O influenciador fitness Renato Cariani trouxe à tona um debate que divide opiniões, mas que ganha cada vez mais força nos laboratórios: a relação entre a restrição calórica e o aumento da expectativa de vida. Com milhões de seguidores, Cariani defende que o excesso alimentar é um vilão silencioso que cobra o preço não apenas na estética, mas no funcionamento de todo o organismo.
Segundo o empresário, estratégias como o jejum controlado e a redução da ingestão de calorias ajudam o corpo a “organizar a casa”. Para ele, quem come até ficar cheio o tempo todo acaba inflamando o próprio sistema. Mas será que essa afirmação tem base real? A resposta curta é sim, mas com ressalvas importantes que o leitor precisa entender antes de fechar a boca.
O que a ciência diz sobre a fome controlada
A tese de Cariani não é nova no meio acadêmico. Um dos marcos desse estudo ocorreu em 1935, na Universidade de Cornell, onde pesquisadores descobriram que ratos submetidos a dietas restritivas viveram 30% mais. Mais recentemente, o estudo CALERIE, publicado no periódico The Lancet Diabetes & Endocrinology, acompanhou humanos por dois anos e trouxe dados impressionantes.
Os participantes que reduziram cerca de 12% das calorias diárias apresentaram melhoras significativas na pressão arterial, nos níveis de colesterol LDL e na sensibilidade à insulina. Ou seja, comer menos realmente “rejuvenesce” os indicadores de saúde. Além disso, uma pesquisa da Universidade Estadual da Pensilvânia, publicada na revista Aging Cell em 2024, sugere que a restrição calórica pode retardar o envelhecimento genético ao preservar os telômeros (protetores do DNA).
O impacto social da abundância alimentar
Vivemos em uma era de hiperabundância. O acesso facilitado a produtos ultraprocessados criou uma cultura de consumo imediato e excessivo. Quando Cariani diz que o corpo paga o preço, ele toca em um ponto nevrálgico da saúde pública brasileira. A obesidade e as doenças metabólicas são hoje as maiores causas de morte evitáveis, e a solução pode estar justamente no caminho inverso ao do consumo desenfreado.
No entanto, é preciso cautela. O próprio estudo da USP, coordenado pela professora Alicia Kowaltowski, alerta que a restrição severa pode afetar órgãos como os rins em certas condições. Portanto, a análise analítica do fato nos mostra que o segredo não é passar fome, mas sim buscar a eficiência metabólica. Comer com consciência é, antes de tudo, um ato de sobrevivência a longo prazo.
A disciplina como ferramenta de saúde
O recado de Cariani ressoa porque ele personifica a disciplina. Mas para o cidadão comum, a aplicação prática deve ser orientada. O jejum intermitente, citado pelo influenciador, funciona como um agente de estresse positivo para as células, promovendo a autofagia — um processo de limpeza celular onde o corpo elimina componentes danificados.
Em suma, a fala do influenciador está alinhada com o que há de mais moderno na gerontologia. Comer menos não significa apenas emagrecer; significa dar ao corpo a chance de se autorreparar. Se os dados da Universidade de Duke e de Cornell estiverem certos, a fonte da juventude pode não estar em um suplemento caro, mas sim no que deixamos de colocar no prato todos os dias.
