Contas públicas brasileiras registram déficit primário de R$ 16,4 bilhões em fevereiro, com setor público consolidado sob pressão

As contas públicas do Brasil fecharam o mês de fevereiro com um saldo negativo, evidenciando um déficit primário de R$ 16,4 bilhões. Esse resultado reflete a complexa dinâmica fiscal do país, onde o desempenho do Governo Central contrasta com o resultado positivo dos governos regionais.

Este cenário fiscal é um importante indicador para a saúde econômica do país, influenciando a confiança de investidores e as agências de classificação de risco. Acompanhar esses números é fundamental para entender os rumos da política econômica e o impacto das decisões governamentais no cotidiano da população.

Os dados, divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (31), revelam uma ligeira melhora em comparação com fevereiro de 2025, quando o déficit primário foi de R$ 19 bilhões. O resultado primário, que exclui os gastos com juros da dívida pública, é uma métrica chave para avaliar a capacidade do governo de cobrir suas despesas com suas próprias receitas.

Governo Central Luta Contra Gastos Elevados

O Governo Central, responsável pela União, registrou um déficit primário de R$ 29,5 bilhões em fevereiro. Esse resultado foi impactado por gastos significativos, incluindo o Programa Pé-de-Meia e reajustes concedidos ao funcionalismo público. O valor é ligeiramente superior ao déficit de R$ 28,5 bilhões observado em fevereiro de 2025.

É importante notar que o Banco Central utiliza uma metodologia específica para calcular esses números, que considera a variação da dívida dos entes públicos, diferindo em parte dos dados divulgados pelo Tesouro Nacional, que apontou um déficit de R$ 30 bilhões. Essa diferença metodológica, embora sutil, é relevante para a análise detalhada das finanças públicas.

Governos Regionais Compensam Parcialmente o Déficit

Em contrapartida, os governos regionais, que englobam estados e municípios, apresentaram um desempenho positivo, com um superávit de R$ 13,7 bilhões em fevereiro. Esse resultado representa uma melhora significativa em relação aos R$ 9,2 bilhões de superávit registrados no mesmo mês de 2025, ajudando a mitigar o déficit consolidado.

As empresas estatais, excluindo Petrobras e Eletrobras, apresentaram um resultado negativo de R$ 568 milhões em fevereiro, contribuindo para o aumento do déficit consolidado. No ano anterior, essas mesmas entidades haviam registrado um superávit de R$ 299 milhões.

Aumento dos Gastos com Juros e Dívida Pública em Ascensão

Os gastos com juros da dívida pública totalizaram R$ 84,2 bilhões em fevereiro, elevando o déficit nominal das contas públicas para R$ 100,6 bilhões. Este valor representa um aumento em comparação com o déficit nominal de R$ 97,2 bilhões registrado em fevereiro de 2025.

Em um período de 12 meses encerrados em fevereiro, o setor público consolidado acumula um déficit nominal de R$ 1,1 trilhão, o que equivale a 8,48% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse indicador é crucial para as agências de risco avaliarem o endividamento do país.

A dívida líquida do setor público alcançou R$ 8,4 trilhões em fevereiro, representando 65,5% do PIB, um aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao mês anterior. Esse crescimento é atribuído ao déficit primário, aos juros nominais e à valorização do dólar, que impacta a dívida externa.

A dívida bruta do governo geral, que inclui os passivos federais, estaduais e municipais, chegou a R$ 10,2 trilhões, ou 79,2% do PIB, também com um aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao mês anterior. Tanto o resultado nominal quanto a dívida bruta são métricas importantes para comparações internacionais e análises de risco.

Fonte: Banco Central do Brasil

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Diretor de Estratégia de Conteúdo e responsável pela Redação CEF no portal Catanduvas em Foco. Com uma forte presença digital e mais de 5 mil seguidores em suas redes sociais, Lesk lidera a curadoria de notícias e tendências do grupo Estúdio Mídia Publicidades LTDA. Sob sua coordenação, a redação já produziu mais de 4 mil publicações focadas em agilidade e utilidade pública, alcançando a marca histórica de 10 milhões de acessos no portal.