Brasileira e bebê lutam para sair do Líbano em meio a bombardeios e escassez

A paranaense Chirin Hussein Jaber, de 30 anos, natural de Foz do Iguaçu, vive uma situação de desespero no sul do Líbano. Há três semanas, ela tenta retornar ao Brasil com sua filha de apenas cinco meses, Fátima Hadi Mokh. A família precisou fugir às pressas de Nabatieh, cidade onde moravam, devido aos intensos bombardeios que se tornaram rotina na região.

Desde a fuga, Chirin e Fátima enfrentam condições precárias, incluindo abrigos lotados, falta de alimentos e severas dificuldades de higiene. A situação se agrava com a bebê apresentando problemas de saúde, necessitando de internação hospitalar em um ambiente já fragilizado.

A esperança de Chirin reside na Embaixada do Brasil em Beirute, que confirmou estar ciente do caso e prestando assistência consular. No entanto, a burocracia para a emissão de documentos e o planejamento do repatriação avançam lentamente, enquanto a tensão na fronteira libanesa continua a escalar, aumentando o risco para os civis. Conforme informação divulgada pelo g1, a embaixada informou que presta assistência consular, mas não divulga detalhes sobre os serviços.

Fuga desesperada e abrigos improvisados

Chirin Jaber vivia no Líbano há três anos, após se casar com um cidadão libanês. Sua casa em Nabatieh, localizada a menos de 20 quilômetros da fronteira com Israel, tornou-se um alvo potencial. Com a intensificação dos ataques, a orientação era abandonar a área. A fuga para Sídon, no litoral, que normalmente levaria 30 minutos, transformou-se em uma jornada de 13 horas devido ao êxodo em massa de moradores.

O dia 3 de março marcou o início da fuga. Nos primeiros dias, encontrar um local seguro foi um desafio. Chirin relata que escolas foram transformadas em abrigos improvisados, mas estavam lotadas. “Passamos a noite inteira na rua. Depois fomos procurar outra escola, mas também falaram que estava lotada. A gente ficou chorando pra deixarem a gente entrar, nem que fosse pra ficar no corredor, só eu e minha filha”, desabafou a mãe.

Atualmente, a dupla divide espaço com outras 19 pessoas em uma instituição. As condições nos abrigos são precárias, com escassez de itens básicos como colchões, cobertores e alimentos. A falta de higiene e a aglomeração de pessoas contribuem para a baixa imunidade, especialmente em bebês.

Bebê internada e a luta por documentação

A pequena Fátima Hadi Mokh, de cinco meses, já apresenta complicações de saúde. A bebê está internada com suspeita de bronquiolite, segundo a médica. “Ela pegou gripe e tosse. A médica disse que ela é muito pequena para tomar certos remédios e precisa ficar internada. Aqui a imunidade fica baixa, e tem muita gente no mesmo espaço”, explicou Chirin.

A preocupação com a segurança é constante. Chirin relata que, em momentos de alerta de bombardeio, ela se desloca para áreas próximas ao mar, buscando refúgio na faixa de areia para evitar estilhaços. Além do medo, ela também se preocupa com a insegurança dentro dos abrigos improvisados.

O marido de Chirin, que serve no exército libanês, não pode acompanhá-las. Ele autorizou a saída da filha do país, mas o processo de emissão de documentos emergenciais, como passaporte, tem sido demorado. A embaixada informou que o passaporte emergencial da bebê está pronto, mas Chirin ainda não pôde retirá-lo devido à internação da filha.

Apoio do Brasil e alto custo de passagens

A família de Chirin em Foz do Iguaçu busca apoio do Governo Federal para viabilizar o retorno. O irmão de Chirin, Hade Hussein Jaber, informou que foram comunicados sobre a possibilidade de envio de aviões para buscar brasileiros, mas a emissão do passaporte da bebê é um pré-requisito. A família também enfrenta o alto custo das passagens aéreas, que chegam a mais de R$ 25 mil de Beirute para Curitiba.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que mantém contato constante com brasileiros na região desde o fim de fevereiro, mapeando suas localizações, enviando orientações e auxiliando na busca por abrigos. O governo também acompanha a reabertura do espaço aéreo libanês. Embora o espaço aéreo esteja aberto, não há voos diretos para o Brasil, e a embaixada em Beirute auxilia na obtenção de passagens com a Middle East Airlines.

A escalada de tensões entre Israel e Hezbollah intensificou-se desde o início de março, com ataques aéreos e demolição de casas próximas à fronteira. O Ministro da Saúde do Líbano reportou mais de 634 mortos e 800 mil deslocados nos primeiros 10 dias de conflito, incluindo 91 crianças. A situação humanitária é crítica, e o retorno seguro de brasileiros como Chirin e sua filha se torna cada vez mais urgente. Fonte: g1.globo.com

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Diretor de Estratégia de Conteúdo e responsável pela Redação CEF no portal Catanduvas em Foco. Com uma forte presença digital e mais de 5 mil seguidores em suas redes sociais, Lesk lidera a curadoria de notícias e tendências do grupo Estúdio Mídia Publicidades LTDA. Sob sua coordenação, a redação já produziu mais de 4 mil publicações focadas em agilidade e utilidade pública, alcançando a marca histórica de 10 milhões de acessos no portal.