Capitão do Corpo de Bombeiros e empresário são alvo de ação por desviar e vender doações humanitárias para o Rio Grande do Sul.
O capitão do Corpo de Bombeiros, Gustavo Emmanuel Gonçalves Fogaça, e o empresário Valter Gonçalves Fogaça, ambos de Curitiba, estão no centro de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR). A investigação aponta que ambos teriam desviado e vendido doações destinadas às vítimas das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em maio de 2024.
A suspeita recai sobre o desvio de materiais que estavam armazenados em um galpão da Defesa Civil em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Esses itens, que incluíam equipamentos, ferramentas, instrumentos musicais, roupas e itens de higiene, deveriam seguir para auxiliar os desabrigados e necessitados no estado gaúcho.
O caso ganhou notoriedade em maio do ano passado, quando o capitão foi preso em flagrante pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) enquanto descarregava fardos de energéticos do local de armazenamento. Conforme apurado pelo MP-PR, o capitão teria utilizado sua posição para acessar os depósitos e retirar os produtos, que eram então repassados ao empresário, seu parente, para serem comercializados. O g1 buscou contato com as defesas dos acusados e com o Corpo de Bombeiros, mas não obteve retorno até o momento desta reportagem.
MP-PR pede indenização e ressarcimento de mais de R$ 144 mil
A Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público requer uma série de medidas contra os envolvidos. Entre elas, está o pedido de **indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 50 mil**, além do **ressarcimento integral do dano causado aos cofres públicos e às vítimas**. O MP-PR também solicita a aplicação de multa e a proibição de contratar com o poder público.
No caso específico do capitão, o pedido se estende à **perda do cargo público** e à **proibição de exercer direitos políticos por um determinado período**. A investigação aponta que o uso indevido das doações e a quebra da confiança da população representam graves prejuízos.
Materiais desviados foram encontrados em comércio e registros de vendas
A investigação revelou que parte dos materiais desviados foi encontrada em um **comércio localizado na capital paranaense**. Junto aos itens, foram localizados registros que indicavam as vendas realizadas. O valor total dos materiais recuperados foi estimado em aproximadamente **R$ 144 mil**, demonstrando a dimensão do desvio.
Os produtos desviados incluíam uma variedade de itens essenciais, como equipamentos, ferramentas, instrumentos musicais, roupas e itens de higiene, que eram cruciais para a recuperação das cidades atingidas pelas enchentes.
Acusados também respondem a processos criminais
Além da Ação Civil Pública, o capitão e o empresário também enfrentam **processos criminais pelos mesmos fatos**. O capitão responde na Justiça Militar, enquanto o empresário é processado na Justiça comum. O MP-PR busca, com as ações, garantir a punição dos envolvidos e a reparação dos danos causados.
O caso levanta sérias questões sobre a integridade na gestão de doações humanitárias e a conduta de agentes públicos em momentos de crise. A sociedade aguarda os desdobramentos das investigações e dos processos para que a justiça seja feita.
Fonte: g1.globo.com
