todos os seus dados e transações para uma única empresa. A disputa entre Musk e os gigantes do setor está apenas começando e promete redesenhar a internet como a conhecemos.

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Jornalista com registro profissional (MT) e fundador do portal Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui uma trajetória sólida como produtor de eventos desde 1998 e desenvolvedor web desde 2007, com especialização em WordPress e estratégia de conteúdo digital. É o Diretor-Geral da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, onde lidera a produção de notícias factuais que já alcançaram mais de 10 milhões de leitores em todo o Brasil.