Confiança dos empresários do comércio cai ao menor nível de 2026, enquanto inadimplência atinge recorde de 9,1 milhões de empresas

A confiança dos empresários do comércio brasileiro caiu em agosto para o menor nível de 2026, segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio, o Icec, divulgado nesta quarta-feira (26) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a CNC.

Após ajuste sazonal, o indicador ficou em 101,3 pontos, resultado 0,6% inferior ao registrado em julho.

A piora foi puxada principalmente pela avaliação das condições atuais da economia e dos negócios, enquanto os juros elevados continuam sendo apontados como um dos principais obstáculos para novos investimentos.

Avaliação das condições atuais recua 2,5%

O componente que mede a percepção dos empresários sobre o momento atual caiu 2,5% em agosto.

Segundo a CNC, a taxa básica de juros, atualmente em 14% ao ano, continua pressionando custos e reduzindo o espaço para investimentos.

José Roberto Tadros, presidente da entidade, afirma que muitos empresários demonstram disposição para ampliar a atividade, mas esbarram no custo elevado do crédito.

Queda atingiu todos os segmentos analisados

A percepção sobre as condições atuais piorou em todos os principais segmentos do comércio.

Entre lojas de roupas e calçados, a queda foi de 0,4%. Em supermercados e farmácias, o recuo chegou a 3,5%.

O resultado mais negativo apareceu entre empresas de eletrônicos e materiais de construção, com queda de 4,6%.

Segundo o levantamento, os produtos de maior valor foram os mais afetados pelo cenário de crédito caro e juros elevados.

Inadimplência empresarial bate recorde

O ambiente de juros altos também aparece nos indicadores de endividamento das empresas brasileiras.

Dados da Serasa Experian mostram que 9,1 milhões de CNPJs estavam negativados em junho, o maior número já registrado.

As dívidas em atraso somavam R$ 232,9 bilhões.

A CNC relaciona parte desse avanço da inadimplência ao aperto monetário e ao custo elevado do crédito, que dificultam a renegociação de dívidas e a manutenção do fluxo de caixa.

Empresários ainda demonstram expectativa melhor para os próximos meses

Apesar da queda na confiança geral, os indicadores relacionados ao futuro apresentaram melhora.

A expectativa para a economia avançou 1,1%, enquanto a perspectiva para o próprio setor subiu 0,3%.

Com isso, o indicador de expectativas chegou a 128,2 pontos.

Os comerciantes também projetam aumento de 0,6% nas contratações e de 0,1% nos estoques.

Comércio de produtos essenciais tem cenário mais favorável

O segmento de bens não duráveis, como alimentos e produtos de menor valor, apresentou perspectivas relativamente mais positivas para os próximos meses.

Esses setores tendem a sofrer menos com a restrição de crédito do que segmentos dependentes da venda parcelada de produtos de maior valor.

A CNC, porém, ainda vê incertezas para o médio prazo diante da volatilidade econômica e da proximidade da eleição presidencial de outubro.

O cenário combina, portanto, uma percepção mais negativa sobre o momento atual com uma expectativa de alguma melhora futura, enquanto juros altos e inadimplência recorde continuam pressionando o comércio brasileiro.

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Rafael de Almeida Campos

Rafael de Almeida Campos escreve sobre negócios, economia, empresas, empreendedorismo e mercado, acompanhando tendências, oportunidades e assuntos que influenciam a vida financeira e profissional.