O que era para ser apenas um passatempo para conversar com a família ou ver vídeos de receitas virou uma armadilha perigosa para muitos idosos. A situação é séria e os sinais de dependência estão aparecendo cada vez mais nas casas brasileiras. Não se trata apenas de gostar de internet mas de não conseguir mais viver sem ela.

Tudo começou a apertar durante a pandemia. Naquela época o isolamento forçou todo mundo a entrar no mundo digital para não morrer de solidão. O problema é que o tempo passou e o hábito de ficar grudado na tela ficou impregnado.

Hoje vemos avôs e avós que deixam de fazer uma caminhada ou de bater papo com o vizinho para ficar rolando a tela do celular por horas. Esse comportamento gera um ciclo vicioso onde a pessoa se sente conectada mas no fundo está cada vez mais sozinha.

Como o vício mexe com a saúde e a rotina

O impacto dessa dependência digital vai muito além de perder tempo. Os especialistas notam que o sono é o primeiro a sofrer. A luz do aparelho e o excesso de informação deixam o cérebro agitado e a noite de descanso vira um pesadelo. Além disso surge uma irritabilidade que ninguém entende. Se o sinal da internet cai ou se alguém chama a atenção sobre o uso do celular a reação costuma ser de briga ou negação.

É o mesmo comportamento que vemos em jovens mas com o peso de uma idade que exige mais cuidados com a saúde mental.

Outro ponto que preocupa é a ansiedade. O idoso começa a esperar ansiosamente por uma curtida ou um comentário no que postou. Se a resposta não vem logo bate aquela tristeza ou sensação de esquecimento. As redes sociais são projetadas para prender a atenção de qualquer um e o público mais velho muitas vezes não tem as ferramentas emocionais para lidar com essas táticas de retenção.

Eles entram para ver uma foto do neto e quando percebem já se passaram três horas assistindo vídeos aleatórios que não agregam nada.

A importância do equilíbrio e do apoio familiar

A solução não é proibir o uso da tecnologia porque ela também traz coisas boas como a facilidade de comunicação. O segredo está no equilíbrio. É preciso que a família esteja atenta e incentive atividades fora do mundo virtual. Um passeio na praça ou um jogo de cartas presencial valem mais do que mil mensagens em grupos de aplicativos.

É fundamental entender que a internet deve ser uma ferramenta de apoio e não a base da vida social. Quando o celular vira o único companheiro a saúde cobra o preço.

Fontes e Referências

As informações apresentadas neste artigo são baseadas em estudos publicados pelo Journal of Behavioral Addictions e em levantamentos realizados pelo Pew Research Center sobre o comportamento digital na terceira idade. Também foram consideradas as análises da Fundação Oswaldo Cruz sobre a relação entre o uso de redes sociais e a saúde mental dos idosos no Brasil.

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Jornalista atuante desde 2019, com registro profissional no Ministério do Trabalho desde 2022, e experiência em produção de eventos desde 2016. Atua como redatora, editora e web designer.