Aquele item inofensivo que repousa sobre a sua pia pode ser o maior inimigo da sua saúde doméstica. Um novo alerta científico reacendeu o debate sobre a higiene na cozinha.
De acordo com a Dra. Primrose Freestone, Professora Associada de Microbiologia Clínica da Universidade de Leicester, a maioria das pessoas está errando feio na manutenção das esponjas.
A recomendação da especialista é drástica: a esponja de cozinha deve ser descartada diariamente. O motivo é simples e assustador: o acúmulo de patógenos ocorre de forma quase instantânea.
O perigo invisível em menos de um dia
Em um experimento detalhado, a equipe da Dra. Freestone analisou esponjas usadas por diferentes períodos, variando de 24 horas a cinco meses de uso contínuo.
Os resultados foram perturbadores. Após apenas 14 horas de uso, os pesquisadores encontraram quantidades substanciais de bactérias, mesmo quando o item era lavado com detergente antibacteriano e água quente.
O estudo revelou que a estrutura porosa da esponja é o ambiente perfeito para o crescimento de microrganismos. O detergente comum não consegue alcançar as camadas internas onde os germes se escondem.
Salmonella e Listeria no seu prato

A análise identificou a presença de vilões conhecidos da saúde pública, como a Salmonella, a Listeria e até bactérias resistentes a antibióticos.
Esses germes são responsáveis por quadros graves de intoxicação alimentar. A Salmonella, por exemplo, pode causar febre alta, vômitos e, em casos extremos, levar à morte se a infecção se espalhar.
O risco aumenta exponencialmente quando a esponja entra em contato com carne crua, peixes ou vegetais que ainda carregam restos de terra e adubo.
Fungos e colonização bacteriana severa
Para quem costuma manter a mesma esponja por semanas, o cenário é ainda pior. Esponjas com dois meses de uso apresentaram evidências claras de colonização fúngica.
Isso significa que, ao tentar limpar um prato, você pode estar, na verdade, espalhando uma camada invisível de fungos e bactérias por toda a sua louça.
A Dra. Freestone é enfática ao dizer que, se a esponja tocou em carne crua, ela deve ser jogada fora no mesmo instante. Não há limpeza que garanta a segurança total.
A alternativa das escovas de limpeza
Diante do risco, muitos consumidores estão migrando para o uso de escovas de plástico ou silicone. Mas será que elas resolvem o problema definitivamente?
Segundo a microbiologista, as escovas tendem a ser mais higiênicas porque secam mais rápido e não possuem poros profundos. Mas elas também exigem atenção e troca periódica.
O fato é que a umidade constante da pia é o combustível para a proliferação de doenças. Manter os utensílios secos entre os usos é uma regra de ouro que poucos seguem.
Muita gente questiona o impacto financeiro e ambiental de trocar a esponja todo dia. No entanto, o conselho médico foca exclusivamente na prevenção de infecções.
Esponjas são baratas, mas o tratamento para uma infecção por Salmonella pode custar caro e deixar sequelas. É uma escolha entre economia e segurança biológica.
Se você não pretende trocar o item diariamente, o mínimo aceitável seria a troca semanal, desde que a esponja seja higienizada e mantida totalmente seca após cada utilização.
